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Economia

Medo freia economia alemã

Institutos de pesquisa econômica prevêem crescimento de apenas 0,9 a 1,5% do PIB para 2005. Situação dos 4,5 milhões de desempregados continua sombria. Quem tem emprego economiza, esfriando o consumo interno.

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Desempregada à procura de vaga

"A economia mundial registra o maior crescimento dos últimos 28 anos, enquanto a alemã anda a passo de tartaruga. Há uma década a Alemanha enfrenta uma crise econômica que a desconectou do mundo. De 1995 a 2004, foi o país que menos cresceu na Europa Central e Ocidental."

Esta análise do diretor do Instituto de Pesquisas Econômicas de Munique (Ifo), Hans Werner Sinn, reflete o tom geral dos prognósticos conjunturais divulgados esta semana. As previsões para 2005 não são nada otimistas, como mostram dois números-chave: o PIB deve crescer, no máximo, entre 0,9 e 1,5%; e cerca de 4,5 milhões de trabalhadores (10,3% da população economicamente ativa) continuarão desempregados.

Os prognósticos dos principais institutos de pesquisas econômicas do país (Ifo de Munique, HWWA de Hamburgo, RWI de Essen, IfW de Kiel e IWH de Halle) baseiam-se numa ladainha de explicações que parecem prenunciar o final dos tempos, mas ao mesmo tempo se tornam monótonas, de tanto serem repetidas:

  • o aumento das exportações (10% em 2004) não gera novos empregos nem compensa a retração do mercado interno
  • as reformas implementadas pelo governo não melhoram a situação do mercado de trabalho
  • os salários e as contribuições sociais são altos demais e provocam a transferência de empresas para os paraísos da mão-de-obra barata do Leste Europeu e da Ásia
  • o euro supervalorizado e os altos preços do petróleo ameaçam a tímida recuperação econômica
  • a economia sofre sob o peso dos 85 bilhões de euros transferidos anualmente do Oeste para o Leste alemão
  • os cofres públicos estão tão endividados que não têm dinheiro para novos investimentos
  • o excesso de burocracia inibe a criatividade dos alemães.

    Para evitar reações de pânico, as "fábricas de estatísticas" sempre condimentam o ceticismo evidente nos números com pitadas do otimismo propagado pelo governo. A maioria dos analistas vê pelo menos uma única luz no fim do túnel: o provável aquecimento do consumo interno no ano que vem.

    O Instituto de Pesquisas do Mercado de Trabalho, por exemplo, projeta para 2005 o número de 4,37 milhões de desempregados (15 mil a menos que em 2004). Isso "se a economia crescer 1,75%". Enquanto isso, o Deutsche Bank vê até 4,6 milhões de pessoas sem postos de trabalho no ano que vem.

    Clima de incerteza

    No início do ano, o ministro da Economia, Wolfgang Clement, estava convicto de que a grande retomada econômica havia chegado e que a taxa de desemprego iria cair. Na realidade, ocorreu o contrário: a média anual de 4,39 milhões de desempregados superou em cerca de 10 mil a de 2003. De janeiro a dezembro deste ano, o número de desocupados aumentou em 196 mil.

    Por mais que diversifiquem e corrijam suas projeções, um fator psicológico parece embaralhar os cálculos dos economistas: é o medo, alimentado em parte até pelas previsões pessimistas. "Os trabalhadores estão com medo de perder o emprego e o clima de incerteza é generalizado. O medo se alastra e inibe as pessoas de comprarem bens de consumo duráveis. Em vez de arregaçar as mangas, muitos andam cabisbaixos. E isso é veneno para a conjuntura", diz Hans Werner Sinn, do Ifo.

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