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Alemanha

Meio ambiente é problema dos outros

Consciência ecológica dos jovens na União Européia diminuiu nos últimos cinco anos. Enquanto escolares de Portugal e Espanha se preocupam mais com os problemas do meio ambiente, tema perde importância para os alemães.

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Ecologia deixa de ser tema nas escolas

A indiferença com os problemas do meio ambiente aumentou de forma significativa nos últimos cinco anos entre os jovens de 10 a 17 anos nos 15 países da União Européia (UE). Enquanto na primeira avaliação, feita em 1996, 36% dos jovens se mostravam preocupados com a ecologia, agora são apenas 26%.

Ao mesmo tempo, diminuiu de 31% para 20% a porcentagem de jovens que temem a crescente destruição da natureza. O que surpreendeu neste campo foram as respostas dos portugueses: com 93%, são os mais preocupados com a depauperação do meio ambiente. Em seguida, aparecem os gregos (85%) e espanhóis (78%).

Esta seqüência de nacionalidades se repete no interesse por temas ecológicos. Enquanto 80% dos jovens portugueses responderam que se preocupam com o assunto, entre os gregos são 64% e os espanhóis 42%.

Pouco interesse dos jovens alemães

A surpresa foi a Alemanha, país reconhecido internacionalmente pela sua preocupação com o natureza. Uma legislação rígida, um imposto ecológico e a oferta cada vez maior de produtos orgânicos são exemplos deste pioneirismo. Já os jovens alemães que participaram do estudo destacaram-se pelo pouco interesse sobre o tema (16%), alegando que poucos temem a destruição do meio ambiente (49%, atrás, apenas, dos holandeses, com 30%).

A autora do estudo atribui este resultado à opinião pública e às escolas. "Por um lado, a proteção à natureza não é mais tão discutida abertamente. Por outro, o tema é cada vez menos enfocado em programas escolares", salienta Julia Fauth. Se há cinco anos, 45% dos questionados responderam que seus professores abordam o tema em sala de aula, hoje a média é de apenas 28%.

Acima desta média, ficaram as respostas dos jovens das nações do sul da União Européia, onde o assunto é abordado em sala de aula. Na opinião de Julia Fauth, um reflexo de que nestes países as conseqüências da destruição ambiental, maiores que nas nações do norte, estão sendo sentidas pelos jovens.

Despertar responsabillidade com criatividade

A coordenadora nacional do Projeto Escolas, da Unesco, destaca o tipo de enfoque dado nas escolas. "A educação ecológica não deve ser moralista. Ela deve combinar teoria e criatividade, sensibilizando os jovens para sua responsabilidade", explica Eva-Maria Hartmann.

Justamente estes países são os mais atrasados no que se refere à separação e reaproveitamento de lixo. Portugal aparece em último lugar, com 19%. Já a Alemanha e a Áustria são os países da UE onde os jovens mais participam da seleção do lixo (72%).

O estudo revelou ainda que o interesse pelo consumo aumenta cada vez mais, em detrimento da preocupação com a ecologia. Julia Fauth observou que os jovens europeus empurram a responsabilidade pela sua proteção, em primeira linha, à indústria (50%). Em segundo lugar, acham que se trata de um problema dos políticos (30%).

A preocupação com a economia de água e energia começa em casa e é diretamente proporcional ao consumo, aponta a responsável pela pesquisa. No último estudo, 33% cooperavam em casa com a proteção à natureza, atualmente são apenas 25%. "Os jovens nunca ouviram falar que, se consumirem menos, estarão poupando não só dinheiro, mas também o meio ambiente", salienta Julia Fauth.

O estudo foi realizado pela Universidade de Bonn, em parceria com a empresa de cartões de crédito Eurocard e a Unesco. Ele se baseou nas respostas de 11 mil jovens entre 10 e 17 anos de idade a 17 perguntas sobre os hábitos de consumo e o comportamento em relação ao meio ambiente.

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