Merkel continua a defender política de austeridade para combater a crise | Notícias e análises sobre a economia brasileira e mundial | DW | 22.06.2010
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Economia

Merkel continua a defender política de austeridade para combater a crise

Antes do encontro do G20, em Toronto, Obama ataca política de austeridade, estratégia defendida com veemência por Merkel. Bem ou mal, déficit público alemão deve diminuir sensivelmente.

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Chefe de governo insiste: hora de economizar

"Vou lutar", afirmou a chanceler federal alemã, Angela Merkel, ao anunciar que pretende, no encontro de cúpula do G20 do próximo fim de semana em Toronto, no Canadá, continuar defendendo regras mais rígidas de controle dos mercados financeiros, bem como a política de austeridade adotada por Berlim.

Merkel recebeu um telefonema do presidente norte-americano, Barack Obama, na segunda-feira (21/06). O teor da conversa, segundo informações inoficiais de assessores da chanceler federal, teria sido ameno, numa conversa conduzida "em boa atmosfera". As divergências entre os dois chefes de governo, querem fazer crer as vozes oficiais, não são tão acentuadas como a mídia vem disseminando.

"Ótimas relações"

Barack Obama Theodore Staging Anlage

Obama: 'riscos para a economia'

Bill Burton, porta-voz de Obama, afirmou após o telefonema, nos EUA, que Merkel e o presidente norte-americano têm "ótimas relações". As expectativas quanto à cúpula do G20, contudo, foram aplainadas por Burton.

Do outro lado do Atlântico, a chefe de governo alemã afirmou durante um encontro na Câmara da Indústria e do Comércio, em Berlim, ter deixado claro a Obama que a redução do déficit público é "absolutamente importante" para seu governo. A política de austeridade alemã, segundo Merkel, não irá frear o crescimento da economia mundial.

Muito pelo contrário: se a Alemanha contiver gastos de forma inteligente até o ano de 2014, garantiu Merkel, haverá maior crescimento econômico, gerando mais empregos. Assessores ligados diretamente à premiê em Berlim ressaltam que a Alemanha ocupa uma posição exemplar dentro da Europa neste contexto: "Se nós não levarmos a sério o Pacto de Estabilidade e Crescimento, ninguém vai levar".

Posições divergentes

Na última semana, Obama havia enviado uma carta aos chefes de governo dos países-membros do G20, alertando contra medidas exageradas de austeridade no combate à crise. A redução de gastos públicos, segundo o presidente norte-americano, colocaria a economia mundial em risco.

Merkel, por sua vez, defendeu as medidas de austeridade, alertando para o risco de uma nova crise financeira, caso o déficit público não seja reduzido. A premiê lembrou ainda que a economia dá sinais de recuperação, possibilitando uma redução dos programas especiais de apoio à conjuntura.

Dívidas não são solução

Analistas econômicos não esperam da cúpula de Toronto nenhuma medida efetiva em prol de uma regulação dos mercados financeiros, como por exemplo a criação de um imposto internacional sobre transações financeiras.

Para Otmar Issing, ex-presidente do Banco Central Europeu e um dos assessores de Merkel, a única saída para a crise são mesmo as medidas de austeridade. Segundo ele, a solução não pode estar num acúmulo cada vez maior de dívidas por parte dos Estados.

Redução do déficit público

Segundo informam os diários Süddeutsche Zeitung e Bild, a Alemanha terá de emprestar 20 bilhões de euros a menos do que o inicialmente previsto, o que reduz o déficit público para 60 bilhões de euros em 2010. As razões para isso são, segundo os jornais, uma recuperação da conjuntura e melhorias no mercado de trabalho.

Treffen Merkel und Expertengruppe Neue Finanzarchitektur NO FLASH

Wolfgang Schäuble, ministro alemão das Finanças, Merkel e seu assessor Otmar Issing

Na política de austeridade de Berlim, há indicações de que nada deverá mudar. "É certo que o governo vai começar a conter gastos já em 2011", afirmou Norbert Barthle, porta-voz para questões orçamentárias da CDU, partido de Merkel.

Posição semelhante é defendida por Otto Fricke, do Partido Liberal, membro da coalizão de governo. "Os 60 bilhões de euros [de déficit público] seriam de qualquer forma um endividamento recorde. Por isso, nada impede a política de austeridade", disse o político ao diário Bild.

Espanha representa UE

O projeto do orçamento público alemão para 2011 bem como o planejamento financeiro até 2014 deverão ser definidos pela equipe de Merkel no próximo 7 de julho. O projeto de lei que regulamentará as medidas de austeridade deverá vir em agosto.

Também o governo do premiê espanhol, José Luis Rodriguez Zapatero, iniciou reformas do sistema previdenciário e do mercado de trabalho, como forma de conter gastos. Embora a Espanha não faça parte do G20, o país deverá participar da cúpula de Toronto por estar ocupando, no momento, a presidência rotativa da UE.

SV/dpa/apn/dpa/afp/rtr)

Revisão: Roselaine Wandscheer

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