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Alemanha

Meio século sem o "homem de ferro"

Enquanto parte da população russa ainda vê o mito Josef Stalin com um misto de desprezo e admiração, historiadores encontram cada vez mais provas das barbaridades do ditador.

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Josef Stalin faleceu a 5 de março de 1953

Um instituto de pesquisa, segundo noticia o diário alemão Süddeutsche Zeitung, realizou uma pesquisa de opinião com 1200 russos. Resultado: 50 anos após a morte de Josef Stalin (1879—1953), a sociedade se mostra tão dividida como nunca em relação a um dos ditadores mais cruéis do século 20. De acordo com a pesquisa, 36% dos russos acreditam que Stalin praticou um maior número de atos positivos do que negativos para o país; 29% condenam o ditador e 34% mantiveram-se indecisos frente à questão.

Também em algumas das exposições organizadas na Rússia em lembrança aos 50 anos da morte de Stalin, não são poucas aquelas que trataram de passar uma borracha nas barbaridades praticadas pelo "homem de ferro". Terror, repressão e violência, não mais que de repente, parecem ter sido apagados da memória coletiva. "O stalinismo vive. Mesmo 50 anos depois da morte do ditador soviético e pouco mais de uma década após a derrocada da por ele criada União Soviética", observa o historiador alemão Stefan Creuzberger.

Matando pelo coletivo — Stalin, quando morreu, a 5 de março de 1953, deixara para trás uma União Soviética de posse da bomba atômica e na posição de segunda maior potência mundial, apesar dos milhões de inocentes executados à queima roupa ou enviados para campos de trabalho forçado, entre outros, na longínqua e gélida Sibéria.

A Rússia dependente da agropecuária de pouco antes foi por ele industrializada à força e transformada em um império onde o coletivo tornou-se palavra de ordem, fazendo com que milhares de agricultores morressem literalmente de fome. Praticamente ao mesmo tempo, Stalin deu início a um processo brutal de industrialização, destruindo com isso as estruturas sociais de milhões de famílias. "A herança de Stalin pode ser notada hoje no comportamento das elites políticas russas, que cresceram nos tempos em que a URSS era superpotência mundial", analisa Creuzberger.

Letargia e medo do superior — As mãos de ferros de Stalin não estariam, no entanto, pesando até os dias de hoje somente sobre a forma como Moscou conduz sua política externa, mas também no próprio dia-a-dia da população. Segundo Creuzberger, um determinado tipo de mentalidade foi desenvolvido através da política stalinista: certas formas de comportamento letárgico, a rejeição em desempenhar determinadas funções sociais por respeito aos hierarquicamente superiores e a falta de iniciativa. "A herança stalinista foi, enfim, responsável pelo fracasso do experimento soviético em 1989—1990", resume o historiador.

Detalhes sobre a biografia de Josif Visarionovich Zugasvili, o nome real do geórgio criador do império soviético, têm vindo à tona desde então, principalmente através da abertura gradual do Arquivo Stalin ao público. Para Creuzberger, que trabalha no momento em uma biografia do ditador, com o acesso ao novo material chegou a hora dos chamados "revisionistas" se calarem, deixando de lado a defesa da teoria de um Stalin "suave". Segundo o historiador, "sabe-se agora, em função do acesso ao material de arquivo, que tais posições não são nem de longe aceitáveis".

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