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Alemanha

Marchas de Páscoa: uma tradição pacifista sobrevive

Este ano estão anunciadas mais de 70 passeatas de Páscoa em nome da paz, na Alemanha. O movimento antibélico está bem mais modesto que em 1980. Porém, ainda longe da extinção.

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Ativistas da paz em Frankfurt

"'Não' à guerra contra o Irã", "Não queremos que a Alemanha participe mais de guerras!", dizem os cartazes já preparados, em letras garrafais.

O objeto das já tradicionais "marchas de Páscoa" na Alemanha é nada menos do que a paz mundial. As primeiras datam da década de 1960. Porém, foi nos anos 80 que as passeatas e protestos nessa data do calendário religioso atingiram o auge, graças ao temor generalizado de uma terceira guerra mundial.

No outono de 1983, centenas de milhares protestavam contra a corrida nuclear, em frente ao Castelo de Bonn, o chamado Hofgarten. Manfred Stenner, diretor executivo da Netzwerk Friedenskooperative, lembra como estava atarefado, nesse dia. Ele evoca a sensação de felicidade, quando a manifestação chegou ao fim, a certeza de haver contribuído para que ela tivesse sucesso.

Uma vida (em vão?) pela paz

Stenner tem 52 anos e é totalmente convicto de sua atividade em nome da paz, que exerce em tempo integral. Ele e seus colegas informam sobre as iniciativas das numerosas organizações antibélicas da Alemanha, reúnem dados e propiciam contatos.

Na qualidade de chefe administrativo, uma de suas funções é cuidar da contabilidade, pois tudo se financia através de doações e da venda de uma revista. Por esse trabalho Stenner recebe 800 euros por mês.

Por um lado, ele tem o poder de organizar uma passeata com 200 mil ou mais manifestantes, por outro: "Segundo todos os critérios vigentes joguei minha vida fora, pois, realmente, o que tenho é uma espécie de emprego de fome, onde me auto-exploro".

Altos e baixos

Não há como negar: da década de 80 para cá, o movimento antibélico alemão está bem mais aplacado. No centro de Bonn, por exemplo, já não arde mais a velha chama pacifista. "Não participo, embora concorde com o movimento", diz um dos passantes. Ou: "Marchar por tradição não faz mais sentido".

Marchar na Páscoa pela paz parece mesmo não eletrizar mais ninguém na Alemanha. Porém, enquanto alguns jornalistas zombam das magras fileiras de manifestantes pascais, Stenner sorri. Ele sabe que o tempo dos movimentos pacifistas está voltando. No que é corroborado por Christoph Butterwegge, da Universidade de Colônia.

Segundo o politólogo, é normal ocorrerem flutuações nesse tipo de movimentos, profundamente arraigados na sociedade: "As pessoas têm outras coisas a fazer, precisam tomar conta da família, cuidar para que não fiquem desempregadas. Não podem estar sempre a serviço da paz".

Cansado, porém não extinto

Nos anos 60, quem se manifestava contra o armamento atômico na Alemanha eram sobretudo grupos isolados, cristãos ou pacifistas, e por motivos morais, analisa Butterwegge. Em 1980, o medo de uma guerra nuclear já levava centenas de milhares às ruas. Afinal, as duas Alemanhas se encontravam justamente na fronteira entre o Ocidente capitalista e o Leste comunista.

Seu argumento parece eloqüente: o movimento antibélico só se fortalece realmente na Alemanha, quando as pessoas se sentem ameaçadas em sua segurança. No início da guerra contra o Iraque, em 2003, o movimento voltou a receber um grande impulso, com meio milhão de manifestantes, somente em Berlim.

Este ano a preocupação é quanto a uma possível guerra contra o Irã. E assim, o pacifismo está longe de se tornar obsoleto. Nesta Páscoa foram anunciados mais de 70 protestos – mais do que em qualquer outra parte da Europa. Uma estatística importante, ainda que o número de participantes não passe de algumas centenas.

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