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Economia

Mercado Novo completa 5 anos à espera de novo impulso

Quanto mais alta a ascensão, maior a queda: após valorizações de ações de até 1.500%, veio a "queima" de 175 bilhões de euros de capital. Após a queda na real, a recuperação será a longo prazo, segundo especialistas.

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Logotipo do Mercado Novo

"É preciso prestar atenção para que a festa de aniversário não vire um velório". A recomendação é de Klaus Nieding, da Associação Alemã de Proteção aos Acionistas e o aniversariante é o chamado Mercado Novo da Bolsa de Frankfurt, que completa 5 anos neste domingo (10). Nem todos, porém, são tão pessimistas quanto Nieding, no que diz respeito ao seu futuro.

Mas é compreensível que quem perdeu dinheiro com a queda vertiginosa das ações de tecnologia e internet não tenha motivo de festa. Poucos meses atrás, ainda havia gente que não sabia se jogar suas ações no lixo ou guardá-las no cofre. Muitos desses investidores hoje não podem nem ouvir falar no Mercado Novo, criado para negociar as ações de firmas promissoras de software, telecomunicação, Internet, comércio eletrônico ou biotecnologia.

A euforia seguida de ressaca - Nos primeiros anos, o seu crescimento e as valorizações espetaculares desencadearam uma verdadeira euforia, conquistando um público que até então não se atrevera a investir na bolsa. Nos dois últimos anos, contudo, o clima é de ressaca, o que acabou com a imagem de seriedade do Mercado Novo.

"A ganância corrói o cérebro", diz Franz-Josef Leven, do Instituto Alemão de Ações (DAI), lembrando um velho ditado que vem bem a calhar. Portanto, que culpa tem a bolsa? "Se as cotações sobem durante anos, algumas vertiginosamente, isso desperta o desejo de participar dos ganhos. É ai quando o acionista perde de vista que valorizações de 50%, 60% ou 70% por ano só são possíveis por curto tempo, a longo prazo é impossível mantê-las", analisa.

Crescimento vertiginoso - O Mercado Novo começou em 1997 com 4 empresas, fechando o ano com 11. Suas ações tinham um valor de cerca de 4 bilhões de euros. Dois anos depois, o segmento abrangia 70 firmas com um valor de 37 bilhões de euros. Em 1997 e 1998, as cotações subiram 500%. Na primavera de 2000, quando atingiram seu auge, havia 300 empresas com ações negociadas no Mercado Novo e um valor de 250 bilhões de euros. Mas com valorizações de até 1.500%, isso não poderia acabar bem.

Houve quem ganhasse uma fortuna, mas muitos perderam até 95% do que investiram. O Nemax 50, índice do Mercado Novo, despencou de 9.600 pontos, em abril de 2000, para míseros 900 pontos, e a queima de capital totalizou 175 bilhões de euros.

Sonhadores atrás de minas de ouro - As causas da ascensão e queda são conhecidas. O Mercado Novo foi criado com base na Nasdaq, a bolsa americana de tecnologia, para permitir que empresas da New Economy obtivessem rapidamente capital para expandir seus negócios. Tais firmas não eram julgadas por seu faturamento ou lucro, mas sim pela "estória" que conseguiam "vender" aos acionistas. Toda idéia de negócios relacionada com a Internet, por mais vaga que fosse, atraía acionistas, principalmente quem estava atrás de minas de ouro. Ou então de uma versão alemã do sonho americano de firmas de fundo de quintal, que de repente se transformam em grandes empresas.

"A alta se auto-alimenta", reza outro ditado da bolsa e isso se cumpriu, pelo menos nos primeiros anos. O conto da "bolsa dos ovos de ouro" acabou chegando às massas. Ninguém queria saber da palavra "risco" e quem perguntasse, ouvia que "quem precisa de garantia, que compre uma torradeira".

A crítica aos bancos e a crise de confiança - Passada a euforia e fixado o montante dos prejuízos, muitos queixam-se do papel desempenhado pelos bancos, que acompanharam o lançamento de ações de firmas novas e ganharam boas comissões. A acusação é de que os bancos não examinaram com a devida atenção e de forma crítica as chances dos lançamentos, que somaram 133 somente no ano 2000. Franz-Josef Leven defende os bancos, dizendo que eles mal conseguiam satisfazer uma demanda de ações que não estimularam.

O Instituto Alemão de Ações foi fundado como representação das empresas e instituições que atuam em torno da bolsa de valores. Seu objetivo é popularizar as ações na Alemanha. No entanto, notícias empresariais que não correspondiam à verdade, anúncios duvidosos, prognósticos demasiado otimistas, lucros prometidos e não cumpridos, compras de firmas sem o menor sentido, incompetência e falta de profissionalismo na gerência de muitas empresas comprometeram seriamente a confiança dos investidores nas ações da nova economia. Casos de falência e acusações de fraude agora foram parar na Justiça. Também as previsões demasiado otimistas dos analistas a serviço dos bancos prejudicaram a imagem dos estabelecimentos de crédito e da ação como forma de investimento.

Na opinião de Leven, a queda dos últimos anos foi tão exagerada quanto a valorização no período áureo. Com o agravante de que arrastou para baixo inclusive ações de empresas injustamente afetadas. Seu conselho aos acionistas: pescar as pérolas entre as contas de vidro.

Crash do salame e perspectivas - A longo prazo, acredita o instituto, as cotações irão se estabilizar no Mercado Novo e os valores sólidos atingirão uma valorização moderada. O fatal na queda do Mercado Novo foi que ela se processou ao longo de dois anos, a prestações, o que foi chamado de "salami crash", como o salame que se corta em fatias. Muitos acionistas resolveram esperar por tempos melhores e o resultado foi que a venda acabou não dando nem para pagar a comissão do banco. Quem perdeu muito dinheiro não tem o que investir, mesmo que quisesse. Por isso, os entendidos dizem que o "renascimento" do Mercado Novo ainda deve demorar de 3 a 5 anos, após a atual fase de consolidação.

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