Medvedev: com a Alemanha, mas contra a expansão da Otan | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 05.06.2008
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Mundo

Medvedev: com a Alemanha, mas contra a expansão da Otan

Em Berlim, Medvedev diz que expansão da Otan pode comprometer radicalmente relações da Rússia com Ocidente, e sugere a criação de um novo pacto de segurança na Europa.

default

Merkel recebe Medvedev em Berlim

O presidente russo, Dimitri Medvedev, está convicto de que a continuada expansão da Otan para o Leste pode comprometer "de forma radical" as relações entre a Rússia e o Ocidente. Medvedev alertou que, com tentativas de expandir as fronteiras da aliança em direção à Rússia, "nossas relações serão minadas, comprometidas de uma forma radical por um longo tempo".

As declarações foram feitas nesta quinta-feira (05/06) em Berlim, palco da primeira visita oficial de Medvedev a um país europeu, desde sua posse, em maio. O sucessor de Vladimir Putin sugeriu a criação de um novo pacto de segurança na Europa para substituir tratados criados na Guerra Fria.

"Nas condições atuais, nas quais ninguém quer guerra na Europa e todos têm a experiência do século 20, tal acordo teria todas as chances de dar certo", disse ele. A perspectiva de ver a Otan – criada na Guerra Fria como um contraponto ao poderio da União Soviética – incorporar países que Moscou ainda vê em sua esfera de influência, irritou o governo nos últimos anos.

Gasoduto na ordem do dia

Deutschland Russland Dmitri Medwedew in Berlin Angela Merkel Pressekonferenz

Jornalistas se aglomeram na coletiva de imprensa

Na coletiva de imprensa concedida após as conversas com a chanceler federal alemã, Angela Merkel, Medvedev também se disse preocupado com o endurecimento das relações entre a Rússia e a Europa. Ele mostrou vontade de estreitar os laços com a União Européia, "principal parceiro comercial da Rússia", e fez campanha em prol do gasoduto que deve levar gás natural da Rússia para a Europa Ocidental – tendo a Alemanha como porta de entrada – a partir de 2011.

O presidente russo propôs um consórcio internacional para operar o controverso gasoduto planejado para ligar a Rússia à Europa Ocidental. O consórcio incluiria companhias russas, européias e de países que o gasoduto atravessasse.

Angela Merkel declarou apoio ao gasoduto. "Vou promover este projeto, que é do interesse de muitos países", declarou Merkel, acrescentando que lutaria para "superar todas as objeções". O projeto causa o furor em países como Ucrânia e Polônia, que vão perder lucrativas taxas cobradas pelo transporte feito por seus territórios, e é alvo de protestos de grupos ambientais.

Acordo UE-Rússia

Merkel pronunciou-se a favor da conclusão, o mais rápido possível, de negociações para estabelecer uma parceria entre a União Européia e a Rússia. As negociações, por muitas vezes adiadas, devem ter início num encontro na Sibéria no fim de junho, e terão acordos energéticos no topo da agenda, num momento em que cresce a dependência européia em relação ao petróleo e gás russos.

Deutschland Russland Dmitri Medwedew in Berlin Angela Merkel Pressekonferenz

Primeiro discurso de Medvedev na Europa

Medvedev se disse preocupado com um endurecimento da Europa perante a Rússia. "A tendência a um enfraquecimento na compreensão mútua nos preocupa, principalmente em questões de segurança global e européia", declarou.

O presidente mostrou irritação ao ser questionado pela prisão de Mikhail Khodorkovsky, um crítico do Kremlin e ex-magnata do petróleo. "Questões relacionadas ao cumprimento de sentenças não deveriam se tornar tema de negociações entre dois países." Khodorkovsky está preso desde 2005, quando foi condenado, durante o governo Putin, por fraude e sonegação de impostos.

Leia mais