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Mundo

Marine Le Pen embala velha ideologia nacionalista num perfil moderno

Na França, a Frente Nacional lança-se à campanha presidencial com Marine Le Pen. Sucessora do pai, ela tenta dar um tom moderno ao partido, mas o discurso segue xenófobo, nacionalista e antieuropeu.

O historiador Etienne François, da Universidade Livre de Berlim, é irônico quando questionado a respeito da diferença entre a francesa Frente Nacional e outros partidos de extrema direita na Europa. "Em nenhum outro país europeu, um partido populista de direita tem tantos simpatizantes quanto na França", diz o historiador. "Infelizmente."

No próximo 22 de abril, aproximadamente 15% dos eleitores franceses deverão votar na Frente Nacional, de acordo com as pesquisas. O partido registra percentuais nesse nível no primeiro turno das eleições desde o final dos anos 1980. Do segundo turno, a Frente Nacional só participou uma vez, em 2002.

A figura dominante do populismo de direita na França foi por muito tempo Jean-Marie Le Pen, que fundou a Frente Nacional há 40 anos e se tornou conhecido por suas inúmeras declarações racistas e antissemitas.

"Moderados e modernos"

Marie Le Pen assumiu a liderança do partido em janeiro de 2011. A advogada de 43 anos é a mais nova das três filhas de Jean-Marie. Em termos de conteúdo, ela é um pouco mais flexível que o pai, analisa o pesquisador Florian Hartleb, do Centro de Estudos Europeus em Bruxelas e especialista em populismo, partidos políticos e extremismo na União Europeia.

Segundo Hartleb, Marine Le Pen tenta modernizar o partido e conduzi-lo por um caminho mais moderado. Mas o ceticismo em relação ao euro, o nacionalismo e a defesa da soberania francesa continuam ancorados na plataforma política da Frente Nacional. Tirar a França da zona do euro e também da Otan são metas de Marine Le Pen. Outro tema central é a xenofobia: a Frente Nacional continua lutando contra uma suposta "infiltração" de imigrantes muçulmanos na França.

Mesmas posições fundamentais

"Trata-se de um partido de protesto", resume Etienne François. Segundo ele, as posições centrais continuam as mesmas, mesmo que Marine Le Pen tente evitar declarações de teor racista ou antissemita. "Ela se autoestiliza como defensora do laicismo, ou seja, da separação entre a Igreja e o Estado, e também dos valores da República Francesa, além de protetora dos mais fracos contra os chefões de cima", descreve o historiador.

O tom de sua campanha eleitoral continua, contudo, o de sempre: ela lançou, por exemplo, uma campanha contra carne de animais que sejam abatidos segundo os rituais islâmicos, alegando respeito aos valores da República e aos desejos do povo francês.

Mas, no fundo, ela dissemina, através de vídeos veiculados por seu site, o medo de hábitos supostamente nocivos ligados à fé muçulmana. "Como ficam aqueles que consomem carne halal [abatida segundo os preceitos islâmicos] sem saber disso?", questiona Le Pen, aparentemente preocupada com a saúde dos consumidores.

"O consumidor paga um tributo à fé islâmica ao comer carne halal. Onde ficam as regras da República? Por que as autoridades não fazem nada contra isso? Como tanto os partidos de direita quanto os de esquerda podem negar esse escândalo?", questiona a política.

Eleitores de todas as classes sociais

Com isso, Marine Le Pen atinge todas as classes sociais e não apenas os empobrecidos e frustrados, mas também trabalhadores e funcionários. Segundo Hartleb, é típico desses partidos terem eleitores também entre as pessoas da classe média que nutrem certos ressentimentos contra os imigrantes ou têm medo de perder seu status social.

Já François detecta que, cada vez mais, pessoas de melhor nível educacional passam a considerar o partido aceitável. O presidente Nicolas Sarkozy tenta abocanhar votos justamente nesse grupo, abordando temas semelhantes aos de Le Pen. O tema do "abate halal" foi prontamente abordado por Sarkozy, bem como as questões ligadas à imigração. "Se, dentro de um ano, não houver progressos sérios em prol da proteção das fronteiras externas da União Europeia, a França irá suspender sua participação no Acordo de Schengen [que garante a livre circulação de pessoas na União Europeia]", declarou o presidente num comício recente.

"Ele aposta agora no nacionalismo", observa Hartleb. Se Marine Le Pen, segundo todas as previsões, estiver mesmo fora do páreo depois do primeiro turno, a ser realizado em 22 de abril próximo, muitos de seus eleitores vão se voltar para Sarkozy, afirmam observadores.

E caso Sarkozy perca as eleições para seu adversário socialista, François Hollande, os conservadores poderão ser tentados, nas eleições parlamentares de junho, a selar acordos com a Frente Nacional, observa François. Isso pode tornar os extremistas de direita ainda mais socialmente aceitáveis na França.

Autora: Daphne Grathwohl (sv)
Revisão: Francis França

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