″Maior ponte suspensa do mundo″ coloca Berlusconi na mira de críticos | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 16.10.2009
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Mundo

"Maior ponte suspensa do mundo" coloca Berlusconi na mira de críticos

O projeto faraônico já fora sustado em 2006: uma construção de 3,7 km ligando a Sicília ao continente. Custos, riscos de segurança e ambientais são argumentos contra. Há pouco a região foi devastada por inundações.

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Maquete computadorizada apresentada pela firma Ponte di Messina S.p.A

O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, anunciou na quarta-feira (14/10) a intenção de ligar a ilha da Sicília ao continente através da que será a mais longa e mais elevada ponte suspensa do mundo. "Em dezembro e janeiro começaremos com as obras para mais um projeto de infraestrutura: a ponte sobre o Estreito de Messina". O chamado "Projeto Berlusconi" já data de vários anos, e em 2006 fora sustado pelo então premiê Romano Prodi.

Atualmente é necessária uma hora para atravessar de barca o trecho marítimo que separa a Sicília da terra firme. A ponte sobre o Estreito de Messina reduziria o tempo de travessia de carro para dez minutos. O período de construção calculado é de seis anos, com custos de 6,1 bilhões de euros.

Superlativos e riscos

Trata-se de uma obra superlativa: com 3,7 km de extensão, a estrutura deverá ser quase três vezes mais longa do que a Golden Gate de São Francisco, no estado norte-americano da Califórnia. Seus pilares terão 380 metros de altura, estando previstas quatro pistas para veículos, duas faixas laterais para emergências, dois trilhos ferroviários e dois caminhos para pedestres.

Os adversários do projeto afirmam que com ele o premiê visa, sobretudo, erigir um monumento a si mesmo. Além disso, apontam numerosos riscos. Na zona planejada para as obras, o perigo de terremotos é extremamente elevado por ser a área de encontro de duas placas continentais. A corrente marítima e os ventos são também muito fortes.

Em consequência, a monumental ponte poderia ficar fechada até 100 dias por ano, e o tráfego de barcas teria que ser mantido paralelamente. Biólogos marítimos e ambientalistas temem, ainda, os efeitos negativos das obras sobre a fauna marítima e as aves migratórias.

Prioridades questionáveis

Italien Messina Unwetter auf Sizilien

Intempéries fizeram 28 vítimas na região de Messina

Os elevados custos do projeto são outro ponto de crítica. Questionam-se as prioridades estabelecidas pelo governo, após os devastadores deslizamentos e inundações na Sicília. No início de outubro, estes custaram a vida de, pelo menos, 28 pessoas.

Chuvas intensas foram a causa dos deslizamentos nas proximidades de Messina, enterrando sob a lama diversos subúrbios da cidade portuária. Peritos em construção civil definiram "incompetência e construção descontrolada" como causa principal da catástrofe. A promotoria pública investiga se houve falhas nos controles e negligência durante as obras.

O presidente italiano, Giorgio Napolitano, exigiu do governo Berlusconi que aplique mais dinheiro na segurança, e não em "obras faraônicas". O porta-voz do Partido Democrático do Sul italiano, Sergio D'Antoni, igualmente argumentou que "em tempos difíceis, as poucas verbas disponíveis devem se concentrar nas medidas mais importantes". Assim, se deveria, antes de tudo, controlar o risco de inundações.

Autor: Ursula Kissel (av)
Revisão: Roselaine Wandscheer

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