Merkel alerta para perigo de racismo e anti-semitismo no país | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 08.11.2008
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Alemanha

Merkel alerta para perigo de racismo e anti-semitismo no país

Chanceler federal Angela Merkel convoca população do país a evitar racismo e anti-semitismo, ao lembrar os 70 anos da noite em que nazistas atacaram em massa estabelecimentos pertencentes a judeus no país.

Antes do início das cerimônias que marcam os 70 anos da noite do 9 para o 10 de novembro de 1938, chamada pelos nazistas de "Noite dos Cristais" – um pogrom que deixou vários judeus mortos, sinagogas incendiadas, estabelecimentos destruídos e milhares de homens confinados a campos de concentração – a chanceler federal alemã, Angela Merkel, conclamou os habitantes do país a evitarem "o racismo e o anti-semitismo".

A Reichspogromnacht (noite do pogrom do "Terceiro Reich"), que precedeu o Holocausto nazista, deixou mais de 1300 mortos em conseqüência de aprisionamentos em campos de concentração, ferimentos ou suicídios desencadeados pelo medo e pelo desespero.

Dia inesquecível

Merkel, em seu podcast de vídeo semanal, afirmou que o 9 de novembro é um momento de reflexão a respeito "dos mais terríveis acontecimentos da história alemã", bem como um dia de lembrança positiva, referindo-se à queda do Muro de Berlim, que se deu no 9 de novembro de 1989.

A lembrança do dia do pogrom do ano de 1938, segundo a premiê, "obriga os alemães a agir decisivamente contra o racismo e particularmente contra o anti-semitismo em toda a sociedade". O Parlamento alemão acaba de aprovar uma lei contra manifestações de anti-semitismo, após longas desavenças entre os partidos políticos.

Lembrança

Reichskristallnacht

Homens da SA em marcha nazista pelas ruas de Berlim em 1938: cartazes conclamando a população a boicotar estabelecimentos pertencentes a judeus

No domingo, a chanceler alemã participa de uma cerimônia de lembrança da noite do 9 de novembro de 1938, conduzida pelo Conselho Central dos Judeus na maior sinagoga do país, localizada em Berlim. Construída em 1904, a sinagoga foi bastante danificada no pogrom de 1938, não tendo, no entanto, sido completamente incendiada, provavelmente porque os nazistas temiam a destruição de prédios próximos no centro da capital.

Na Alemanha, viviam cerca de 600 mil judeus antes da Segunda Guerra Mundial. Depois de 1945, eram 12 mil. Hoje, vivem no país mais de 110 mil judeus, a grande maioria originária do Leste Europeu, principalmente da Rússia e dos países da ex-União Soviética.

Alto número de delitos

De acordo com a Sociedade Alemã-Israelense, o anti-semitismo cresce no país. Nos primeiros nove meses deste ano, foram registrados cerca de 800 delitos motivados por uma postura anti-semita, com um saldo de 27 feridos.

Em Berlim foi aberta a exposição It's burning – Anti-Jewish Terror in 1938 (Está queimando – Terror anti-semita em 1938). A mostra, que acontece dentro da Nova Sinagoga da capital alemã, inclui fotografias pouco conhecidas, que elucidam a violência e a humilhação pública a que os judeus foram expostos durante o "Terceiro Reich".

Um museu em homenagem àqueles que auxiliaram os judeus a sobreviver durante a ditadura nazista também foi inaugurado há pouco no centro de Berlim. O acervo do museu contém, além de fotografias, documentos a respeito de mais de 250 "heróis silenciosos", que arriscaram suas vidas fornecendo comida e assistência a judeus escondidos em abrigos ilegais entre 1938 e 1945.

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