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Alemanha

Mais do que simbolismo

Governo e Conselho Central dos Judeus assinam nesta segunda-feira um acordo que consolida suas relações. Cornelia Rabitz, redatora da Deutsche Welle, comenta o significado do ato.

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Um convênio entre o governo e a representação oficial dos judeus na Alemanha, assinado no dia dedicado à memória do Holocausto, 58 anos após a libertação de Auschwitz — dificilmente se poderia pensar numa força simbólica maior. Três milhões de euros para o Conselho Central — uma triplicação dos subsídios concedidos até agora — não representam uma grande soma, mas ela é ainda assim significativa.

Com a subvenção, o governo faz uma demonstração de confiabilidade e responsabilidade, recompensa as comunidades judaicas pelo enorme trabalho de integração prestado por elas. O número de judeus que vivem na Alemanha atualmente, em 83 comunidades, chega a 100 mil. Quase 60 anos após o genocídio, pode-se dizer que este país voltou a ser pátria para eles. E três milhões de euros também reforçam a esperança de uma convivência em base de confiança.

O estranhamento dos judeus do Leste

A imigração maciça de judeus dos países da antiga União Soviética exige de fato um enorme esforço das comunidades pela integração. Os que chegam agora desconhecem tanto as bases religiosas e culturais do judaísmo quanto as experiências dos sobreviventes do genocídio e as da segunda e terceira gerações de descendentes. Os novatos não têm, como estes, suas raízes na história da perseguição. Daí a necessidade de uma grande tarefa social, cultural e religiosa em sua integração.

As comunidades judaicas encontram-se num processo de transformação — sinal disso é também a polêmica que irrompeu entre liberais e ortodoxos pouco antes da assinatura do acordo. O monopólio do Conselho Central vem sendo questionado pelas comunidades liberais, que nesse meio tempo chegam a 14. Trata-se de mais do que uma briga em família em torno da interpretação de preceitos ou dos ritos religiosos. Tem a ver com a distribuição dos subsídios, dos quais os liberais exigem uma parte. Tem a ver com questões de reconhecimento e do pluralismo — um debate político que está apenas começando e não deve ser interceptado de cima para baixo.

Reflexos da crise no Iraque

E há ainda a situação política mundial. A crise no Iraque alimenta sensações de insegurança e ameaça. As entidades judaicas tornam-se em todo o mundo alvos dos terroristas. Diante do conflito não solucionado entre israelenses e palestinos, registram-se cada vez mais tonalidades anti-semíticas. Na opinião de muitos judeus, as simpatias na Europa mudaram — a favor dos palestinos e contra Israel. Terríveis atentados suicidas, ameaças verbais contra Israel: o direito de existência do único Estado dos judeus parece em xeque — o Estado que foi fundado em resposta ao Holocausto e que continua sendo algo como uma âncora de salvação, um ponto de referência, também para aqueles que vivem conscientemente e seguros de si na diáspora.

Na Alemanha, seria preciso que se tivesse sempre em mente essa sensibilidade especial. Não se pode falar de uma normalidade, por mais que ela seja almejada. O dinheiro destinado ao futuro dos judeus na Alemanha — a assinatura do acordo no dia em memória do Holocausto — é uma ponte sobre os abismos do passado e uma ponte para o futuro.