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Cultura

Memória do Terror

Ser uma espécie de “álbum de família” do 11 de setembro é a proposta da exposição “Aqui é Nova York. Reunindo 500 fotografias de amadores e profissionais, a mostra passa por Berlim, Dresden, Düsseldorf e Stuttgart.

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Nova-iorquinos observam a queda da segunda torre do WTC

As reproduções em formato 30x40 cm, em cores ou preto-e-branco, são dependuradas em varais, como roupas no quintal. Sem referências de autoria, legendas ou molduras, as fotografias têm por objetivo documentar o atentado ao World Trade Center, partindo das mais diversas perspectivas. "Um conceito de exposição novo e democrático", segundo os organizadores.

SoHo O que começou com uma compilação espontânea de cem fotos, acabou se transformando em um verdadeiro acervo de sete mil trabalhos. A idéia surgiu de um grupo de quatro fotógrafos em Nova York, que deram início ao projeto em uma loja vazia no SoHo, mais exatamente na Prince Street, a apenas 20 quarteirões do ground zero.

O projeto inicial estabelecia que qualquer pessoa, de posse de material sobre a tragédia do 11 de setembro, poderia enviar reproduções fotográficas. Pelo menos uma foto de cada "envelope recebido" foi anexada à exposição.

Presentes estão os mais diversos registros da tragédia, entre eles as chamas e os destroços das torres gêmeas, policiais e bombeiros em ação, corpos das vítimas ou meros anúncios de desaparecidos. Aberta há pouco mais de um mês em Berlim, a exposição já foi vista, na Alemanha, por cerca de 50 mil pessoas.

Autenticidade O impacto causado pela autenticidade das imagens ultrapassa o perigo de transformar a tragédia em um espetáculo para voyeuristas do terror. A intenção é oferecer uma visão da catástrofe, que passe por menos intermediários: "Os visitantes podem formular suas próprias impressões e interpretações do ocorrido, sem os filtros da mídia", observa Arne Mutert, do Ministério Alemão do Interior, um dos patrocinadores da exposição.

Para os organizadores, os relatos sobre o 11 de setembro - embora remetam a um dos acontecimentos mais retratados pela mídia em todo o mundo - mantiveram-se muito distantes do indivíduo. E é exatamente o olhar individual que está presente nos varais de "Aqui é Nova York".

O título original – "Here is New York" – é uma referência ao famoso ensaio de E. B. White, publicado em 1949. Uma verdadeira carta de amor à cidade, o livro do jornalista White foi considerado pelo New York Times um dos melhores textos de todos os tempos sobre a metrópole.

Perspectivas múltiplas Uma vez que dois terços das fotos foram feitos por amadores, a mostra, segundo Mutert, oferece um espaço para que o espectador "reescreva as imagens em sua cabeça, além de oferecer perspectivas múltiplas, em oposição à cobertura do 11 de setembro feita pela mídia ". Uma exposição paralela, "Minha Nova York", traz fotografias feitas por berlinenses na cidade americana, registrando suas impressões sobre a catástrofe.

O escritor Michael Shulan, um dos organizadores da mostra, surpreso com a ressonância causada em todo o mundo, aposta no caráter universal da documentação como o motivo do sucesso. " Ground zero pode estar representando qualquer lugar do mundo. Trata-se da emoção e da reação das pessoas ao que elas não entendem", comenta Shulan.

"Aqui é Nova York" conta também com um site especial, onde cada foto pode ser obtida ao custo de 25 dólares. Acessada por cerca de meio milhão de pessoas por dia, as vendas já renderam mais de 600 mil dólares, revertidos para um fundo de ajuda aos filhos de vítimas da tragédia.

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