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Alemanha

Memória, turismo e cotidiano na Normandia

Sessenta anos depois do Dia D, a história da invasão da Normandia é atração turística para visitantes de todo o mundo.

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Tanque do Dia D virou monumento em Bayeux, na França

Os cafés chamam-se Libération ou Six Juin (6 de junho), os roteiros têm nomes como Le choc (o choque) ou L'assault (o assalto), nos museus são cantados os atos de heroísmo dos Aliados e inúmeras lojas vendem souvenirs da guerra. Há monumentos dedicados à "morte heróica" e bandeiras dos Estados Unidos por todos os lados. Na Normandia, a história do 6 de junho de 1944 é onipresente. Ela tornou-se um aspecto importante do turismo na região.

Nas praias de Utah, Omaha ou Gold Beach, pode-se ter uma vaga noção do desembarque dos soldados aliados, há 60 anos. "Os Aliados desembarcaram uma hora após a maré baixa. Por isso, tiveram de atravessar uma faixa de 300 metros de areia, antes de chegar à dunas. A praia estava interditada por obstáculos antitanque. Daqui pode-se ver que os alemães tinham uma posição muito boa para a batalha: costões bastante íngrimes e arenosos, onde facilmente podiam escavar trincheiras", conta o irlandês Edwar Robinson, guia turístico para norte-americanos e ingleses.

Onda de turistas

Hoje, quando a maré está baixa, coches puxados a cavalo cruzam a praia que, no verão, é invadida pelos banhistas. O interesse pela Normandia é grande: jovens e idosos da França, Inglaterra, EUA, Dinamarca e Suécia (e alguns poucos da Alemanha) visitam os inúmeros museus e postam-se para fotografias diante das ruínas de guerra.

Passados 60 anos do Dia D, os visitantes são transportados em modernos microônibus, acompanhados de elegantes guias turísticos multilíngües e param nos lugares em que a história segurou o fôlego. Por exemplo, em Arromanches, onde acontecem as cerimônias oficiais em memória do 6 de junho, vêem-se enormes blocos de concreto abandonados no mar. São restos do famoso porto artificial construído às pressas pelos ingleses para abastecimento das tropas. Mas Arromanches é também um balneário turístico.

A beleza da Normandia engana. As dunas da região ainda mostram as cicatrizes da Segunda Guerra Mundial: abrigos antiaéreos, trincheiras e sucatas de veículos militares. As ruínas do campo de batalha, transformadas em monumentos históricos, impressionam os turistas. Veteranos, que foram inimigos na guerra, hoje chegam em grupos e contam suas lembranças. "O importante é ter sobrevivido", dizem. Alguns deles dedicam-se a projetos de reconciliação, outros escrevem suas memórias, como por exemplo o ex-primeiro-sargento alemão Alexander Uhlig.

"Tínhamos boas relações com os franceses, que continuam até hoje. A cada três anos, passamos três a cinco dias na Normandia. Há 25 anos, nos hospedamos sempre no mesmo hotel. Visitamos as antigas linhas de batalha, onde, às vezes, somos convidados para um drinque com idosos locais. Os franceses então dizem: 'É verdade que fomos libertados, mas, enquanto os alemães estavam aqui, havia ordem' ", conta Uhlig.

Militarização da memória

Túmulos, placas, memoriais e cemitérios são rastros deixados pela guerra na Normandia. A militarização da memória é evidente. Perto de Colleville, há um cemitério militar dos EUA, onde estão enterrados nove mil jovens soldados, numa área de 70 hectares. Ao lado da capela e das cruzes erguidas geometricamente, vê-se o monumento ao "espírito da juventude norte-americana". "O que se vê aqui é um gesto de respeito em memória das vítimas. Isso sempre me fascinou. É parte da história. Isso me interessa", diz um visitante de Boston.

O cemitério das tropas da Comunidade Britânica, com seus bancos e canteiros de flores, lembra um parque do sul da Inglaterra. Já o cemitério alemão, em La Cambe, onde estão enterrados 20 mil soldados, é relativamente pequeno e sombrio, com tristes cruzes de bronze, e dominado pelo Monumento ao Soldado Desconhecido.

A poucos quilômetros de La Cambe, encontra-se Sainte Mère Eglise, um lugarejo com fama de ter sido o primeiro a ser libertada da ocupação nazista. Ele vai sediar em 2004 as cerimônias em memória dos pára-quedistas aliados. O pára-quedas de um deles, John Steele, infelizmente ficou pendurado na torre da igreja, na hora do salto. Os libertadores de 1944 mantiveram seu contato com Sainte Mère Eglise. O órgão da igreja local foi doado pela liga dos pára-quedistas veteranos.

O Dia D será festejado como de costume este ano na Normandia, mas com uma diferença: pela primeira vez, estará presente um chefe de governo alemão. O chanceler federal Gerhard Schröder vai acompanhar os festejos ao lado de Jacques Chirac, Tony Blair, a rainha Elisabeth, George Bush e mais 5800 convidados.

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