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Mundo

Merkel é candidata à chancelaria alemã

Lançada pelos partidos de oposição (CDU e CSU), Angela Merkel, proveniente da ex-Alemanha Oriental, poderá ser a primeira mulher a chefiar o governo em Berlim. Candidata promete reformas econômicas e geração de empregos.

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De olho no poder

A presidente da União Democrata Cristã (CDU), Angela Merkel, foi designada nesta segunda-feira (30/05) em Berlim para concorrer à chefia do governo alemão nas eleições parlamentares nacionais, que devem ser antecipadas em um ano para 18 de setembro próximo.

Ao ser apresentada como candidata da CDU e CSU (União Social Cristã), Merkel disse que sua principal meta, se conquistar o governo, é gerar empregos. Essa foi também a principal promessa eleitoral do atual premiê alemão, Gerhard Schröder (SPD), quando foi eleito pela primeira vez em 1998. Hoje a Alemanha tem cerca de cinco milhões de desempregados.

Além do combate ao desemprego, Merkel anunciou também que, em caso de vitória, pretende fazer uma ampla reforma tributária e previdenciária, reduzir a burocracia e desvincular as contribuições sociais dos salários. "Essas áreas marcam o rumo de uma reforma conseqüente na Alemanha e formam a base do programa eleitoral", disse.

Primeira mulher na chefia do governo?

Angela Merkel und Edmund Stoiber

Merkel, candidata em 2005, flaqueada por Stoiber, candidato da oposição em 2002

A candidatura de Merkel foi proposta pelo presidente da CSU, Edmund Stoiber (govenador da Baviera), em reunião dos diretórios dos dois partidos na capital alemã. Em caso de vitória da CDU e da CSU nas eleições, como prevêem as atuais pesquisas de opinião, Angela Merkel, proveniente da ex-Alemanha Oriental, será a primeira mulher a chegar à chancelaria alemã. Nas eleições de 2002, a líder da CDU aceitou a candidatura de Stoiber, que perdeu o pleito por estreita margem de votos para Schröder, candidato do SPD em coalizão com os Verdes.

Merkel enfrentou resistências dentro do próprio partido antes de ser nomeada candidata. Críticos afirmam que lhe faltam os atributos que, de acordo com estereótipos propagados no país, caracterizam um líder político bem-sucedido: o tempo de aprendizado na ala jovem do partido, uma forte rede de relações, poder incontestável dentro da legenda e, sobretudo, elegância no relacionamento com a mídia.

Filha de pastor luterano, Angela Merkel nasceu há 50 anos em Hamburgo, mas cresceu em Templin, no Estado de Mecklemburgo Pomerânia Ocidental (ex-Alemanha Oriental). Estudou Física em Leipzig, onde trabalhou na Academia das Ciências e fez seu doutorado. Subiu ao palco da política somente após a derrocada do comunismo, em 1989, como porta-voz do primeiro governo democrático da RDA, mas teve uma carreira fulminante.

A "menina de Kohl"

Bildgalerie Helmut Kohl und Angela Merkel

Kohl (e) com Merkel, a 'a menina de Kohl'

O chanceler federal Helmut Kohl entregou-lhe o Ministério da Família, Idosos, Mulheres e Juventude, mais tarde, o do Meio Ambiente, entre 1991 e 1998. A imprensa rotulou-a de "menina de Kohl", insinuando que ela devia seus postos exclusivamente à proteção do chanceler. O sucessor de Kohl na presidência da CDU, Wolfgang Schäuble, a indicou para o cargo de secretária-geral do partido. Após o escândalo das doações, Merkel foi escolhida para reerguer a CDU.

Muitas das velhas e novas raposas do partido imaginavam que seria fácil livrar-se dela, depois que ela tivesse feito o trabalho de faxina. Merkel, porém, firmou-se no comando da legenda. Foi a primeira a se distanciar claramente das maracutaias de Kohl e, mais tarde, até conseguiu se reconciliar com o ex-líder democrata-cristão.

Casada com o professor de química Joachim Sauer, Merkel não nega suas raízes cristãs. "Não devemos ocultar que a Europa é profundamente marcada pela tradição judaico-cristã. Em grande parte, a Europa passou pelo iluminismo. Isso foi uma fase importantíssima também no desenvolvimento do cristianismo", diz.

Até mesmo a derrota de Stoiber para Schöder em 2002 acabou fortalecendo Merkel, que passou a acumular a presidência de seu partido e a liderança da bancada conjunta da CDU/CSU no Bundestag (câmara baixa do Parlamento). Seus concorrentes tiveram de reconhecer que a "menina de Kohl" é extremamente autoconfiante e decidida no jogo do poder. Essa determinação lhe será mais do que necessária, se tiver sucesso como candidata e assumir o governo.

Data do pleito ainda no ar

Independentemente das chances eleitorais de Merkel, por enquanto, ainda não é possível afirmar quando haverá uma troca ou reeleição do governo em Berlim. Schröder anunciou a intenção de antecipar as eleições parlamentares, através de uma decisão sobre um "voto de confiança".no Parlamento. Os detalhes do plano só serão revelados no dia 1º de julho no Bundestag, informou o porta-voz do governo Béla Anda, nesta segunda-feira. "Não existe outro grêmio que ainda precise ser informado antes", acrescentou. Enquanto isso, líderes do SPD e dos Verdes começam a trocar farpas num tom que parece tornar irreversível o fim da coalizão governamental. Com ou sem eleições antecipadas.

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