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América Latina

Maduro aposta na imagem de Chávez para confirmar favoritismo

Nomeado sucessor pelo próprio Chávez, presidente interino faz campanha marcada pela morte recente do carismático líder socialista, lidera as pesquisas de opinião e deve ser eleito com folga neste domingo.

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Aquele foi, provavelmente, o momento mais difícil da carreira política de Nicolás Maduro. Quando ele, no dia 5 de março de 2013, lutando contra as lágrimas, anunciou com voz embargada, à Venezuela e ao mundo, a morte de seu mentor, Hugo Chávez. No funeral, Maduro também se manteve à frente, acompanhado o corpo do líder em seu caminho através da capital venezuelana rumo às derradeiras homenagens, na Academia Militar.

A mensagem das fotos era clara. Maduro queria se mostrar o homem que esteve ao lado de Chávez, como sucessor legítimo e guardião de seu legado. Ou, como ele mesmo disse: "Eu sou o filho de Hugo Chávez, vou realizar seu maior sonho e criar uma pátria socialista".

Venezuela Wahl Wahlkampf Präsident Nicolas Maduro

Maduro no seu último comício de campanha, quinta-feira, em Caracas

Tudo isso pode ser mesmo desejo do fundador da Revolução Bolivariana. Ainda em vida, Chávez havia feito de Maduro seu vice-presidente. Antes da última etapa de seu tratamento contra o câncer, ele mesmo pediu que, caso não pudesse mais continuar no cargo, os venezuelanos fizessem de Maduro seu presidente.

E parece que o desejo de Chávez vai se tornar realidade. Pesquisas de opinião venezuelanas preveem para Maduro uma vitória folgada nas eleições presidenciais de domingo. Ele tem entre 10 e 20 pontos percentuais de vantagem, dependendo da sondagem, em relação ao líder da oposição, Henrique Capriles.

Tom áspero

O tom da campanha é áspero. Tal como o seu mestre, Chávez, Maduro argumenta ferozmente contra o adversário. Chama Capriles de "miserável", "fascista" e até mesmo fala de uma conspiração da oposição para assassiná-lo. Governo e oposição se acusam mutuamente de lançarem mão de truques sujos para tentar denegrir o oponente.

Venezuela Wahl Wahlkampf Präsident Nicolas Maduro Bus

Ao volante: antes da carreira política, ele foi motorista de ônibus e sindicalista

O governo tornou a eleição um referendo sobre o legado de Chávez. "Ele está bastante ciente de que Maduro não tem o carisma e a eloquência do 'comandante'", comenta o cientista político John Magdaleno. "Ele não está consolidado publicamente como um líder político, de modo que não tem escolha a não ser apostar na imagem de Chávez."

"Na verdade, o candidato não é Maduro e sim Chávez, novamente", complementa Günther Maihold, especialista em América Latina do Instituto Alemão de Assuntos Internacionais e de Segurança. Ele diz que Maduro copia os métodos e o estilo de seu antigo chefe .

O adversário, Capriles, tenta preencher o vácuo de conteúdo. O principal tema de sua campanha é a alta taxa de criminalidade urbana, além da inflação galopante e da fraca infraestrutura.

Ao mesmo tempo, o candidato, de 40 anos, frisa que deseja continuar os programas sociais bem-sucedidos do chavismo. E ele tem boa razão para isso, pois a população quer continuidade, como lembra Heinz Dieterich, ex-assessor de Chávez. "O povo quer que os programas sociais sejam mantidos." Por isso, acredita que a maioria votará em Maduro.

De motorista de ônibus a presidente

Hoje com 50 anos, Maduro já foi motorista de ônibus e sindicalista antes de ingressar na política. Junto com a mulher, Cilia Flores, acompanhou a carreira de Hugo Chávez durante décadas.

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Candidato da oposição, Henrique Capriles

Quando Chávez tentou, em 1992, chegar ao poder através de um golpe militar fracassado, Flores defendeu o militar, como advogada. Mais tarde, o casal lutou junto pela libertação de Chávez.

Junto com Chávez, o casal fundou o Movimento Quinta Republica. Em 1998, o movimento ganhou as eleições. Chávez se tornou presidente, Maduro, deputado e presidente do Parlamento. Em 2006, Chávez o nomeou ministro das Relações Exteriores e, em 2012, vice-presidente.

Tarefas difíceis

Caso Maduro se torne presidente, também terá que enfrentar os problemas da Venezuela: extrema violência urbana, corrupção e nepotismo em empresas estatais, alta inflação, declínio das receitas provenientes da venda do petróleo. Para Günther Maihold, o próximo presidente terá que tomar decisões difíceis. "O programa de economia dirigista, a mentalidade de subsídio, a política social, tudo isso já não é financeiramente viável", avalia.

Sem o padrinho Chávez, Maduro também terá que manter unido seu partido. "Maduro é, certamente, bastante indicado para isso", diz Günter Maihold, "Mas tenho minhas dúvidas se ele tem a estatura intelectual e política para desenvolver uma nova perspectiva para o chavismo", pondera. E também depois da eleição deste domingo (12/04), o país, com cerca de 30 milhões de habitantes, continuará profundamente dividido entre defensores ardorosos e inimigos ferrenhos do chavismo.

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