Merkel alerta para riscos de uma insolvência e defende ajuda à Grécia | Notícias e análises sobre a economia brasileira e mundial | DW | 26.09.2011
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Economia

Merkel alerta para riscos de uma insolvência e defende ajuda à Grécia

Segundo a chanceler federal alemã, default da economia grega poderia causar um efeito dominó na zona do euro e destruir a confiança dos investidores em todos os países do bloco.

Merkel: 'não podemos destruir a confiança dos investidores'

Merkel: 'não podemos destruir a confiança dos investidores'

A chanceler federal alemã, Angela Merkel, voltou a defender neste domingo (25/09) a continuidade da ajuda financeira à endividada Grécia como forma de garantir a estabilidade do euro. Segundo Merkel, permitir que a Grécia entre em default (incapacidade de pagar suas dívidas) poderia causar um efeito dominó na zona do euro, o que destruiria a confiança dos investidores no bloco.

"O que não podemos fazer é justamente destruir a confiança de todos os investidores e chegar a uma situação em que eles pensem que, se fizemos isso no caso da Grécia, também faremos nos casos da Espanha, da Bélgica ou de qualquer outro país. Aí ninguém mais vai colocar seu dinheiro em qualquer parte da Europa", disse Merkel numa entrevista ao apresentador Günther Jauch, do canal alemão de televisão ARD.

Ajuda à Grécia será votada na quinta no Parlamento alemão

Ajuda à Grécia será votada na quinta no Parlamento alemão

A chanceler afirmou, no entanto, que não descarta a possibilidade de tratar a insolvência de um país "como se fosse a de um banco", assim que a zona do euro implementar seu fundo permanente de resgate, o Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), em 2013.

Atualmente, a zona do euro ajuda financeiramente países altamente endividados como a Grécia por meio do temporário Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF), que dispõe de 440 bilhões de euros. O MEE será permanente e deverá substituir o FEEF em 1º de julho de 2013.

Em julho passado, os 17 membros da zona do euro concordaram com a implementação de uma série de medidas para expandir o poder do fundo ao permitir a compra de títulos dos governos endividados, o resgate de bancos e o rápido empréstimo a países em dificuldades.

Durante reunião anual do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial no fim de semana passado, o ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, mostrou-se favorável à antecipação do MEE, que poderia entrar em vigor já no próximo ano.

Merkel também defendeu uma maior rigidez na exigência de estabilidade financeira por parte dos países da zona do euro e exigiu medidas duras contra aqueles que se endividarem além da conta. "Precisamos trabalhar nisso, alterar os acordos, para podermos pelo menos processar um país no Tribunal Europeu de Justiça", disse a chanceler.

Em casos extremos, países que colocarem a moeda comum em risco por causa de suas dívidas devem também abdicar de parte de sua soberania. Limites legais de endividamento, como o existente na Alemanha, devem ser incluídos também nas leis de outros países, a exemplo do que aconteceu recentemente da Espanha, afirmou a chanceler.

Frágil coalizão

Schäuble mostrou-se favorável à antecipação do fundo

Schäuble é favorável à antecipação do fundo permanente

A entrevista de Merkel dá início a uma nova semana de debates sobre a dívida da Grécia na Alemanha, já que nesta quinta-feira o Parlamento vai votar as medidas de expansão do FEEF, acordadas pelos líderes europeus em julho passado.

Apesar de ser praticamente certo que as mudanças serão aprovadas – com apoio tanto da base aliada quanto de boa parte da oposição – crescem as especulações sobre uma possível rebeldia de membros da própria coalizão de Merkel, dispostos a votar contra a expansão dos poderes do fundo por não concordarem com a decisão.

A chanceler alemã vem enfrentando forte oposição da União Social Cristã na Baviera (CSU) e do Partido Liberal Democrático (FDP) – legendas que compõem sua base de governo – sobre a maneira como ela e seu partido, a União Democrata Cristã (CDU), vêm conduzindo a crise de dívida que atinge os países da Europa.

Durante a entrevista deste domingo, no entanto, Merkel disse estar confiante de que não precisará contar necessariamente com os votos do Partido Social Democrata ou mesmo dos verdes, ambos oposicionistas, para aprovar a decisão no Parlamento. "Quero a minha própria maioria e vou brigar por ela", afirmou Merkel.

MS/rts/dpa/ap
Revisão: Alexandre Schossler

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