1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Economia

Mercosul com presença forte na Anuga

Empresas brasileiras participam da Feira Internacional de Comércio de Alimentos e Bebidas em Colônia e se empenham para melhorar sua imagem e incrementar as exportações.

default

Anuga 2003: Feira de Alimentos em Colônia

A Feira Internacional de Comércio de Alimentos e Bebidas Anuga, que está sendo realizada de 11 a 15 de outubro na cidade de Colônia, trouxe este ano cerca de 6000 empresas de 93 países e veio com uma novidade: foi dividida em dez feiras temáticas – que abordam, entre outros, alimentação fina e dietética, bebidas, congelados, fast-food, frutas, franchising, derivados do leite, verduras e produtos naturais - e tem como foco principal os alimentos orgânicos. Divididas em duas frentes, Mercosul e Brasil, cerca de 87 empresas brasileiras dividem-se por 1790 m² apetitosamente decorados, à procura de chances, parceiros, encomendas.

Entre os destaques puramente brasileiros, está a marca "Brazilian beef", fruto da parceria entre o Ministério da Agricultura, a Agência de Promoção de Exportações (Apex) e a Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação (Abia), que visam estimular a exportação de carne bovina brasileira. Nada mais adequado, já que o mercado alemão de alimentos é liderado pelo setor de carnes, com 19% do mercado, seguido pelos setores de derivados de leite com 16%, cervejarias e destilarias com 11%, doces com 9% e panificados com 8%.

Mercosul em presença histórica

A presença do Mercosul na Anuga é quase histórica, ressaltou em entrevista à DW-WORLD David Silveira da Mota Neto, chefe da Divisão de Informação Comercial da Brazil Trade Net, subordinada ao Ministério das Relações Exteriores: pela primeira vez o bloco aparece, numa feira internacional, como instituição coesa, em vez de em estandes separados. Mota Neto enfatiza que padrões fitossanitários não são mais barreiras à exportação. O que dificulta ainda, porém, é a falta de tradição exportadora e os encargos fiscais impostos pelos países europeus.

Na Anuga, Paraguai e Argentina estavam bem representados por diplomatas e promotores comerciais. O Uruguai mostrou a que veio, ao apresentar um conceito de marketing poderoso, mostrando a excepcionalidade de sua carne dentro dos padrões orgânicos que o mercado europeu exige e valoriza. O Brasil, por seu tamanho e peso comparativo no bloco, pôde variar e inovar na abordagem de seus produtos. Vinte e oito pequenas e médias empresas, que tiveram seu espaço na feira financiado pelo Itamaraty, trabalharam intensiva e corajosamente um leque amplo de produtos com qualidade internacional, desde mel com café até carne de coelho.

Exportações Brasil-Alemanha

Segundo dados da Câmara de Comércio e Indústria Brasil- Alemanha, o Brasil exportou para a Alemanha, em 2002, US$ 3,5 bilhões, dos quais cerca de um terço refere-se, entre outros, a carnes, frutas e café. Em contrapartida, a Alemanha exportou US$ 4,5 bilhões para o Brasil, no entanto em máquinas, motores, tecnologia e autopeças. A participação brasileira na Anuga é um passo na direção de o Brasil deixar de ser apenas em teoria o "celeiro do mundo", para tornar-se lenta e sustentadamente um exportador de produtos com maior valor agregado.

O Mercosul tenta com sua apresentação na Anuga fortalecer a sua nova identidade internacional como bloco comercial. Procura, trabalhando sua imagem, mostrar-se à altura dos parceiros europeus em termos de qualidade, preços e produtos, fazer contatos e plantar boas sementes para futuras parcerias. As pequenas e médias empresas tentam sobretudo descobrir de que massa é feita o mercado alemão. Mas entre mostrar um produto e realmente vendê-lo, o caminho pode ser longo e tortuoso quando se trata de empresas de menor porte.

Custos altos, preços baixos e espaços pequenos

Colocar uma mercadoria nova no mercado europeu não é fácil nem barato. A começar pelo preço menor de introdução, que ajuda um produto sem marca forte a ser conhecido e reconhecido como opção. Novos custos são acrescentados a estes: num supermercado tem de se alugar o local de exposição, que encarece dependendo do privilégio de sua localização. É preciso também cuidar para que os produtos estejam sempre com data de validade correta, bem organizados, repostos e bem expostos na prateleira. Tudo isto, aliado a custos de promoção do produtos no local e outros custos extras que o supermercado exige.

As grandes redes de supermercado alemãs, especialmente as que se destacam por preços mais acessíveis, trabalham com poucas marcas: compram somente de 3600 produtores dos 5917 existentes, dos quais apenas alguns são estrangeiros. Para que seus preços sejam baixos o suficiente, negociam somente com quem pode oferecer mercadorias a preços inferiores, o que não inclui normalmente os pequenos produtores nacionais, tampouco os estrangeiros.

Além disto, as leis de utilização do espaço dos supermercados são bem rígidas: um supermercado só existe a partir de 2000 m², e esta área é também rigidamente limitada em suas possibilidades de uso. Na prateleira de um supermercado de descontos, ou supermercado barato, por exemplo, cabem apenas 1200 produtos, o que limita a variedade de marcas à disposição do consumidor. Isto é apenas uma parte das barreiras que os brasileiros têm pela frente.

Peculiaridades do mercado alemão

A introdução de um produto novo – e "novo" não quer dizer somente inovador, mas sim, e principalmente, desconhecido dos europeus - no mercado alemão traz consigo novos obstáculos: os costumes diferentes, os gostos específicos do povo e de cada região, bem como os altíssimos padrões de qualidade exigidos pela legislação. Os expositores brasileiros na Anuga têm de ter tudo isto em vista e ainda por cima competir com cerca de 2000 produtos alimentícios novos por ano lançados no mercado.

Outro dos grandes problemas com que as empresas brasileiras se deparam é a crença de que os europeus, pelo peso de sua moeda, engolem preços absurdos, o que não corresponde à realidade. As leis de exportação e os impostos alemães são também grandes pontos de interrogação para a maioria das pequenas e médias empresas, que precisam de treinamento e preparo para que sua experiência no exterior traga o máximo de lucros e o mínimo de dor de cabeça. Os empresários costumam contratar traders e gastar com eles um boa soma, sem saber que o Itamaraty lhes dá suporte gratuito sob a forma de matchmaking e de pesquisas de mercado.

Os brasileiros, que certamente desembolsaram um bom dinheiro para fazer parte da Anuga, devem aproveitar a oportunidade para firmar bons contatos com os compradores e produtores alemães. Porém, toda aliança duradoura implica na estratégia de, sobre bases comuns e uma boa dose de paciência, achar a melhor sinergia. Se depender da presença brasileira na Anuga, os empresários estão mais do que prontos para o desafio.

Links externos