Medo da inflação é grande na Europa | Notícias e análises sobre a economia brasileira e mundial | DW | 04.07.2008
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Economia

Medo da inflação é grande na Europa

As taxas de juros da UE acabam de ser elevadas. Porém a espiral inflacionária é de ordem mundial. Alta de gêneros de primeira necessidade afeta sobretudo os consumidores. Berlim declara-se incapaz de conter a inflação.

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Poder de compra do euro diminui

Batatas fritas são uma especialidade culinária belga tradicionalmente simples e barata, mas que a inflação vem tornando intragável. Em Bruxelas não se compra uma porção de frieten abaixo de dois euros, 0,30 euro a mais do que há poucos meses, enquanto um litro de leite já custa 1,57 euro. Os preços de gêneros alimentícios na Bélgica dispararam desde o ano passado e não param de subir.

Com 5,8%, o país apresenta o segundo maior índice de inflação da Europa, superado apenas pelo da Eslovênia. Em reação, os consumidores belgas reclamam e vão às ruas: em meados de junho, dezenas de milhares protestaram na capital e em Louvain contra a explosão do custo de vida. No entanto, deveriam se dar por felizes, já que os salários no país estão acoplados à inflação.

O fantasma da "stagflação"

Esta forma de compensação, por outro lado, pode se tornar um problema para a economia européia, cujo crescimento atualmente já é mínimo. Especialistas advertem contra o pior perigo possível: a "stagflação", espiral de preços que cresce sem parar, acompanhada pela redução do poder econômico. O consumidor é quem mais sofre, já que os produtos mais atingidos são também os mais consumidos: leite, pão, gasolina, gás e eletricidade.

Os campeões europeus da inflação são os países bálticos. Na Letônia, os preços subiram 17,9% no prazo de um ano. O motivo é que os salários foram elevados na mesma medida que a economia báltica floresceu. Contudo os índices elevados estão presentes em toda a União Européia, da Finlândia ao Chipre, da Bulgária à Espanha.

Nas quatro maiores economias do bloco – Alemanha, França, Itália e Reino Unido – a inflação se manteve abaixo da média européia de 4%. O que não constitui motivo para orgulho, já que também estes países bateram recordes inflacionários estabelecidos há vários anos.

Modelo holandês ameaçado

A única exceção na UE é a Holanda, cujo índice de inflação é de 2,1%, portanto apenas levemente superior à meta estabelecida pelo Banco Central Europeu.

Economistas atribuem o fato ao chamado "modelo polder", o consenso entre sindicatos e patrões que resulta em acordos salariais bastante baixos, nos últimos anos (a palavra holandesa polder designa a terra que se conquista do mar, através de trabalho). Além disso, a concorrência entre os supermercados é ferrenha, para a alegria dos consumidores.

Porém nem mesmo o aluno-modelo da Europa está fora de perigo. A economia holandesa precisa urgentemente de mão-de-obra especializada. E a concorrência pelos melhores trabalhadores poderá impulsionar os salários e fazer explodir a espiral inflacionária também na Holanda.

Berlim de mãos atadas

Segundo uma pesquisa de opinião realizada pelo canal de TV ARD, 85% da população da Alemanha tem medo da inflação. Quase dois terços dos entrevistados temem que, devido à enorme alta dos preços, no futuro o dinheiro de que dispõem não baste mais para se manterem.

Ao mesmo tempo, a metade não sabe mais onde poderia poupar. Como forma de reduzir despesas, 59% já economizam no uso do automóvel, 46% em alimentos, 31% em eletricidade, 30% em vestuário e 24% nos gastos com viagens de férias.

Apesar desses temores, o governo alemão alega não dispor de meios para conter a onda inflacionária. Como declarou um porta-voz nesta sexta-feira (04/07) em Berlim, medidas de política orçamentária ou tributária em âmbito nacional nada podem contra as tendências dos mercados internacionais.

A meta de Berlim é a estabilidade da política de finanças, prosseguiu o porta-voz, acrescentando que a espiral inflacionária mundial será tema do encontro do G8 na próxima semana no Japão.

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