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Alemanha

Menos mortes, mais soropositivos

Número de portadores do HIV cresce na Alemanha devido a remédios que prolongam vida dos doentes, mas esta continua difícil, denuncia Fundação Alemã de Aids, por ocasião do dia internacional de combate à doença.

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Dos três milhões de pessoas que morreram de Aids em todo o mundo em 2001, apenas 600 foram na Alemanha. Há cinco anos, o número de vítimas fatais ainda era cinco vezes maior neste país europeu. A eficiência dos tratamentos reduziu a mortalidade e faz crescer ano a ano a fatia de soropositivos na população alemã. Apesar deste aumento, o assunto tem cada vez menos espaço na mídia do país, denuncia a Fundação Alemã de Aids (Deutsche Aids-Stiftung).

"Nunca em nosso país houve tantas pessoas com o HIV e Aids como no momento. Genericamente o fato deve-se à constância de dois mil novos infectados por ano e à diminuição de casos fatais, devido à melhoria das terapias. Ou seja: hoje há muito mais gente soropositiva do que há dez anos, mas vê-se muito menos sobre este tema nos meios de comunicação", atesta o médico Ulrich Heide, secretário-geral da fundação.

Segundo o Ministério da Saúde, as mulheres representam 25% dos novos contaminados e os casos de crianças tornaram-se isolados, graças às medidas preventivas desenvolvidas para impedir a transmissão do vírus de uma mãe portadora do HIV para o feto.

Auxílio social na mira de cortes do governo

Porém, o drama dos contaminados e doentes permanece. Até hoje não existe remédio que cure a infecção. E, para a maioria dos soropositivos, viver ainda significa uma luta diária à margem da sociedade. Aqueles que mais precisam de ajuda são, em regra, menores de 40 anos. Eles não possuem direito a aposentadoria, nem tiveram tempo para formar poupança. Embora dois terços dos portadores do HIV sejam de homens, são principalmente as mulheres que buscam socorro junto à Fundação Alemã de Aids.

Assim como todos os demais doentes crônicos incapacitados para o trabalho, muitos dos soropositivos podem se preparar para dias mais difíceis, diante dos esperados cortes na área social do Estado. Eles até têm direito a uma ajuda complementar, mas ela só vem após uma maratona burocrática, especialmente cansativa para quem já está física e psicologicamente abalado.

"Para começar, eles não têm de ir a apenas um órgão, que seria o departamento de assistência social, mas até mesmo a três. E parece haver uma preocupante tendência de cortar o auxílio àqueles que objetivamente não são incapacitados para o trabalho. Isto naturalmente atinge um grande número de aidéticos", observa Heide.

Ajuda financeira e conscientização

Um dos objetivos da Fundação Alemã de Aids é custear despesas de contaminados com Aids. Anualmente, a instituição privada gasta 1,5 milhão de euros com o pagamento de cauções de aluguéis e alimentos especiais de doentes necessitados, mas também providencia óculos, reformas no chão de casas e mudanças.

A segunda tarefa é conscientizar a população, sobretudo os atuais jovens, que ainda não tinham maturidade sexual no início dos anos 90, quando da expansão da epidemia. Eles mostram não ter informações suficientes sobre os perigos de uma contaminação, os meios de transmissão do vírus e as conseqüências da doença.

Tratamentos caros e dolorosos

Desde 1996, até existem medicamentos que reduzem o sofrimento e prolongam a vida dos aidéticos, mas nem por isto tornaram-na menos difícil. "É preciso deixar sempre claro que o sucesso das terapias só aparece quando o paciente tem condições de tomar regularmente estes remédios. E como não existe cura para uma infecção de HIV, é um tratamento vitalício, altamente dependente de recursos financeiros e também da capacidade de o corpo do paciente suportar os medicamentos. De modo que a grande disposição dos pacientes em tomar regularmente os comprimidos é também dependente da situação social de cada um", comenta Jürgen Rockstroh.

O especialista em HIV da Clínica Universitária de Bonn chama a atenção para esta questão com conhecimento de causa. Ele tem verificado entre seus pacientes uma redução na disposição em tomar os medicamentos diante de fortes efeitos colaterais, como dores de estômago e intestino. A experiência de Rockstroh também aponta que mães solteiras, dependentes de drogas e migrantes têm, diante de seus problemas sociais, muita dificuldade em participar das complexas terapias e exames.

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