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Mundo

Mainz recebe Bush sob segurança máxima

Presidente dos Estados Unidos iniciou em Bruxelas viagem pela Europa. Cidade de Mainz vira área de segurança máxima durante a visita de 11 horas de Bush à Alemanha.

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Bush e Schröder vão se encontrar no castelo de Mainz

Para quem viaja entre Bonn e Frankfurt, Mainz não passa de uma cinzenta estação ferroviária, ao redor da qual vivem 200 mil habitantes pacíficos, aficionados pelo carnaval e fãs do time de futebol local, que pela primeira vez disputa o Campeonato Alemão da Primeira Divisão. Para o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, no entanto, parece ser a cidade mais perigosa do mundo.

Apesar de Bush fazer apenas uma escala de 11 horas em Mainz, nesta quarta-feira (23/02), no caminho entre Bruxelas e Bratislava (na Eslováquia), há dias a capital do Estado da Renânia-Patinado vem sendo transformada em zona de segurança máxima. Os moradores locais e viajantes estão diante de uma dura prova de paciência.

Quatro auto-estradas entre Mainz, Wiesbaden e Frankfurt serão interditadas entre as 07:00 h e 11:00 h e entre 15:00 h e 19:00 horas em ambas as direções. Prevêem-se atrasos de até uma hora dos trens e metrôs. Nas escolas de Mainz e em três colégios de Wiesbaden não há aulas nesse dia. Cerca de 1200 moradores estão proibidos de usar os terraços e só podem sair ou entrar em casa sob controle policial.

Residências situadas em pontos estratégicos serão ocupadas por atiradores norte-americanos. Ao redor da catedral e do Museu Gutemberg (que eventualmente será visitado por Bush), foram removidos vasos de flores, lixeiros e caixas de correio, que poderiam servir de esconderijo para bombas. As garagens foram esvaziadas e lacradas. O presidente norte-americano, no entanto, passará a maior parte do tempo no castelo da cidade, onde se encontrará com o chanceler federal alemão Gerhard Schröder.

"Maior risco do mundo"

O Rio Reno ficará fechado ao transporte fluvial, o espaço aéreo sobre Mainz será interditado num raio de 60 quilômetros para a aviação civil durante a visita, caças-aéreos dos EUA estão de prontidão e milhares de policiais e agentes secretos alemães e norte-americanos formam o esquema de proteção ao "homem que corre o maior risco do mundo", como diz o secretário estadual de Segurança Pública, Karl Peter Bruch.

Visitas anteriores de Bush à Europa dão uma idéia do que sua comitiva presidencial de cerca de mil pessoas (a maioria agentes de segurança) precisa para se sentir segura: em Londres, há dois anos, foi escoltada por 14 mil policiais; em Berlim, há três anos, teve a proteção de dez mil policiais.

O centro de Mainz, onde em dias normais se pode, por exemplo, bater um papo na rua com o cardeal Karl Lehmann, presidente da Conferência dos Bispos Alemães, estará sitiado. Muitas lojas serão obrigadas a fechar suas portas, por ordem policial ou porque as ruas de acesso estarão bloqueadas. O banco estadual e outras empresas deram férias coletivas (pagas) aos seus funcionários para o dia 23 de fevereiro.

Até este domingo (20/02), mais de 40 mil moradores de Mainz já haviam ligado para a prefeitura, preocupados com a paranóia da segurança e querendo saber onde e como poderão ser locomover na próxima quarta-feira. A assessoria de comunicação do prefeito tenta tranqüilizá-los, dizendo que a visita de Bush traz publicidade para a cidade, o que reverteria em lucros para o turismo.

Combatendo ratos de esgoto

Sicherheitsmassnahme für Bush Besuch in Mainz

Até caixas de cabos subterrâneos e tampas das bocas de esgoto foram lacradas

Junto com a polícia local, o serviço secreto norte-americano fez um raio x à base de vídeos e fotografias do centro urbano. Funcionários da área de planejamento da Casa Branca vistoriaram minuciosamente os hospitais da região e registraram todas as vias públicas por onde a comitiva deve passar ou pode fugir. Até as bocas de esgoto foram lacradas a solda. À exceção da UTI, a clínica universitária ficará fechada para pacientes normais e está reservada para uma eventual emergência envolvendo Bush.

Nas bases aéreas da região dos rios Reno e Meno, aviões cargueiros dos EUA desembarcaram entre 60 e 80 carros blindados, helicópteros da Marinha e montanhas de equipamentos de comunicação. Na última visita de Bush à Alemanha, só o departamento de comunicação da Casa Branca enviou 200 peritos a Berlim, para montar um esquema de rádio e telefone impossível de ser grampeado. Desta vez não deve ser diferente.

Além de Mainz, Bush ainda deve visitar a base aérea americana de Wiesbaden-Erbenheim, para um encontro com soldados que voltaram da guerra no Iraque. A primeira-dama Laura Bush, que deve desembarcar na Alemanha já no dia 22, tem visita agendada ao hospital militar norte-americano em Landstuhl, o maior do gênero dos EUA no exterior.

Protestos e "tolerância zero"

Galerie Besuche von US-Präsidenten seit 1945 George Bush

George Bush, pai do atual presidente dos EUA, apludido por Helmut Kohl, após discurso em Mainz, em 1989

Todos os 11 presidentes dos EUA do pós-guerra vieram pelo menos um vez à Alemanha – no total, foram 18 visitas desde 1945. Bush pode ter escolhido Mainz por nostalgia, já que seu pai assinou o livro de ouro da cidade há 16 anos, discursou para três mil alemães e norte-americanos e até fez um passeio de barco com Helmut Kohl no Reno.

O filho será recebido pelo movimento pacifista alemão com cartazes do tipo "Not Welcome Mr. Bush". Em cerca de 40 cidades, haverá protestos contra o presidente dos EUA, organizados por movimentos de defesa dos direitos humanos, pela Attac (adversária da globalização), o PDS (Partido Democrático Socialista, ex-Partido Comunista da RDA) e o Partido Republicano, de extrema direita.

Só em Mainz são esperados cinco a seis mil manifestantes da esquerda. Caso algum deles invada a área de segurança para ser visto por Bush, a polícia promete agir pelo mesmo princípio aplicado em Berlim em 2003: "tolerância zero", para proteger o homem que se considera "um missionário da liberdade e da democracia no mundo".

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