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Cultura

Mediengruppe Telekommander: toda a força de uma cultura

Em 2004, após diversas demos e dois bem-sucedidos EPs, o duo Mediengruppe Telekommander lançou seu disco de estréia por uma grande gravadora. Desde então, a atenção é grande. A DW-WORLD falou com eles sobre o novo disco.

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Gerald Mandl e Florian Zwietnig: contra o excesso de informação

Gerald Mandl e Florian Zwietnig se encontraram no começo de 2002 e, no final do mesmo ano, apenas algumas demos depois, lançaram seu primeiro EP pelo selo independente Enduro, de Hamburgo. Os boatos de que suas apresentações ao vivo causavam furor na platéia logo se espalharam.

A imprensa reagiu com pressa e uma primeira turnê começou a tomar forma. Em setembro de 2003, veio o segundo EP. O estouro saiu através de um videoclipe de baixo orçamento para "Telekommanda", um marco do electro-punk alemão. Na época, o vídeo foi transmitido freqüentemente no programa Fast Forward do canal Viva 2, que, antes de ser comprado pela concorrente MTV, ainda mantinha uma programação de primeira classe.

Os dois então se mudaram para Berlim e, após tanta atenção dispensada, assinaram um contrato com a gravadora Mute, pela qual lançaram o álbum de estréia Die ganze Kraft einer Kultur (Toda a força de uma cultura) em maio de 2004.


No novo álbum, que já não é mais tão cru e alto quanto o primeiro, a mistura de estilos é evidente: guitarras, broken beats, sintetizadores e muito hip hop. A Deutsche Welle falou com os dois sobre a música alemã, mudanças na cultura musical e na indústria fonográfica, suas influências musicais e as possibilidades da música underground.

DW-WORLD: O que significa o nome da banda?

Gerald: Em italiano, telecommando significa controle remoto. Achamos que esse seria um nome legal para um projeto de música eletrônica. Em algum momento, decidimos ampliar o nome para mostrar que não é só a música que importa para nós, mas todo o conceito, do som até o design gráfico e o site.

Como é o processo de composição de vocês?

Florian: A gente faz tudo junto. Um de nós aparece com uma idéia para uma música – seja só um loop ou a primeira estrofe ou um refrão. Aí a gente desenvolve em dupla. Os textos nós também escrevemos juntos. Para nós não existe uma divisão no sentido de que um faz a música e o outro os textos.

Geralmente surgem primeiro os textos ou as músicas?

Florian: Isso varia. No primeiro álbum, foi demais. A parede inteira do estúdio estava lotada de textos colados. E muitas vezes a gente tinha um texto pronto, mas a música não saía, ou tínhamos trechos separados que não conseguíamos juntar, ou músicas sem letra. Mas no fim tudo se encaixou.

Como é no palco? Vocês tocam ao vivo ou investem toda a energia na performance?

Florian: Na verdade, é uma mistura dos dois. A princípio, o Gerald toca baixo, eu toco guitarra e nós dois cantamos. Todo o resto – batidas, sintetizadores etc – fica a cargo do computador. Mas tem músicas que seguem uma linha mais hip hop, por exemplo, nas quais a gente só canta, enquanto há outras que exigem mais música ao vivo.

Vocês improvisam no palco?

Gerald: O show tende a ser mais estático.

Florian: Nós improvisamos em músicas mais intrumentais. Mas, de regra, tendemos a ser mais estáticos. Embora a gente queira mudar isso um pouco no futuro. O problema é que os softwares atuais não permitem tanta liberdade. Agora é que estão saindo uns programas mais novos, com os quais dá para ser mais flexível.

Esse é um dos preconceitos em relação à música eletrônica: que as bandas não tocam "de verdade". No caso de vocês, a performance é quase mais importante. O que importa no palco?

Ambos: A energia.

Florian: Por outro lado, é isso que as pessoas acham tão bom na música eletrônica. O mais importante é a energia que surge quanto estamos tocando e não o fato de sermos ou não músicos virtuosos. Para nós, o que pesa é se o público está se divertindo e a atmosfera na platéia.

Mediengruppe Telekommander Gerald Mandl und Florian Zwietnig konzert - kastanie berlin (19.10.2002

Ao vivo em Berlim: performances causaram furor

Até que ponto o público é um critério na hora de compor?

Florian: Até o momento em que pensamos: hei, esse vai ser o trecho em que o público vai ter que cantar junto. Tem música que simplesmente não funciona ao vivo se o público não cantar e gritar junto. Nossa música é muito interativa.

Gerald: A gente compõe pensando no show. Isso, para a gente, é muito mais importante que a produção.

Ou seja, que a música soe verdadeira, e não polida demais pela produção?

Gerald: Exato, que soe verdadeira e crua.

Mas o novo disco saiu mais limpo, exatamente melhor produzido.

Gerald: É, desta vez nos ocupamos um pouco mais com a produção. Gravamos primeiro com bateria acústica, depois cortamos e mixamos com elementos eletrônicos. Queríamos um pouco mais de dinâmica e profundidade no som. O primeiro álbum foi extremamente alto e sempre no limite. O novo é mais dinâmico.

O primeiro era realmente mais cru e isso era algo que identificava vocês. Não que o tom de protesto não esteja presente no segundo, mas ele soa mais polido.

Florian: A gente quis assim. Não queríamos ficar parados no mesmo lugar, gravar um segundo álbum que soasse exatamente igual ao primeiro, mas dar musicalmente um passo à frente. Foi um desenvolvimento lógico. Queríamos aprofundar nosso som.

Vocês planejam lançar um álbum de remixes?

Florian (rindo): Siiiiim, estamos com muitas idéias. Mas todas de difícil realização. Mas vontade não falta.

Não dá para saber onde pára o protesto e começa a diversão na música de vocês. Isso é proposital?

Gerald: Isso é ótimo.

Florian: Não queríamos que nossa música fosse embrulhada em uma atitude punk tradicional. Nossa intenção não era repetir certas fórmulas manjadas, que sejam claramente contra alguma coisa em particular. Do tipo, nós estamos aqui e do outro lado está tudo aquilo que criticamos. Queríamos manter uma certa ironia, para que a gente possa se sentir parte do todo, sem levar a si mesmo muito a sério, como o punk geralmente faz.

Mas a música de vocês tem pouco dessa atitude punk e muito mais de um tipo de protesto mais divetido, típico de bandas de hip hop.

Gerald: Esse é o punk de hoje.

Florian: Nós ouvimos muito hip hop e acabou surgindo essa mistura especial.

Saiba na próxima página o que o Mediengruppe Telekommander acha sobre o conceito de underground, o hábito de baixar música pela internet e as consequências para a cultura musical.

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