1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Cultura

Max Ernst ganha museu em sua cidade natal

Um novo museu inaugurado em Brühl, na Renânia do Norte-Vestfália, reúne obras do pintor e escultor Max Ernst, encerrando mais um capítulo na difícil relação do mestre surrealista com sua cidade natal.

default

Escultura 'O rei brinca com a rainha', de 1944: uma das 300 obras expostas

Um dos grandes artistas do surrealismo está de volta para casa. As obras de Max Ernst, dignas de paredes dos mais renomados museus do mundo, têm agora o espaço que merecem em sua cidade natal, a pequena Brühl, no Estado da Renânia do Norte-Vestfália.

Köhler eröffnet Max Ernst Museum

Presidente Köhler e sua mulher Eva apreciam a escultura 'Seraphin le Neophyte', de 1967

Mas o caminho até a inauguração do novo museu neste sábado (03/09) – que contou com a participação do presidente alemão, Horst Köhler – foi tortuoso e cheio de incidentes, tal qual a própria relação do artista com sua cidade.

Profeta fora de casa

A tensão entre Max Ernst e Brühl chegou a seu clímax décadas atrás, quando o artista recusou o título de cidadão honorário, aborrecido pelo fato de a cidade haver vendido um dos quadros que havia doado para cobrir o déficit deixado por uma exposição.

Afinal, não foi nestas paragens provinciais da Alemanha que Max Ernst conquistou sua fama internacional, mas sim em Paris, como era comum na época a um surrealista que se prezasse. Foi junto a outros entusiastas do movimento encabeçado por André Breton que ele se deixou contagiar pela febre de querer enxergar além da realidade: essa outra realidade que se concretizou na arte. Mas isso era uma dose de "mundo interior" maior do que a Brühl daqueles anos podia suportar.

A coleção de Brühl

Sobressaltos semelhantes atropelaram a concretização do projeto do novo museu. De um lado, alguns descendentes do pintor reclamaram não haver sido devidamente consultados, nem envolvidos nos planos. Por outro, discussões internas acabaram causando a demissão da diretora do museu, que até hoje não foi substituída, atrasando a abertura em quatro meses.

Max Ernst Museum in Brühl bei Köln

Construção do museu levou cerca de dois anos e meio e custou 14 milhões de euros

Agora, finalmente Brühl conta com um museu à altura do mais famoso de seus filhos. Lá estão reunidas 60 esculturas e quase a totalidade das obras gráficas do pintor, com destaque para a série de quadros que Ernst pintou para presentear a esposa, Dorothea Tanning. Trata-se de 36 obras conhecidas como D-paintings, por serem marcadas com a inicial D de seu nome.

A coleção também inclui ilustrações de textos surrealistas de Breton e Paul Eluard, além do imponente óleo Noite na Renânia (La nuit rhénane), pintado em 1944, quando vivia nos Estados Unidos, ao inteirar-se dos bombardeios que devastaram a cidade de Colônia durante a Segunda Guerra Mundial.

Seu lugar na história

Max Ernst Museum eröffnet

Cerimônia de inauguração foi no sábado, 3 de setembro

Para expor as obras, Brühl ganhou uma nova pérola da arte moderna. O novo museu foi instalado nas duas asas que restaram de um antigo castelo classicista do século 19 e que, desde a Primeira Guerra Mundial, já exerceu diversas funções, tendo abrigado um asilo até 1990. No meio do novo prédio, concebido em forma de U, o arquiteto Van der Valentyn posicionou um enorme cubo de vidro que leva ao subsolo.

No interior, a concepção da mostra ficou por conta de Werner Spies, grande conhecedor do surrealismo e amigo pessoal de Max Ernst. "Alguns perguntam por que só agora, 30 anos depois de sua morte", conta Spies. "Eu acho isso maravilhoso, pois traz consigo a certeza. Apenas depois de 30 anos, passadas uma, duas gerações, é que sabemos o que realmente pertence à história, do que precisamos para poder construí-la. E Max Ernst pertence às personagens essenciais de que necessitamos para escrever e expor a história intelectual e cultural do século 20."

Leia mais