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Mundo

"Mais de 11 milhões de sírios precisam de ajuda humanitária"

Em meio à guerra civil na Síria, grande parte da população está em fuga. Violência, insegurança e burocracia dificultam a chegada de assistência, afirma Robert Lindner, representante da organização Oxfam.

Há quatro anos, a Síria se tornava um barril de pólvora. Protestos eclodiram no país contra o regime do presidente Bashar al-Assad e, pouco depois, iniciou-se uma guerra civil. A população foge da violência dentro do próprio país ou se refugia em países vizinhos.

Robert Lindner, especialista em crises humanitárias da organização internacional Oxfam na Alemanha, aponta dificuldades na chegada de ajuda humanitária à Síria. Nos países vizinhos, há cada vez mais tensão entre a população local e os refugiados, diz.

"Mais de 3,7 milhões de sírios já fugiram para o exterior – e não é de se estranhar que países vizinhos como Jordânia, Líbano ou Turquia tenham problemas para acomodar tantas pessoas", afirma Lindner, em entrevista à DW.

Deutsche Welle: A situação já dramática da população vem ficando ainda pior. Por quê?

Robert Lindner: As lutas na Síria não têm fim. Ao contrário, cada vez mais pessoas ficam em meio ao fogo cruzado e não tem acesso à ajuda humanitária. Em alguns países vizinhos, há cada vez mais tensão entre a população local e os refugiados, que disputam empregos e acesso à saúde e educação – como, por exemplo, na Jordânia, onde um em cada quatro moradores é refugiado sírio. Como resultado da enorme imigração, a economia e o sistema de segurança social estão sob forte pressão. Muitos jordanianos também vivem na pobreza.

Infelizmente, observamos que muitos países, como Líbano, Jordânia e Turquia, vêm fechando cada vez mais suas fronteiras, barrando a entrada de muitos refugiados. Estes ficam particularmente ameaçados – à mercê dos ataques e quase sem ajuda humanitária.

Porträt - Robert Lindner

Para Lindner, a Alemanha deveria receber um número maior de refugiados

Por que os suprimentos não chegam aonde deveriam chegar?

Via de regra, felizmente nossos suprimentos chegam aos que mais precisam, como sistemas de abastecimento de água, latrinas, chuveiros e artigos de higiene. E também, especialmente fora dos grandes campos de refugiados na Jordânia ou Líbano, dinheiro para comida ou moradia.

Entretanto, na própria Síria, a insegurança, a violência e ataques arbitrários – também contra trabalhadores humanitários – dificultam as medidas de assistência. Muitas vezes há burocracia excessiva por parte das autoridades, por exemplo, no que diz respeito à entrada e liberdade de circulação de trabalhadores humanitários para e dentro da Síria ou ao transporte de suprimentos.

Quantas pessoas são diretamente atingidas pela guerra?

Mais de 11 milhões de pessoas – mais da metade da população síria – precisam de ajuda humanitária. Cerca de 7,6 milhões estão em fuga dentro do próprio país, tentando escapar da violência, e outros 3,7 milhões se refugiaram no exterior.

No final de 2013, cerca de três quartos da população que permaneceu na Síria viviam na pobreza. Por volta de 200 mil pessoas moram em cidades sitiadas, passando fome e sofrendo com a falta de acesso à alimentação e água potável.

Você vê uma solução para o conflito na Síria?

Até agora, todas as iniciativas internacionais de paz fracassaram, como a rodada de negociações em Genebra, em fevereiro de 2014. Na Síria, a maioria da população anseia pela paz. Uma esperança poderiam ser tréguas limitadas territorialmente; algumas delas estão em vigor atualmente e outras foram colocadas em prática nos últimos anos.

Infelizmente, muitos desses acordos de cessar-fogo não foram mantidos por muito tempo – frequentemente pelo fato de ter havido pouco apoio internacional, por meio de mediadores e supervisores independentes, por exemplo. Além disso, em muitos casos, a sociedade civil local, quer dizer, os cidadãos normais, não foram envolvidos suficientemente na questão. É positiva a iniciativa do enviado especial da ONU Staffan de Mistura para tréguas humanitárias limitadas.

A situação dos refugiados da Síria e do Iraque nos países vizinhos, mas também em campos na Europa, piorou significativamente – supostamente devido ao crescente fluxo de refugiados. Deve-se garantir mais ajuda aos países que se comprometem em alojar essas pessoas?

Sim. Mais de 3,7 milhões de sírios já fugiram para o exterior – e não é de se estranhar que países vizinhos como Jordânia, Líbano ou Turquia tenham problemas para acomodar tantas pessoas. Em comparação com a carga que, por exemplo, um pequeno país como o Líbano tem de suportar, países ricos da Europa têm recebido poucos refugiados sírios.

A Oxfam e outras organizações não governamentais pedem, assim, que países ricos de fora da região se comprometam em acolher 5% de todos os refugiados sírios registrados. Dentro da Europa, a Alemanha – em termos de tamanho e poder econômico – foi o país que mais recebeu refugiados sírios, mas deveria receber um número ainda maior. Durante a guerra nos Balcãs [na década de 1990], a Alemanha já demonstrou ser capaz disso.

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