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Cultura

Manfred Geier, um germanista no Rio

Homem de letras, germanista e historiador da filosofia, Manfred Geier já publicou no Brasil "Do que riem as pessoas inteligentes". Geier repassa a história do pensamento ocidental sob o viés do riso.

A Alemanha, país homenageado este ano na Bienal do Livro do Rio, traz ao país representantes de vários gêneros literários. Dos livros infantis aos romances gráficos, do jornalismo e da poesia à prosa de ficção, não poderia faltar um autor como Manfred Geier no país que aprendeu a dizer que "filosofar, só em alemão!".

Autor de uma obra variada, cobrindo vários campos do conhecimento humano, Manfred Geier é um respeitado historiador do pensamento ocidental. Entre seus livros estão Aufklärung. Das europäische Projekt (Iluminismo, o projeto europeu, 2012.), Die Brüder Humboldt. Eine Biographie (Os irmãos Humboldt, uma biografia, 2009), Was konnte Kant, was ich nicht kann? (Do que era capaz Kant, do que eu não sou capaz?, 2006), Das Glück der Gleichgültigen (A felicidade dos indiferentes, 1997) e Das Sprachspiel der Philosophen (O jogo linguístico dos filósofos, 1989), cobrindo biografias de figuras incontornáveis do pensamento alemão, introduções ao pensamento filosófico de autores e tratados historiográficos.

Uma história do riso para os brasileiros

O Brasil o conhece pela obra Do que riem as pessoas inteligentes, lançado pela editora Record. O subtítulo do livro é "Pequena história do humor filosófico", e foi elogiado por conseguir combinar erudição e entretenimento, o que não poderia faltar num livro sobre o humor. O que faz os seres humanos rirem? E os filósofos, geralmente tidos como homens e mulheres extremamente sérios, tratando de questões como a morte e o sentido da existência: o que os fazia rir?

Geier retorna à Antiguidade Clássica, recontando até mesmo noções de etiqueta entre os gregos, que não acreditavam ser de bom tom que uma pessoa risse alto depois de certa idade, pois isso denotava pouco conhecimento. Um antecedente de nossa crença de que ignorance is bliss, ou ignorância é felicidade, como dizem os americanos. Segundo Geier, o riso também não era o forte de um dos mais influentes pensadores da Antiguidade, Platão, e vivemos sob sua égide.

Manfred Geier Buchcover Geistesblitze

"Outra história da filosofia", obra do autor publicada pela Rowohlt

A sátira, que frequentemente incomoda a política e a religião muito mais que o drama, conhece na história do pensamento um destino sombrio, com livros frequentemente queimados por inquisições e outros fanatismos religiosos. O livro de Aristóteles sobre a comédia se perdeu, ao contrário de sua poética sobre o drama.

Livros de Safo foram queimados por serem considerados lascivos e hoje temos apenas fragmentos. Vários escritores satíricos chegaram até nós apenas por citações e fragmentos em trabalhos de escritores "mais sérios". Um dos heróis de Geier neste aspecto é Demócrito de Abdera, que ficou conhecido no Renascimento como "o filósofo hilário", segundo a lenda ele gargalhava de tudo e dizia que o riso torna sábio.

Manfred Geier repassa a história do pensamento ocidental sob o viés do riso, recontando-a a partir de escritos de pensadores como Wieland, Kant, Schopenhauer, Voltaire e Freud, mas também no trabalho humorístico do alemão Karl Valentin (1882 – 1948).

O Brasil tem uma longa tradição de escrita satírica na modernidade, com dramaturgos como Qorpo-Santo e Nelson Rodrigues – o do óbvio ululante, em prosadores como Machado de Assis e João do Rio, e em poetas como Luiz Gama e Oswald de Andrade. Nos dias de hoje, autoras como Veronica Stigger e Angélica Freitas têm feito do riso uma das armas mais certeiras contra hipocrisias políticas e religiosas no Brasil.

A hora de rir e a hora de ser sério

Nascido em 1943 em Munique, Manfred Geier formou-se em Germanística, Filosofia e Teoria Política nas universidades de Frankfurt, Munique e Marburg. Uma de suas teses de formação foi sobre o linguista norte-americano Noam Chomsky. Dono de uma sensibilidade marcante pela linguagem e suas sutilezas, Manfred Geier é um pensador interessante para o Brasil, onde o povo gosta de dizer "vou rir para não chorar".

Seria muito bom se o país pudesse receber também traduções de outros livros de Geier, como Fake. Leben in künstlichen Welten (Fake, a vida em mundos artificiais) e Doktor Ubu und ich. Pataphysische Begegnungen (Doutor Ubu e eu, encontros patafísicos).