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Alemanha

Mais um político alemão é acusado de plagiar tese de doutorado

Após escândalos de plágio em trabalhos de doutorado forçarem a renúncia de dois ministros do governo Merkel, presidente do Bundestag, Norbert Lammert, é acusado de copiar textos alheios para obter título acadêmico.

Depois do ministro da Defesa e da ministra da Educação do governo Angela Merkel, agora é a vez do presidente do Parlamento alemão, Norbert Lammert, ter de se defender da acusação de ter lançado mão de plágio ao escrever sua tese de doutorado. O trabalho, apresentado em 1974, está sendo agora examinado pela na Universidade de Bochum, a pedido do próprio político democrata-cristão, que é membro da CDU, mesmo partido da chanceler federal.

Lammert defendeu a autenticidade de sua tese afirmando estar convencido da "qualidade científica" do texto, que tematiza a estrutura regional dos partidos políticos. Ele garantiu, ainda, que o escreveu "com a melhor boa fé" e que tem a consciência tranquila.

As acusações foram publicadas na internet por um blogueiro anônimo, que garantiu haver encontrado "irregularidades" em 42 páginas da tese de Lammert. "Ele claramente não leu uma parte considerável da literatura que disse ter utilizado", denunciou o internauta. A denúncia foi revelada pelo jornal Die Welt.

Prestígio social

Dúvidas sobre o rigor científico de uma tese de doutorado têm peso especial na Alemanha, onde o título de doutor vai além do valor acadêmico e costuma ter importância não só no meio profissional, como também é usado socialmente como símbolo de prestígio.

Karl-Theodor zu Guttenberg

Ex-ministro Karl-Theodor zu Guttenberg perdeu o cargo após descoberta de tese com trechos copiados

Suspeitas de plágio similares à de Lammert causaram em 2011 a renúncia do então poderoso ministro da Defesa, Karl-Theodor zu Guttenberg, cuja popularidade na época levara a ser considerado um possível candidato a chefe de governo alemão. Neste ano, foi a vez da ministra da Educação, Annette Schavan, renunciar, por causa de escândalo parecido. Outros políticos alemães também se viram confrontados com denúncias similares, como foi o caso da deputada do Partido Liberal (FDP) Silvana Koch-Mehrin, membro do Parlamento Europeu.

Todos os casos começaram com denúncias anônimas documentadas em blogs, que apontavam erros e indicações insuficientes de fontes usadas nas teses. As denúncias provocaram investigações das respectivas universidades e terminaram com a cassação do título do doutorado. Schavan, figura muito próxima a Merkel, chegou a recorrer da perda de seu título.

O novo caso pode agitar a campanha das eleições parlamentares de setembro. A oposição social-democrata, entretanto, deu respaldo à rápida reação de Lammert, que pediu, ele próprio, que a universidade examine seu trabalho. "Até que o resultado (do exame) não seja conhecido, todos os implicados deveriam ser prudentes em seus comentários", disse o porta-voz para assuntos de educação do Partido Social Democrata (SPD) no Parlamento alemão, Ernst Dieter Rossmann, ao jornal Kölner Stadt-Anzeiger.

Acadêmicos se dividem

Especialistas se encontram divididos sobre o assunto. Alguns representantes do meio acadêmico alemão se pronunciaram em defesa de Lammert. O cientista político Wolfgang Jäger acusou o autor anônimo das denúncias contra o político democrata-cristão de ter apresentado uma documentação falha.

"Ele não trabalhou com seriedade", afirmou, em entrevista ao jornal Süddeutsche Zeitung. Jäger rebateu as acusações de que o presidente do Parlamento alemão tenha, por exemplo, citado um livro seu que não existiria. "Isso não é verdade", refutou o especialista. "O título foi escrito errado, mas o livro existe."

Merkel und Annette Schavan Rücktritt Plagiatsaffäre

Annette Schavan e Merkel: ministra e amiga pessoal da chanceler caiu após acusação de plágio

Outro cientista político, Hans-Otto Mühleisen, também defendeu Lammert: "Não consegui ver nada que indique plágio", afirmou, também ao Süddeutsche Zeitung. Segundo as acusações, a tese de Lammert teria similaridades com algumas obras de Mühleisen.

Já para o especialista em plágio austríaco Stefan Weber detectou no trabalho de Lammert "sinais claros de má conduta científica". "É um plágio. Isso é indiscutível", concluiu Weber, que já participou várias vezes como perito em processos judiciais sobre teses de doutorado. O especialista afirmou que os fatos são "esmagadores", acrescentando que, ao analisar o texto "palavra por palavra", fica claro que certos limites "foram ultrapassados". "Se a verdade prevalecer, isso vai acabar na retirada do título de doutor e numa renúncia", prevê.

MD/ dpa/ afp

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