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Cultura

Marcelo Camelo faz um "mergulho no desconhecido" em Berlim

Um dos maiores talentos da nova música popular brasileira, o ex-líder dos Los Hermanos apresenta em Berlim o show "Voz e Violão", no qual volta às raízes de suas composições.

Ninguém melhor do que Marcelo Camelo para representar em Berlim uma das mais importantes vozes da nova música brasileira. Cantor e compositor, suas músicas alcançaram o sucesso e foram gravadas por grandes nomes como Maria Rita, Erasmo Carlos e Roberta Sá.

Camelo alcançou a fama como líder do Los Hermanos, uma das mais cultuadas bandas brasileiras das últimas décadas. O grupo chegou ao topo de maneira meteórica com o hit Anna Julia. Uma espécie de estigma de uma banda que sabia de seu potencial, superou as superficialidades do sucesso radiofônico e definiu sua música fazendo um rock original e genuinamente brasileiro.

Depois do fim do grupo, Camelo se voltou para a música popular brasileira, misturando a tradição com o contemporâneo. Seus dois discos solos mostram uma segurança tanto em seu canto, quanto em suas composições, que criam uma música popular moderna ao mesmo tempo simples e sofisticada.

Neste sábado (13/10), Camelo se apresenta no Heimathafen Heuköll, em Berlim. Em conversa com a Deutsche Welle Brasil, ele falou sobre a apresentação no exterior, sua relação com a imprensa, seu trabalho como produtor e a nova cena musical no Brasil.

DW Brasil: Como é tocar para uma plateia estrangeira?

Marcelo Camelo: Tocar pra um público que não conhece minha música será como trocar de nome, e isso me interessa bastante. Já pude fazer isso algumas vezes e é sempre um mergulho no desconhecido. Às vezes, a música impõe sua verdade às circunstâncias. E às vezes é esmagada por ela.

Como foi a concepção e a escolha do repertório do show "Voz e Violão" que você apresenta em Berlim?

O violão é um instrumento com o qual tenho intimidade e nele componho todas as minhas músicas. Neste show, eu toco as músicas do jeito que elas foram escritas e escolhi as que carregam mais particularidades do instrumento. Acho que tudo sempre está em processo. Mas eu gosto da ideia de apresentar as canções assim e acho que isso traz alguma força de expressão que é única.

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Cantor carioca apresenta o show "Voz e Violão" em Berlim

Como é estar só no palco?

Sempre há a presença do outro. Neste show tem o Thomas Rorher que toca rabeca comigo em boa parte do show, mas mesmo quando estou realmente só, sem público inclusive, existem as nossas frações, de modo que muitas vezes o "eu" que toca é diferente do que ouve. E há o inanimado, o imprevisível, o invisível, todas estas figuras são forças com as quais temos que lidar.

Como foi voltar a tocar com o Los Hermanos? Há planos de gravar material novo?

Foi ótimo estar com os amigos e matar a saudade. Não temos planos.

Como é ser a voz de uma geração?

Não me sinto isso, seria muito ruim carregar essa responsabilidade. A música pra mim é uma atividade lúdica que me alivia das questões de responsabilidade. É o contrário de responsabilidade pra mim. Fico feliz dela encontrar companhia por aí, é o que posso dizer.

Você morou São Paulo? Qual é a relação entre a cidade em que você está e a música que você compõe?

Eu morei por três anos [em São Paulo]. Eu gosto bastante destas transformações daquilo que está antes da escolha. Das transformações que modificam aquilo em nós que faz as escolhas. Acho que tudo muda a música que se faz, a incidência de luz no continente, a umidade do ar, o som, o apartamento onde se mora...

Você já trabalhou diversas vezes com sua namorada, Mallu Magalhães. Como é balancear a vida pessoal e profissional?

Nossa relação profissional se encontra só quando escolhemos isso. Nela temos uma relação de amizade, de parceria, e ajudamos um ao outro. A gente se alimenta disso mais do que se consome. Mesmo assim, guardamos estes momentos pra quando nos convier.

O assedio em relação a sua vida pessoal ainda te incomoda? Hoje é mais tranquilo para você lidar com a imprensa?

É mais tranquilo porque não se fala mais tanto, mas até hoje se vou a praia isso dá mais notícia do que se lanço um disco. Parece uma espécie de miopia dos mediadores de informação. Um desfoque daquilo que importa e a predileção por notícias facilmente pitorescas.

Marcelo Camelo Künstler Brasilien NUTZUNGSRECHTE beachten!

"A música pra mim é uma atividade lúdica que me alivia das questões de responsabilidade."

Como é para você trabalhar como produtor?

Produzi o Pitanga, da Mallu, e também o Amendoeira, do Bebeto Castilho, que era baixista e flautista do Tamba Trio, além dos meus dois discos em carreira solo. Eu gostei bastante das poucas experiências que tive. Deu vontade de dirigir cinema na verdade.

Você já escreveu crônicas e poemas. Como é se expressar só através de palavras?

Não escrevo com frequência. Eu me interesso pela poesia que se canta, a poesia oral. E por este encontro entre a razão que a palavra evoca e a intenção que a melodia impõe.

Você está sempre em busca de descobrir novas músicas e artistas?

Eu procuro o que é novo pra mim, não necessariamente novo. Tenho ouvido o Derek Bailey, já há algum tempo, e o Edgar Varese, que descobri recentemente.

Como você vê a cena musical no Brasil hoje?

A internet propiciou este surgimento de uma cena muito heterogênea. Acho isso por si um ótimo sinal. Especificamente me interessam muitos deles, a Mallu, o Criolo, o Silva, o Cícero, o Wado, o Jeneci e tantos outros que tem essa personalidade forte no que fazem.

Autor: Marco Sanchez
Revisão: Mariana Santos

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