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Mundo

"Macedônia vive risco de catástrofe nacional"

Especialista diz que maior crise na ex-república iugoslava desde a independência ameaça frágil estabilidade política e, se não controlada, pode afetar toda a região. "Há risco de guerra civil", afirma.

A República da Macedônia vive sua maior crise política desde sua independência da Iugoslávia, em 1991. Durante o fim de semana, confrontos terminaram com a morte de 22 pessoas – oito delas policiais – na cidade de Kumanovo, reduto da minoria étnica albanesa.

A violência foi o último capítulo da uma escalada de instabilidade iniciada em fevereiro, após as denúncias, feitas pela oposição, de uma operação de larga escala de espionagem por parte do governo, que, por sua vez, diz ser alvo de uma tentativa de golpe.

Em entrevista à DW, Franz-Lothar Altmann, especialista em Bálcãs da Universidade de Bucareste, afirma que a deterioração da situação eleva o temor de que as coisas possam fugir totalmente do controle e desencadear uma guerra civil.

"A já frágil democracia macedônia pode virar uma catástrofe nacional", opina.

Deutsche Welle: Qual é o peso dos últimos acontecimentos na Macedônia?

Franz-Lothar Altmann: A deterioração da situação eleva o temor de que as coisas possam fugir totalmente do controle e desencadear uma guerra civil. No atual contexto, forças extremistas albanesas podem se sentir encorajadas a realizar ações terroristas para desestabilizar o país. Isso abriria as portas para o total desmoronamento do Estado e, eventualmente, a separação da parte albanesa. A União Europeia precisa intervir como mediadora. Caso contrário, a já frágil democracia macedônia pode virar uma catástrofe nacional.

O governo do conservador Nikola Gruevski resgata o fantasma da intervenção estrangeira no país, onde um quarto da população tem origem albanesa. Ele acusa antigos radicais do Exército de Libertação do Kosovo de se entrincheirarem perto da fronteira com a Sérvia. Como você avalia esse momento?

Mazedonien Unruhen Polizei

Mais de 20 mortos nos confrontos do fim de semana

Não podemos descartar que a situação possa sair do controle, com consequência não só para a Macedônia, mas para os vizinhos também. A minoria albanesa pode, inclusive, fazer uma maior pressão pela separação, envolvendo Kosovo e a Albânia. É um mistério por que o atual governo, conservador, está arriscando pôr a sociedade e o país em colapso. As interpretações do governo em relação a violações claras dos direitos civis básicos não encontram aceitação no exterior.

A oposição divulgou gravações que, entre outras coisas, mostrariam que o governo grampeou comunicações de 20 mil pessoas ilegalmente. O que se pode esperar dos próximos dias?

A oposição alega agora que o governo quer desviar a atenção e vender à população a ideia de que os albaneses representam um risco para o Estado. E, com isso, o governo pretende dizer: vocês (a oposição), com suas ações, fizeram com que agora os albaneses também estejam contra o governo; vocês são corresponsáveis ao acusarem o governo de ser antidemocrático e de cercear a imprensa.

A liderança opositora pretende, nos próximos dias, divulgar gravações que mostram que o governo põe os albaneses sob pressão. Para o dia 17 de maio está planejada uma grande manifestação da oposição contra o governo. Ou seja, no domingo a situação pode se tornar bastante crítica, se os albaneses também aderirem. E, sobretudo, se a polícia responder com a mesma força dos últimos dias.

Na semana passada, o ministro das Relações Exteriores alemão, Frank-Walter Steinmeier, visitou os Bálcãs, mas não a Macedônia. Depois, diplomatas foram citados pela imprensa demonstrando preocupação com a instabilidade regional. O que a UE pode fazer para ajudar?

Estou realmente preocupado com os atuais desenvolvimentos na Bósnia, na República Sérvia [uma das duas entidades políticas em que está dividido país], e na Macedônia. Mas não há muito que a União Europeia possa fazer, não podemos esperar nada além de apelos. O único instrumento do bloco no momento é a perspectiva de adesão, mas isso, nos dois casos, é pouco.

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