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Mundo

Merkel e Hollande celebram 50 anos da reconciliação franco-alemã

Abrindo as comemorações do Ano França-Alemanha, a premiê alemã, Angela Merkel, recebe o presidente francês, François Hollande, em Ludwigsburg. Cerimônia relembra a reconciliação dos dois países após a Segunda Guerra.

Considerado a etapa mais importante da reconciliação entre a França e a Alemanha, há 50 anos, o discurso à juventude realizado pelo então presidente francês Charles de Gaulle em Ludwigsburg, no sul da Alemanha, louvava os alemães como "um grande povo".

Para celebrar a data, a chanceler federal alemã, Angela Merkel, recebeu neste sábado (22/09) o presidente francês, François Hollande, no pátio do Palácio de Ludwigsburg – palco do histórico discurso de Charles de Gaulle, meio século atrás.

"Suas palavras marcaram toda uma geração", disse Merkel, elogiando De Gaulle. Hollande apelou para que se cultive a amizade franco-alemã. O presidente francês afirmou que a Europa precisa constituir uma união política e social, e não se integrar apenas nos setores bancário e financeiro. "Viva a amizade franco-alemã", disse Hollande, em alemão.

Após seus discursos, os líderes dos dois países discutiram durante o almoço questões atuais como a fusão das gigantes da indústria bélica e aeronáutica Eads e BAE, e também a crise na zona do euro.

De Gaulle (d) e Adenauer assinam Tratado de Eliseu, em 1963

Adenauer (e) e De Gaulle assinam Tratado de Eliseu, em 1963

Ano França-Alemanha

Até julho de 2013, Alemanha e França irão comemorar seu jubileu de reconciliação com uma série de eventos. O ponto alto das comemorações do Ano França-Alemanha será uma cerimônia em Berlim, marcada para o dia 22 de janeiro próximo.

A data lembra a assinatura do Tratado do Eliseu no palácio presidencial francês em 22 de janeiro de 1963, pelo então presidente Charles de Gaulle e o ex-chanceler federal alemão Konrad Adenauer.

O acordo sobre "a organização e os fundamentos da cooperação entre os dois Estados" selou a reconciliação entre os dois antigos "arqui-inimigos". Poucos meses depois, Charles de Gaulle, visitaria a Alemanha.

Visitas da paz

Fazia somente 17 anos que a Segunda Guerra havia acabado quando, em setembro de 1962, o antigo presidente francês viajou durante seis dias pela Alemanha. Nos 200 anos anteriores, Alemanha e França, cujas relações eram caracterizadas pela expressão "arqui-inimizade", haviam travado cinco guerras.

Após o terror do regime de Hitler, a lembrança da ocupação nazista ainda estava presente em muitos franceses. A França continuava a encarar a Alemanha com muita desconfiança.

Mas De Gaulle e Adenauer trabalharam no sentido de uma reconciliação entre os dois países. Em julho de 1962, o chanceler federal alemão visitou a França. Na Catedral de Reims, ele e De Gaulle assistiram em 8 de julho daquele ano à "Missa da Paz".

Retribuindo a visita, dois meses depois De Gaulle foi recebido com entusiasmo na antiga capital alemã Bonn, como também nas demais paradas de sua visita: Düsseldorf, Duisburg, Hamburgo, Munique, Stuttgart e Ludwigsburg.

Charles de Gaulle é recebido por Konrad Adenauer em Bonn

Charles de Gaulle é recebido por Konrad Adenauer em Bonn

Base europeia

O herói da Segunda Guerra ganhou o coração dos alemães também porque se dirigiu à população falando na língua alemã. De Gaulle havia aperfeiçoado seus conhecimento no idioma enquanto era prisioneiro, durante a Primeira Guerra Mundial. Falando com um forte sotaque, ele não precisou ler seus discursos, pois ele o havia memorizado.

O ponto alto de sua visita foi seu discurso em Ludwigsburg, realizado no último dia de sua visita ao país. Já a primeira frase pronunciada por De Gaulle diante dos cerca de 20 mil presentes no pátio do palácio barroco foi um forte sinal de que a "arqui-inimizade" pertencia ao passado.

"Eu parabenizo vocês por serem jovens alemães, ou seja, filhos de um grande povo", disse o general. No entanto, afirmou De Gaulle, este povo "cometeu graves erros no decurso de sua história". O presidente francês elogiou as obras científicas, artísticas e filosóficas dos alemães, como também sua tecnologia e o poder de invenção.

Em seguida, De Gaulle fez um apelo à juventude de ambos os países "para que se aproximem cada vez mais, para que se conheçam melhor e estreitem os laços de amizade". No fim de seu discurso de 15 minutos, De Gaulle descreveu a amizade franco-alemã como "alicerce sobre o qual pode e deve ser construída a unidade europeia".

CA/afp/dapd/dpa
Revisão: Mariana Santos

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