1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

América Latina

Mercosul se reúne em meio a turbulências econômicas de países-membros

À parte os problemas políticos, o Mercosul sofre ainda com as dificuldades econômicas de seus integrantes. Baixo crescimento econômico, inflação e desvalorização da moeda assombram Brasil, Argentina e Venezuela.

Os líderes dos cinco países-membros do Mercosul se encontram a partir desta quinta-feira (11/07) em Montevidéu, no Uruguai, com o desafio, novamente, de tentar impulsionar a integração de um bloco econômico marcado por tensões políticas internas e externas.

Além das desavenças políticas, a reunião de dois dias acontece à sombra de problemas econômicos sem solução de curto ou médio prazo, em países importantes do bloco, como Brasil, Argentina e Venezuela. Entre as "dores de cabeça" de seus líderes estão o aumento da inflação, o baixo crescimento econômico e a desvalorização das moedas nacionais.

Esses três países viram seu Produto Interno Bruto (PIB) crescer de forma pífia no primeiro trimestre de 2013 em comparação com o mesmo período do ano anterior. O Brasil cresceu 1,9%, a Venezuela, 0,7% e a Argentina, 3% – porém, agências independentes e o Fundo Monetário Internacional (FMI) acusam o governo argentino de maquiar seus dados estatísticos de crescimento, como também o índice de inflação.

"Desde a crise financeira internacional [em 2008], esses países apresentaram uma queda do crescimento econômico em comparação com a última década. Houve a grande recessão em 2009, quando os países do Mercosul não foram tão atingidos, mas depois dela a demanda por produtos exportados desses países enfraqueceu", analisa o professor Federico Foders, do Instituto de Economia de Kiel, na Alemanha.

Falta de produtos básicos na Venezuela

Venezuela Russland Präsident Nicolas Maduro in Moskau

A Venezuela, do presidente Nicolás Maduro, continua dependendo das exportações de petróleo

A Venezuela, por exemplo, que praticamente sobrevive da exportação de petróleo, sofreu com a baixa demanda pelo produto no mercado internacional. O governo do ex-presidente Hugo Chávez não conseguiu fortalecer outros setores industriais do país e reduzir a histórica dependência do petróleo, que só cresce com o passar dos anos. 

Com isso, a população do país sofre com a falta de alimentos e de produtos do cotidiano, como papel higiênico, que ficam cada vez mais caros com a desvalorização acentuada do bolívar venezuelano, causando uma corrida da população por moedas estrangeiras, como o dólar e o euro, no mercado negro. "Isso são sinais que comprovam que o comércio não está funcionando bem", diz Foders.

Para o professor de economia e comércio internacional Antonio Carlos Alves dos Santos, da PUC-SP, há ainda uma incógnita em relação à política econômica escolhida pelo presidente Nicolás Maduro, ou seja, se o Estado vai aumentar a intervenção na economia ou se vai ficar no "meio termo" – mantendo o discurso duro e, ao mesmo tempo, deixando um pouco de espaço para o capital privado. "Só que investimento privado em ambiente de turbulência política, ainda mais com discurso contra, não se concretiza", avalia Santos.

Inflação galopante na Argentina

Os destaques negativos da economia argentina são a desvalorização do peso e a alta inflação – índice calculado pelo governo aponta 10,8% em 2012, mas destoa dos números divulgados por institutos de pesquisa independentes, que dizem que na realidade o país registrou 25,6%. O índice aferido pelo governo argentino é usado para indexar o pagamento dos títulos da dívida pública do país.

"É compreensível que o governo argentino queira limitar o seu endividamento público. Mas isso é negativo para os consumidores, que quando vão ao supermercado sentem um aumento de preços de cerca de 25% ao ano. Isso é muito ruim, principalmente para os assalariados", diz Foders.

Argentinien Banknoten

A desvalorização do peso argentino gerou uma corrida por dólares e euros

Para conter o aumento dos preços, o governo argentino e os supermercados assinaram nesta terça-feira um acordo que prorroga o congelamento de preços de cerca de 500 produtos da cesta básica até depois das eleições legislativas, previstas para 27 de outubro. Com isso, os estabelecimentos se comprometeram a manter a oferta desses itens, em especial farinha, azeite, verduras e açúcar, bem como expor as tabelas de preços fechadas com o governo.

Para Santos, da PUC-SP, a Argentina vive uma situação econômica complicada, basicamente causada por um ambiente de muita disputa política. "É, infelizmente, o velho problema da Argentina: o populismo econômico."

Apesar do controle rigoroso do governo argentino em relação ao câmbio, adotado desde o final de 2011, um levantamento do Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec) divulgado em julho mostra que os argentinos possuem mais de 170 bilhões de dólares guardados debaixo do colchão ou depositados em contas bancárias no exterior – valor que representa mais de quatro vezes o valor das reservas do país, que, em dezembro de 2012, somavam cerca de 43 bilhões de dólares. O Indec é o mesmo instituto do governo que afere a inflação.

Situação do Brasil é melhor, mas também preocupante

Já a presidente Dilma Rousseff vai representar, em Montevidéu, um país com a economia enfraquecida, mas, de acordo com os especialistas, em melhor situação do que Argentina e Venezuela. O Brasil registrou, nos últimos 12 meses, um índice de inflação de 6,5%, taxa acima da meta do governo federal, que é de 4,5%. No início do ano, o tomate foi considerado um dos vilões da inflação por conta do aumento de mais de 120% em 12 meses.

Brasilien-EU Gipfeltreffen 2013

Desaceleração da economia e inflação em alta preocupam no Brasil

A inflação alta vem afetando, principalmente, pessoas mais pobres que tiveram queda no seu poder aquisitivo. Para Santos, da PUC-SP, Dilma apostava no crescimento econômico com alguma inflação, mas quando a receita não deu certo, resolveu mudar o foco e combater o aumento dos preços. "A inflação é o maior inimigo nas eleições de 2014. Falta uma política econômica coerente, mas a situação é menos grave do que a da Argentina."

Para Foders, a reunião de cúpula em Montevidéu poderia ser aproveitada pelos líderes para a busca de soluções conjuntas para os problemas econômico. "Na realidade, a realização agora desta reunião de cúpula é algo positivo. Pode ser que os países do Mercosul tentem encontrar juntos uma solução para os problemas. Mas, eu, pessoalmente, não acredito nisso", conclui Foders, não muito otimista.

Leia mais