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Alemanha

Mais casos de brasileiros ilegais

Os protagonistas dos relatos estão com seus nomes alterados.

Depois de morar e trabalhar no Líbano durante vários anos, o engenheiro eletrônico Waldir (39 anos) veio tentar a vida na Alemanha. Sem visto de permanência e de trabalho, procurou bicos na construção civil e na gastronomia. Certo dia, foi-lhe oferecido um "passaporte italiano".

Achando que isso resolveria seus problemas, Waldir "comprou-o" e se deu mal: foi pego pela polícia, que descobriu rapidamente a falsificação - os passaportes haviam sido roubados de um consulado italiano. O brasileiro foi repatriado, voltando para o Espírito Santo. Teve a sorte de não ter precisado responder processo na Alemanha.

A mineira Virgínia (26) veio para a Alemanha com a idéia de aprender alemão e conseguir um trabalho. Passou alguns meses na casa de uma brasileira. Como toda pessoa que não está com a documentação em ordem, ela vivia sempre procurando evitar os lugares em que pudesse cair num controle policial. Não ia a festas nem discotecas, procurava estar em casa antes das 22 horas, sempre pagava a passagem de ônibus e bonde (não há cobrador na Alemanha), para evitar problemas com os fiscais. Trabalhava fazendo limpeza em casas de família.

Mas um dia conheceu um alemão e foi viver com ele no norte da Alemanha. Meses depois, os dois brigaram e ele a denunciou à polícia. Virgínia foi presa, os policiais fizeram uma busca no apartamento e confiscaram todo o dinheiro que ela havia juntado para pagar a passagem de volta ao Brasil. Depois, ela ficou esperando sua repatriação numa prisão especial em Neuss (entre Colônia e Düsseldorf), por onde já passaram várias brasileiras. Sua maior vergonha foi viajar de avião algemada e desembarcar com algemas em Belo Horizonte, onde foi entregue à Polícia Federal.

Ivanice (18), de Santos (SP), veio para o sul da Alemanha visitar a irmã, que se casara com um alemão. De família muito modesta, viveu ilegal quase um ano na casa da irmã. Certo dia, o cunhado achou que mais uma pessoa em casa pesava no orçamento e insistiu para que ela procurasse outro lugar para ficar.

Assim, perambulou pela casa de brasileiras que conheceu. Até conhecer um rapaz que era padeiro, gostou dele e acabou ficando grávida. Mas a mãe do rapaz, dona de uma padaria, não gostou de Ivanice. Uma intriga de outra brasileira acabou separando-a do pai da criança. O filho - hoje com 6 anos - contribuiu para que ela legalizasse sua situação, por ter pai alemão, que o reconheceu.

Mas no começo Ivanice passou maus bocados e chegou a ficar duas noites na rua com a criança. Até que as autoridades arranjaram um quarto para ela e o bebê, num pequeno hotel. Depois Ivanice, que não tinha profissão, conheceu outro rapaz e teve um segundo filho. Desta vez houve casamento e a história terminou com final feliz. Ela continua sem ter profissão, mas tornou-se dona-de-casa e mãe de família.

No entanto, nem todos os casamentos de brasileiras com alemães dão certo. A paraibana Marisa (32), a carioca Maria da Conceição (29) e a paulista Fernanda (39) separaram-se dos maridos por distintos motivos e da noite para o dia tiveram que "se virar" com toda a burocracia do sistema social alemão e procurar moradia.

Marisa e Conceição têm um filho cada uma; Fernanda, dois. Elas regularizaram sua situação e Fernanda já conseguiu passaporte alemão para si e os filhos. Mas continua vivendo da ajuda social do Estado e fazendo alguns bicos para complementar o orçamento. Ela sabe que isso não é correto, pois teria que comunicar ao departamento social quanto ganha. Mas como receberia menos ajuda, não faz isso. Do contrário, não conseguiria pagar o aluguel, a comida e tudo de que as crianças necessitam.

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