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Cultura

Memória cultural em perigo

A Unesco adverte: a atual guerra pode destruir boa parte dos sítios e tesouros arqueológicos conhecidos ou ainda a serem descobertos sob o solo iraquiano.

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Ruínas de Hatra, ao norte de Bagdá

O berço da civilização está correndo o risco de ser exterminado pela mais moderna tecnologia da destruição. Um entre os vários efeitos colaterais do atual conflito armado no Iraque, o legado cultural da antiga Mesopotâmia, pode vir a desaparecer.

"No quinto milênio antes de Cristo, surgiram os primeiros povoados na região entre os rios Tigre e Eufrates", alerta Mounir Bouchenaki, vice-diretor cultural da Unesco em Paris. Durante a atual guerra, uma série infindável de sítios arqueológicos já conhecidos e tesouros ainda não escavados estão ameaçados.

Registros de cinco mil anos - O território do Iraque está ancorado na memória cultural da humanidade como um dos mais importantes registros da Antiguidade. Ali encontram-se centenas de milhares de inscrições datadas dos últimos cinco mil anos.

"Provavelmente, há ainda um número ainda maior de tesouros históricos escondidos embaixo da terra e ainda desconhecidos dos especialistas", afirma Claus-Peter Hase, diretor do Instituto de Arte Islâmica de Berlim, em entrevista ao diário Frankfurter Rundschau.

Escavações relativamente recentes reafirmaram o papel primordial da Mesopotâmia na criação de formas de cultura urbana evoluídas. No norte do que é hoje o Iraque, por exemplo, fica a cidade de Samarra, onde está localizada a mesquita com o famoso minarete em forma de espiral, além de Nínive, onde se encontram as ruínas do império assírio.

No sul, fica Ur, a capital dos sumérios, cidade natal de Abraão, profeta cultuado por cristãos, muçulmanos e judeus. Os fundamentos da lendária Torre de Babel também encontram-se no território iraquiano.

Soldados instruídos - "Os bombardeios ameaçam principalmente edificações em Bagdá. Mesmo que eles não atinjam diretamente os monumentos, as ondas de pressão desencadeadas pelas bombas podem surtir efeitos neles", observa Bouchenaki. O Museu Nacional da capital iraquiana abriga objetos datados dos últimos 15 séculos.

A Unesco, que luta pela prevenção e proteção dos sítios arqueológicos, anuncia que já está mobilizando todas as suas forças para a restauração do que for destruído durante a guerra. "Os EUA têm uma lista de todos esses lugares e nos foi assegurado que os soldados seriam instruídos sobre isso", acentua Bouchenaki.

Mercado negro - Outro grande problema é o perigo de que parte da população venha a saquear museus regionais em busca de objetos de arte. "Nós já alertamos o Conselho Internacional dos Museus, a Interpol e marchands de todo o mundo para que combatam o comércio com a herança cultural roubada", completa o representante da Unesco.

Apesar disso, sabe-se que após a Guerra do Golfo de 1991 um grande número de objetos de arte vindos da região foi oferecido no mercado negro, como relevos assírios em calcário. Tendo em vista a miséria da população local, provocada, entre outros, pelas guerras que assolaram a região, certamente não será desta vez que a herança cultural virá a ser poupada.

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