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Mundo

Marcando passo à espera de Bush

Ainda persistem as divergências entre Israel e os palestinos sobre o combate a grupos radicais, poucos dias antes do encontro de cúpula com o presidente George W. Bush na Jordânia. Um comentário de Peter Philipp.

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Não mudaram as condições básicas para uma solução do conflito israelense-palestino com a segunda reunião entre os chefes de governo Sharon e Abbas. Se algo mudou foi o tom na maneira de exigir que se cumpram tais condições. Afirma-se que reinou uma "boa atmosfera" no encontro, ambas as partes ressaltam cada qual a sua disposição a um entendimento, mas na questão em si não se saiu do lugar.

Poucos dias antes de que Abbas e Sharon se reúnam com o presidente George W. Bush em Akaba, na Jordânia, o impasse continua no mesmo ponto: cada qual condiciona progressos políticos a concessões da outra parte. Os palestinos exigem um "gesto de boa vontade" de Israel, que por sua vez exige a coibição da violência.

Em princípio um e outro estão dispostos a conceder, não fossem certos "detalhes", que acabam por emperrar todo o processo. Assim, Mahmoud Abbas só pode prometer que se empenharia junto aos grupos palestinos radicais para que estes depusessem as armas, enquanto Israel condiciona uma retirada parcial dos territórios palestinos ao êxito desses esforços.

As condições citadas não podem ser cumpridas nos poucos dias até a próxima quarta-feira (04/06), a data do encontro na cidade portuária do Mar Vemelho. No entanto, se Sharon e Abbas quiserem dar substância e relevância ao primeiro encontro a três com Bush, terão que traçar um plano concreto até lá. Afinal, não basta formular claramente exigências e condições. Isso ocorreu várias vezes nesta Intifada que logo completará três anos, e o resultado foi nulo.

O que dá margem a esperança é que, em seu segundo encontro, os chefes de governo parecem haver chegado ao consenso de que, não sendo possível obter o cumprimento na íntegra de suas reivindicações, é preciso contentar-se com pequenos passos. Consta que Israel pretende evacuar suas tropas dos territórios palestinos quando as forças de segurança de Mahmud Abbas estiverem em condições de assumir o controle ali. Os israelenses também não pretendem continuar exigindo o pleno êxito dos palestinos nas medidas de combate ao terrorismo, contentando-se com "100% de esforços nesse sentido". Por outro lado, o governo de Ariel Sharon tem que demonstrar, em contrapartida, se está realmente disposto a concessões de fato, além de frases vazias.

O presidente norte-americano certamente espera uma atitude corajosa de todos. Ele quer melhorar as relações de Washington com os países árabes, que foram especialmente prejudicadas pela guerra contra o Iraque. E a única maneira de Bush fazê-lo é esforçando-se verdadeiramente em prol de uma solução para o eterno conflito iraelense-palestino. O caminho que cabe a Bush seguir já foi traçado no chamado road map , o plano de paz em linhas gerais, já aprovado internacionalmente. Ele prevê, entre outras coisas, a retirada israelense e a fundação de um Estado palestino, concomitantemente com o fim da violência.

Uma vez aprovado o plano tanto pelos palestinos como por Israel, trata-se de mover ambas as partes a dar passos concretos. A data do encontro com Bush (04/06), à véspera de uma data histórica, talvez traga bons auspícios, se não servir de advertência: em 5 de junho de 1967 irrompeu a chamada Guerra dos Seis Dias, cujas conseqüências constituem até hoje o cerne dos esforços de paz no Oriente Médio.

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