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Mundo

Mais frases do que realidade

O discurso de Bush ao assumir o cargo deve ter soado em muitos ouvidos pelo mundo afora como sarcasmo, diz Daniel Scheschkewitz em seu comentário. Dúvidas quanto à sua missão em prol da democracia têm razão de ser.

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Com muita pompa e mais polícia ainda, George W. Bush assumiu pela segunda vez o cargo de presidente dos Estados Unidos. Na ocasião, ele fez algumas promessas solenes. Bush quer se utilizar do poder e da influência dos EUA para ajudar a impor a liberdade em todo o mundo. Tiranos, sejam lá de qual procedência, não devem mais sentir-se seguros no futuro. E à própria população, ele deu a entender que os norte-americanos só poderão continuar vivendo em paz e liberdade em casa se ajudarem a impor a democracia no mundo.

Daniel Scheschkewitz

Foi um discurso forte, bem-sonante, que, no entanto, deve ter agido sobre muitas pessoas oprimidas deste mundo como sarcasmo. Do Egito à China, do Uzbequistão ao Paquistão, os direitos humanos vêm sendo pisoteados sem que Bush proteste em voz alta.

Iraque é o nó da questão

Na realidade, os EUA continuam se arranjando com os regimes de injustiça pelo globo afora, desde que isto esteja em harmonia com seus interesses estratégicos. A campanha em prol da liberdade e dos direitos humanos tem sido, até agora, pouco mais que uma fachada moral para a expansão da esfera norte-americana de influência do Hindukush até o Golfo Pérsico. É lá, no Iraque, que a capacidade dos EUA de substituir uma ditadura por um sistema democrático vai passar por um autêntico teste de resistência durante as eleições planejadas para o fim de janeiro.

Ainda é cedo demais para um julgamento conclusivo. A História avaliará a campanha de Bush contra o Iraque, posteriormente, de acordo com o sucesso da missão. Conseguindo-se estabelecer no Iraque a meio prazo condições pelo menos medianamente estáveis, então os mulás no Irã e outros déspotas na região precisarão de fato preocupar-se.

Mas se o ousado experimento realizado por meio da força militar terminar num banho de sangue, o julgamento da História será provavelmente negativo. Pior ainda: aumentará em casa a pressão sobre Bush para retirar os soldados americanos do Iraque. E suas frases sobre um engajamento em prol da liberdade em todo o mundo ecoarão no vazio.

Diplomacia dos gestos

Não é preciso que seja assim. Se os EUA gastassem em seus empenhos pela democracia e os direitos humanos a metade daquilo que despendem em gastos militares e guerras, o mundo poderia lhes ser realmente grato.

A impressionante ajuda concedida pelo país – como também por outros – às vítimas do tsunami foi o caminho certo. É assim que se ganha as pessoas para os ideais de uma sociedade estranha. Esta é a diplomacia dos gestos, com a qual se consegue conquistar os corações humanos.

O discurso de Bush esteve comprometido com o idealismo dos EUA e sua tradição. A realidade política será determinada pelo que acontecer no Iraque, no conflito entre palestinos e israelenses e nas negociações com o Irã sobre seu programa atômico. Aqui, Bush precisa provar qualidades de um líder mundial que não demonstrou até agora. Então, e só então, a missão norte-americana pela democracia no mundo poderá ser coroada de sucesso a longo prazo. Dúvidas a este respeito têm razão de ser.

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