McCain: respeitado pela experiência, criticado pela idade | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 21.09.2008
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Mundo

McCain: respeitado pela experiência, criticado pela idade

Um azarão conseguiu se impor como candidato dos republicanos à presidência dos Estados Unidos. Crítico de primeira hora da estratégia de Bush para o Iraque, John McCain é visto como liberal demais dentro de seu partido.

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Críticas em relação à sua idade aumentam, mas McCain brinca: 'Sou mais velho que o pó'

Até os democratas demonstram respeito ao falar do candidato republicano John McCain. "Ele vestiu o fardamento com bravura e honra, por isso devemos a ele gratidão e respeito", acentuou o candidato democrata Barack Obama. O candidato a vice-presidente de Obama, Joe Biden, se referiu a McCain como um "amigo de longa data". E também a senadora Hillary Clinton o classificou como "um bom amigo, que eu considero". McCain é um velho lobo da política americana – admirado, temido e, também por causa do seu humor peculiar, reverenciado.

Piadas sobre a idade

Aos 72 anos de idade, o senador McCain personifica uma boa parte da história contemporânea. No início da campanha eleitoral, ele ainda podia fazer piadas sobre sua idade. "Sou mais velho que o pó e tenho mais cicatrizes que Frankenstein", comentou. Caso vença as eleições de 4 de novembro, será o presidente mais velho a tomar posse em 220 anos de história da democracia dos Estados Unidos.

Präsidentschaftskandidat McCain und Vize Palin

John McCain e Sarah Palin compõem a chapa republicana à presidência dos EUA

Nas pesquisas, o único adjetivo do qual os entrevistados se lembram ao falar de McCain é velho. Agora que as vozes críticas sobre a sua idade se multiplicam, ele enfatiza cada vez mais sua condição física. "Eu posso vencer qualquer um na campanha eleitoral – ela me dá novas forças", assegura.

A campanha interna pela indicação do candidato dos republicanos, no início do ano, deu razão a McCain. Mesmo sendo considerado um azarão na corrida, ele deixou todos os concorrentes para trás e assegurou sua candidatura. Foi oficializado candidato dos republicanos à presidência dos Estados Unidos na convenção de St. Paul, em Minnesota.

Família de militares

No próximo dia 4 de novembro, ele enfrentará nas urnas um adversário 25 anos mais novo. A tarefa, considerada difícil por muitos analistas políticos, começa a se tornar viável. Pesquisas recentes mostram McCain poucos pontos percentuais atrás do candidato democrata. Há dois ou três meses, poucas pessoas em Washington teriam dado a ele chances tão claras de vencer a eleição.

McCain nasceu numa antiga família de militares da Marinha. Tanto seu pai como seu avô foram almirantes. Em 1967, ele era aviador da marinha quando foi abatido na Guerra do Vietnã. Passou cinco anos preso em Hanói. Foi torturado, o que deixou seqüelas permanentes no seu corpo. Recusou uma oferta de soltura pelos comunistas por que ela seria contrária ao código de honra da Marinha. Este determina que prisioneiros de guerra sejam libertados na mesma ordem em que foram presos. Em 1973, retornou aos Estados Unidos condecorado como herói de guerra.

A política em Washington ele conheceu nos anos 1970, na condição de representante da Marinha no Senado. Deixou as Forças Armadas em 1981, na mesma época em que o seu casamento terminou. Um mês após a separação, McCain casou-se de novo, com Cindy Hensley, filha de um empresário cervejeiro de Phoenix, e mudou-se para o Arizona, estado pelo qual se elegeu deputado em 1982. Após duas legislaturas, foi eleito senador. Hoje está no seu quarto mandato legislativo.

Cindy McCain geht mit auf Wahlkampftour

John McCain em campanha, ao lado da esposa, Cindy

Derrotado por Bush

McCain já havia postulado a candidatura presidencial pelos republicanos em 2000, quando perdeu para George W. Bush. O amplo espectro ideológico de seus eleitores fez com que críticos do próprio partido o acusassem de ser um liberal disfarçado. McCain foi um ferrenho crítico de primeira hora da maneira como Bush conduziu a Guerra no Iraque, mas não foi contra a guerra. Hoje ele apóia o presidente contra as exigências de retirada das tropas.

Na campanha eleitoral, McCain investe na sua experiência política. "Eu estou preparado [para ocupar a presidência]. Estou pronto para o trabalho. Não preciso de treinamento", disse o senador durante a apresentação oficial da sua candidatura ao Partido Republicano, em abril passado.

O "falcão" liberal demais

Em relação à política externa, McCain é considerado um "falcão", que quer enfrentar com dureza, eficiência e meios militares tanto os adversários dos Estados Unidos como as ditaduras existentes no mundo. Para ele, o "desafio do século 21" é o extremismo islâmico. É a favor da campanha no Iraque de um modo geral, mas critica a estratégia de Bush desde o início. Em 2007, Bush ouviu as exigências de McCain e reforçou as tropas no Iraque, o que tornou a situação no país relativamente mais calma.

Para muitos republicanos, McCain é um teimoso inconveniente e liberal demais. Ele defende, por exemplo, uma integração cautelosa dos imigrantes ilegais. Ele também conseguiu fazer valer uma lei contra a tortura. O humor e a espontaneidade de McCain são famosos, mas também é fato que ele tem um gênio irascível.

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