Manifestações de repúdio a vídeo de soldados urinando sobre cadáveres | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 12.01.2012
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Mundo

Manifestações de repúdio a vídeo de soldados urinando sobre cadáveres

Vídeo mostrando soldados norte-americanos urinando sobre corpos de talibãs provocou indignação no mundo e pode agravar o sentimento antiamericano no Afeganistão.

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Leon Panetta, condenou nesta quinta-feira (12/01) um vídeo, que aparentemente mostra soldados norte-americanos urinando sobre corpos de afegãos. Panetta prometeu que iria punir os prováveis envolvidos.

"Eu vi as imagens, e considero absolutamente deplorável o comportamento que elas mostram", disse Panetta. O secretário disse ainda ter ordenado ao Corpo de Fuzileiros Navais e ao comandante das tropas norte-americanas e da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) que investigassem o incidente.

Divulgado na internet nesta quarta-feira, o vídeo de 39 segundos mostra quatro soldados supostamente norte-americanos urinando sobre três cadáveres, provavelmente de combatentes talibãs. Um dos soldados chacoteia: "Tenha um bom dia, companheiro", outro faz uma piada de mau gosto.

O vídeo provocou indignação em todo o mundo e poderá agravar o sentimento antiamericano no Afeganistão, num momento em que administração Obama espera dar fim à guerra de uma década.

Karzai pede esclarecimento

O presidente afegão, Hamid Karzai, condenou nesta quinta-feira o "comportamento desumano" dos soldados. Numa primeira reação, o presidente afegão exortou o governo dos Estados Unidos a investigar detalhadamente o caso e levar os responsáveis à Justiça.

Planos de Karzai de negociar com talibãs estão ameaçados

Planos de Karzai de negociar com talibãs estão ameaçados

Numa curta declaração, a presidência afegã afirma que "o governo afegão está profundamente consternado com um vídeo que mostra como soldados norte-americanos desonram os corpos de três afegãos". Até agora não se sabe, todavia, se o vídeo contém imagens reais, como também não se conhece a identidade dos soldados envolvidos no caso.

Reação dos talibãs

O movimento Talibã do Afeganistão também considerou o vídeo "desumano". "Este é um ato imoral, desumano e brutal dos invasores", disse o porta-voz talibã Zabiullah Mujahid por telefone.

Ele acusou os soldados norte-americanos de cometerem "crimes" similares desde a invasão do Afeganistão comandada pelos Estados Unidos em 2001. Mujahid disse ainda que tais incidentes somente "encurtariam as vidas dos norte-americanos e de seus aliados no Afeganistão".

O porta-voz declarou, no entanto, que o incidente não iria comprometer as conversações sobre a abertura de um escritório dos talibãs em Doha e sobre a troca de prisioneiros. Mujahid negou, todavia, que negociações de paz estejam sendo realizadas.

Revés nas negociações?

Apesar das declarações, acredita-se que incidente vá dificultar ainda mais as morosas negociações com os talibãs. Até pouco tempo, os autodenominados "guerreiros de deus" recusavam qualquer tipo de negociação com o governo de Hamid Karzai e com a comunidade internacional. Mas há semanas, acumulam-se os boatos de que as lideranças talibãs estariam dispostas a participar de negociações diretas.

As tentativas de resolução do conflito no Afeganistão poderiam sofrer um revés com a publicação do vídeo, afirma o especialista em política afegã Sayffudin Sayhoon. "Em minha opinião, os opositores das negociações de paz com os talibãs publicaram deliberadamente o vídeo neste momento, para impossibilitar uma aproximação entre os EUA e os talibãs", declarou o especialista.

Até o momento, a mídia afegã reagiu com reserva quanto à divulgação do vídeo na internet. Todos que tomaram conhecimento dele reagiram consternados. O Islã prescreve o maior respeito diante do corpo de um morto. Por esse motivo, um cadáver deve ser enterrado imediatamente.

"Nenhuma cultura, nenhuma religião admite a profanação de cadáveres. Mesmo o corpo morto de um inimigo merece respeito. Aqueles que cometeram este crime devem ser punidos", declarou o afegão Abdul Malik, de Kandahar, à Deutsche Welle.

Autor: Ratbil Shamel / Carlos Albuquerque
Revisão: Roselaine Wandscheer

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