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Mundo

Megaevento católico gera protestos

Grupo sem vínculo religioso planeja manifestações contra encontro de 800 mil jovens com o papa em Colônia. Polícia impede tentativa de incêndio criminoso em camping de participantes do evento.

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Papa Bento 16 é dinossauro para críticos da Igreja e da JMJ

Enquanto a Igreja Católica alemã acerta os últimos detalhes para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que acontece de 16 a 21 de agosto, um grupo sem vínculo religioso conclama a população a boicotar o evento, pede asilo para ateístas e quer criar uma "zona livre de religião" em Colônia, sede principal do encontro.

"Nosso comitê reúne representantes de várias organizações e pessoas físicas que querem se opor à JMJ", diz o porta-voz do grupo, Michael Schmidt Salomon. "O problema é que a mídia alemã, nos últimos dias, virou uma espécie de clone do Vaticano, embora na Alemanha existam mais pessoas sem confissão religiosa do que católicos", acrescenta.

Crítica ou blasfêmia?

Religionsfreie Zone

Protesto contra pietismo da Jornada Mundial da Juventude

Sob o slogan "zona livre de religião: festa de arrasar em vez de sofrimento infernal", o grupo pretende realizar um festival de protesto, com peças de teatro, filmes, música, palestras e outras atividades, como uma "festa de desistência da Igreja".

Para o dia 19, quando o papa estará na cidade, os críticos planejam uma "passeata da liberdade de pensamento" pelo centro de Colônia, inclusive com um carro alegórico idealizado por Jasques Tilly. A estrela do carnaval renano diz que não quer cometer blasfêmia, "mas uma sátira em relação à Igreja tem de ser permitida".

O grupo acusa a Igreja Católica como instituição de haver se distanciado do conteúdo da fé que prega e de ter apoiado regimes direitistas e até guerras. "Queremos prestar um serviço de esclarecimento aos jovens. Fazemos tudo isso para as pessoas que, na escola e nos meios de comunicação, nunca ouviram falar do apoio prestado pelo Vaticano ao fascismo", afirma o cineasta Peter Kleinert.

A Igreja , o Estado e o dinheiro

Um outro assunto que gera polêmica é o financiamento do megaevento. Embora o convite para o encontro tenha partido da Igreja e do papa, quem paga grande parte da conta é o contribuinte alemão, dizem os críticos.

Pessoas não ligadas a qualquer religião estariam sendo forçadas a co-financiar um "evento de propaganda eclesiástica. Com o custo estimado de 100 milhões de euros da JMJ seria possível pagar o seguro-desemprego de 23 mil pessoas durante um ano", argumenta Salomon, que pede uma separação estrita entre Estado e Igreja no país.

Organizadores rebatem ataques

O porta-voz da JMJ, Mathias Kopp, rebateu as críticas de que o encontro da juventude em Colônia, Bonn e Düsseldorf esteja sendo financiado só com recursos públicos. "Quarenta por cento dos custos são cobertos por taxas pagas pelos participantes cadastrados – 169 euros por pessoa. A Igreja Católica alemã entra com 30% (26 milhões de euros)".

Segundo Kopp, 15% dos recursos totais vêm dos cofres públicos: 1,5 milhão de euros da União Européia, 7,5 milhões governo alemão, 3 milhões do governo da Renânia do Norte-Vestfália, incluindo custos com policiamento, bombeiros, assistência médica e limpeza. A cidade de Colônia prometeu uma ajuda de dois milhões de euros. Os 15% restantes devem vir de patrocínios, merchandising e doações.

Em entrevista à DW-WORLD, Kopp lembrou que "o arcebispado de Colônia é o maior da Alemanha, com 2,2 milhões de católicos. A maioria da população da cidade, que tem 1,2 milhão de habitantes, vê positivamente o evento e está acostumada a conviver com grandes aglomerações humanas, como acontece no carnaval. O comércio e o turismo até esperam lucrar com a JMJ. E os moradores disponibilizaram cerca de 90 mil vagas particulares para alojamento de peregrinos".

Polícia impede incêndio criminoso

As críticas dos ateístas preocupam menos os organizadores da JMJ do que eventuais ataques de extremistas. Na madrugada de sexta-feira (12/08), a polícia conseguiu impedir em cima da hora um incêndio criminoso num acampamento em Volkenroda, na Turíngia, onde dois mil jovens de 20 nações se preparavam para participar da JMJ.

Três homens mascarados, de 15, 18 e 21 anos, foram detidos, quando tentavam invadir o acampamento, munidos de espingarda de pressão e coquetéis molotov. Um deles confessou a intenção de incendiar o camping. Em buscas realizadas nas casas dos três, a polícia apreendeu material publicitário de extrema direita.

Representantes da Igreja mostraram-se chocados com o incidente. "Isso mostra que as medidas de segurança adotadas para o encontro da juventude não são nenhum exagero", disse o secretário-geral da JMJ, Heiner Koch.

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