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América Latina

Maduro anuncia medidas de retaliação aos EUA

Presidente venezuelano acusa Estados Unidos de interferência no país e fala em reduzir funcionários americanos na embaixada em Caracas, além de proibir a entrada de alguns cidadãos, como o ex-presidente George W. Bush.

Os Estados Unidos afirmaram neste domingo (01/03) que as acusações da Venezuela sobre a suposta interferência americana no país são falsas. E evitaram fazer comentários sobre a ordem de redução de seu pessoal diplomático em Caracas porque ainda não receberam uma notificação formal.

No sábado, o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, afirmou durante um discurso que seu governo prendeu cidadãos americanos, entre eles um piloto, por suspeita de espionagem. Ele também prometeu reduzir de 100 para apenas 17 no número de funcionários na embaixada americana na Venezuela, para se equipar com o corpo diplomático venezuelano na embaixada do país nos EUA.

A ação deve prejudicar as relações entre Washington e Caracas, já bastante estremecidas. Adversários de Maduro dizem que as medidas são destinadas a tirar o foco da crise econômica cada vez mais grave no país. Grande exportadora de petróleo, a Venezuela tem sido cada vez mais afetada pela forte queda nos preços do barril ao longo dos últimos meses.

"Capturamos alguns cidadãos americanos em atividades sigilosas, de espionagem, tentando conquistar as pessoas em cidades ao longo da costa venezuelana", afirmou Maduro num comício em Caracas no sábado. Segundo ele, o piloto, de origem latina, carregava "todos os tipos de documentação", mas não deu mais detalhes.

Sob condição de anonimato, um alto funcionário da diplomacia os EUA afirmou à agência Efe que as "contínuas acusações de que os EUA estão envolvidos em esforços para desestabilizar o governo venezuelano são infundadas e falsas".

Visto para americanos

Maduro disse ainda que vai implantar um novo sistema de visto para todos os cidadãos americanos, a fim de "proteger" a Venezuela, e falou em proibir a entrada no país de uma série de funcionários e ex-funcionários americanos, entre eles o ex-presidente George W. Bush e o ex-vice-presidente Dick Cheney, além de parlamentares que identificou como "ultradireitistas" e "terroristas", entre eles os senadores Bob Menéndez e Marco Rubio.

Em um comunicado, Menéndez afirmou que a imposição de sanções não evitará que ele continue condenando as violações de direitos humanos na Venezuela. "Ser punido pelo regime de Maduro não vai me dissuadir de levantar a voz contra a ruína causada por seu governo", afirmou o senador democrata pelo estado de Nova Jersey.

Menéndez condenou mais uma vez o "assassinato de Kluiverth Roa, de 14 anos, e a prisão arbitrária do prefeito de Caracas, Antonio Ledezma". Segundo ele, as ações "demonstram que o regime de Maduro vai qualquer extremo para matar, causar danos, ferir e reprimir seu povo". Roa faleceu na terça-feira passada após ser baleado na cabeça por um policial da Guarda Nacional Bolivariana durante confronto entre manifestantes e policiais na cidade de San Cristóbal.

FC/rtr/efe/dpa


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