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Cultura

Marionetes do nazismo

Escravos do nazismo também trabalharam em teatros e óperas da Alemanha. Mão-de-obra era explorada por trás dos bastidores e em cima do palcos.

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Rolf Bolwin, diretor da Associação dos Teatros alemães

Literalmente como marionetes do nazismo, mais de uma centena de pessoas foram submetidas ao trabalho escravo nos teatros e óperas da Alemanha. A primeira confirmação da exploração de mão-de-obra nos bastidores e palcos das casas de espetáculos alemãs foi divulgada nesta quarta-feira (23) pelo diretor da Associação dos Teatros alemães, Rolf Bolwin. Com a descoberta, é possível dimensionar a exploração do trabalho forçado pelos nazistas na época, abrangendo praticamente todos os setores.

No mínimo, 173 pessoas foram exploradas pelo regime nazista nos 150 teatros do país. A maioria delas trabalhavam nos bastidores dos eventos como ajudantes, técnicos, cabeleireiros e pintores, além de atuarem no setor de transporte de objetos.

Em alguns casos, os escravos entravam em cena como atores e dançarinos, seguindo à risca o "script" nazista. Segundo Bolwin, cerca de 10 a 25 pessoas eram forçadas a trabalhar em cada teatro e ópera alemã.

Clemens von Looz-Corswarem, diretor do Arquivo de Düsseldorf e especialista em assuntos relacionados ao nazismo, acredita que ainda serão descobertos novos casos de pessoas envolvidas com o trabalho escravo nos teatros alemães. Segundo ele, grande parte destes registros pode estar em arquivos públicos, como o do Serviço de Busca Internacional da Cruz Vermelha.

Suspeitas – O primeiro indício do envolvimento de trabalho forçado nos teatros e óperas alemãs foi encontrado em um arquivo da Ópera Municipal de Düsseldorf. Clemens von Looz-Corswaren encontrou um documento que registrava a presença de 16 escravos na ópera, em 1944, sendo que franceses e outros "ocidentais" eram responsáveis pela sua vigilância.

A partir de então, iniciou-se uma pesquisa em 150 teatros e óperas da Alemanha, para delinear a abrangência da exploração nazista nestes setores, bem como as condições em que estavam submetidas as pessoas responsáveis pela execução desses trabalhos. Os números apresentados nesta quarta-feira revelam os primeiros resultados dessa pesquisa, que já envolveu 137 teatros.

Saindo dos bastidores – Segundo Clemens von Looz-Corswaren, "pelo menos até 1944, os mais importantes teatros da Alemanha fingiram estar funcionando normalmente, dispondo de mão-de-obra barata". Estes serviam para distrair a população das ações terroristas dos nazistas e também convencê-la de suas necessidades.

Na opinião de Rolf Bolwin, o papel do teatro nesse capítulo da história alemã não deve ser esquecido. Porém, em momento algum, os representantes dos teatros alemães tratam da indenização dos explorados. Menciona-se apenas que os teatros já colaboraram com os escravos do nazismo por meios estatais. Dessa forma, como eles mesmos definem, a pesquisa não é nada mais do que "um importante trabalho de lembrança".