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Economia

Mais um capítulo na novela das latinhas

Os consumidores podem agora entregar em vários locais latas e garrafas descartáveis, pelos quais pagaram casco. Porém, ainda há quatro sistemas de devolução em vigor.

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Ministro J. Trittin testa uma das primeiras máquinas para devolução de embalagens

Os tempos em que se comprava uma bebida qualquer em lata, que depois ia parar no lixo, fazem parte de um passado muito distante na Alemanha. Primeiro surgiram os contêineres de reciclagem. Depois, a lei de embalagens estipulou que 70% das bebidas deveriam ter vasilhames reutilizáveis.

Baseado nela, o primeiro ministro do Meio Ambiente do Partido Verde, Jürgen Trittin, agiu quando os fabricantes de bebidas inundaram o mercado de latas e garrafas PET e diante da indisciplina dos consumidores que não preferiam as embalagens reaproveitáveis. Sob grande protesto do comércio e dos fabricantes, Trittin introduziu uma taxa de depósito para latas e garrafas descartáveis, similar ao tradicional casco das garrafas de vidro reutilizáveis. O objetivo: reprimir seu consumo e obrigar a devolução para reciclagem.

Como era e como ficou

Agora acabou o prazo de transição de noves meses para que todos se adaptassem à novidade. A partir de 1º de outubro, todos os supermercados e lojas que vendem bebidas enlatadas ou em garrafas descartáveis são obrigados a pagar o casco ao consumidor que aparecer para devolvê-lo, desde que tenham a marca em seu sortimento. Única exceção são os quiosques e lojinhas com menos de 200 m quadrados. No prazo de transição, não havia essa obrigatoriedade e cada supermercado só aceitava de volta as "suas" embalagens. Alguns usavam fichas especiais, em outros valia a notinha do caixa.

O início do novo sistema provocou as mais diversas reações. Para o ministro do Meio Ambiente, com isso acabaram os problemas de devolução para os consumidores. O fato de ainda existirem quatro sistemas diferentes de devolução, "o consumidor não nota", segundo Trittin. As embalagens podem ser devolvidas em 130 mil locais, e eles são obrigados a aceitar latas e garrafas, independentemente de quem as tenha vendido.

Desperdício e automatização

Nos últimos nove meses, muitas pessoas não voltaram ao local onde haviam comprado suas bebidas, com o que as embalagens descartáveis foram parar no lixo. Com isso, "sobraram" no comércio aproximadamente 400 milhões de euros. Jürgen Trittin sugeriu que os supermercados doem o dinheiro. Ele não daria para cobrir os prejuízos do comércio desde a introdução do modelo, respondeu a Associação Alemã do Comércio ao Varejo (HDE), que precisou aumentar o pessoal para dar conta das embalagens.

Prototyp für eine Pfandmaschine Dosenpfand Deutsche Pfand AG

Protótipo de uma máquina de devolução de latas e embalagens descartáveis

As máquinas de coleta são caras, custam entre 7 mil e 15 mil euros, e o comércio ainda aguarda o pronunciamento da União Européia. Esperado para esta quarta-feira, ele foi adiado para daqui a três semanas. Bruxelas quer um tempo para examinar se o sistema alemão prejudica os fabricantes estrangeiros de bebidas. O caso é de competência do comissário da Livre Concorrência, Mario Monti, que já comprou várias brigas com a Alemanha por reserva de mercado, e poderá culminar em medidas legais contra Berlim.

Confusão premeditada

A impressão que se tem é que os fabricantes de bebidas, os distribuidores, o comércio e as grandes cadeias de supermercados agiram de acordo com a máxima: quanto maior a confusão, melhor para nós e mais rápido o sistema todo vem a baixo. Tanto é que não unificaram seus sistemas até 1º de outubro.

Assim, as redes de supermercados de baixos preços Aldi e Lidl aceitam devolução em todo o território nacional, mas fizeram suas embalagens especiais. Com isso, reduzem o leque de embalagens a receber. Em outros supermercados, vale a notinha do caixa ou fichas. E os distribuidores Lekkerland-Tobaccoland, que abastecem inúmeras lojas de conveniência mandaram imprimir um "P" de Pfandgut (embalagem com depósito) em suas latas.

Exceto a falta parcial de latinhas com o "P", tudo correu bem no primeiro dia das novas regras, confirmando o parecer do ministro. Trittin não perdeu a calma na queda-de-braço com a indústria e o comércio. Mesmo sem ter chegado a um acordo com os envolvidos, ele apostou na sensatez dos consumidores, num país com alto grau de conscientização para o que é nocivo ao meio ambiente.

Consciência ambiental e diferenciação por bebida

E nesse aspecto, as latinhas e garrafinhas descartáveis, tão práticas na nossa era de extrema mobilidade, "pecam" extremamente contra o meio ambiente, parafraseando o termo alemão para o que agride o meio ambiente: Umweltsünder. A produção da lata de alumínio consome 50% a mais de energias fósseis (petróleo e derivados) do que a garrafa reutilizável. O vidro descartável é pior, pois consome mais do que o dobro. Já no que se refere às emissões de poluentes, a lata ganha de longe; sua produção emite o triplo de dióxido de carbono do que a fabricação de garrafas reaproveitáveis, apurou a revista Focus.

Dosenpfand

Latas jogadas: um problema para as cidades e o Meio Ambiente, demonstrando que a consciência ambiental não é lá tão grande

Por isso, os alemães devem se conformar com os incômodos até que haja um sistema único. E no máximo, irão se admirar das sutis diferenças entre as embalagens pelas quais se paga e as que estão liberadas da taxa. Chá em lata, por exemplo. Sem gás não paga, com gás paga. Suco de maçã não paga, mas Apfelschorle - mistura de suco de maçã e água com gás - está sujeito a Pfand. Para as bebidas alcóolicas, há uma regra especial: até 15% de teor alcoólico paga taxa, acima não. Com os vinicultores e fabricantes de bebidas fortes, Trittin não quis confusão: essas garrafas podem ir direto para os contêineres de reciclagem.

Esquizofrenia sistemática?

Tudo isso, no entanto, é meio kafkiano e vai piorar mais ainda se Bruxelas reclamar e for preciso alterar a lei. A mídia no exterior acompanha com estranheza o que está acontecendo na Alemanha, no tocante às latas e ao sistema de pedágio, já adiado duas vezes por defeitos técnicos nos aparelhos high-tech a serem instalados nos caminhões para medir sua quilometragem via satélite.

Em uma tentativa de analisar essas panes e confusões, o canal de tevê 3Sat, dos três países de língua alemã, entrevistou até o analista de sistemas Dirk Baecker. O programa apresentado por um jornalista austríaco tratou de saber se, com sua mania de organizar, sistematizar e controlar tudo, os alemães já não teriam entrado num plano esquisofrênico. Boa pergunta. Baecker defendeu a confusão das latas, dizendo que um sistema se comprova na prática. Quanto maior a controvérsia e a participação dos envolvidos, mais democrático e abrangente ele será.

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