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Cultura

Músicos lutam contra a censura imposta pelos terroristas no Mali

A música foi uma das primeiras vítimas dos militantes islâmicos no norte do país africano, e muitos músicos deixaram a região. Reunidos na capital Bamaco, eles tentam manter sua arte viva.

Uma pequena plateia aguarda ansiosa a apresentação do músico Yacouba Sissoko, que acaba de subir ao palco do bar Pili Pili com sua kora, uma harpa-alaúde com 21 cordas. O pequeno bar no coração de Bamaco, capital do Mali, é conhecido não só por sua tradicional comida africana, mas também pelos shows dos músicos mais conceituados do país.

A música foi uma das principais vítimas dos terroristas que ocupam o norte do Mali. Zouzou, um cantor da cidade nortista de Gao, é um dos muitos músicos que migraram para Bamaco depois que militantes ligados à Al Qaeda tomaram a região, no ano passado. Os islâmicos baniram todo o tipo de música na região – até toques de celular.

Mali Timbuktu Ansar Dine Islamisten Gruppe Mausoleum

Militantes Islâmicos tomaram o norte do Mali e instituíram novas leis

"É uma situação horrível porque sou do norte. Meus pais ainda vivem lá. Eles estão sofrendo. E também a música está sofrendo", disse Zouzou à DW.

Os militantes têm fortes laços com gangues criminosas e traficantes de drogas e armas. E eles são movidos por princípios religiosos. A lei islâmica é praticada de forma extrema. Apedrejamentos e amputações já aconteceram na região. Antigas mesquitas de barro e locais declarados patrimônio da humanidade foram destruídos, pois os islamitas os declararam proibidos pelo Islã. Toda a música feita no mundo ocidental foi banida.

"É como estar na cadeia, sem nenhuma liberdade. É preciso liberdade para se sentir um ser humano", disse Zouzou. "Isso não é certo".

Fim do festival no deserto

Depois da proibição, músicos da região começaram a receber ameaças de morte. A situação colocou um fim no famoso Festival no deserto, que ocorria anualmente em Timbuctu, no norte do país, desde 2001.

Flüchtlinge in Mali

Muitas famílias deixaram suas casas em direção ao sul do país

"Estamos muito tristes", disse Manny Ansar, um dos organizadores do festival, "porque começamos a construir algo muito importante para Timbuctu e para o Mali. Parar com essa iniciativa é algo realmente muito prejudicial".

Ansar é de Timbuctu e vem de uma família de pastores nômades que percorrem as enormes dunas ao norte da cidade. Ele também recebeu ameaças de morte e não pode voltar para casa.

Mas ele não desistiu e está organizando o festival em um novo local e com um novo nome. Festival do deserto no exílio será uma caravana de artistas viajando pela África Ocidental, culminando em um evento de três dias em Burkina Faso. "Não podemos lutar contra eles com armas. Nossa única maneira de lutar é com nossa cultura, nossa música", disse Ansar.

Rap como reconciliação

No bar Pili Pili, Amkoullel sobe ao palco. Ele é um dos rappers da nova geração, que incorpora instrumentos tradicionais, como a kora ou o djemb (espécie de tambor), à sua música. Há dois anos, o artista de 33 anos foi o primeiro rapper a se apresentar no Festival no deserto, em Timbuctu.

Suas músicas falam de orgulho, imigração e respeito. Ele já se apresentou em diversos lugares do mundo, junto com os lendários cantores malinêses Salif Keita, Ali Farka Touré e Toumani Diabaté.

Mali Musik

O cantor Zouzou teve que se exilar na capital Bamaco

No seu projeto Plus Jamais Ca (nunca mais algo assim, em francês), ele reuniu rappers, ativistas e amigos para pressionar a comunidade internacional a intervir no Mali. Assim surgiu o vídeo SOS, que chamou a atenção das autoridades malinesas.

Lançado oito meses antes do golpe militar de março passado, o vídeo mostra imagens de homens armados, mulheres abandonando suas casas e pessoas marchando.

Amkoullel disse que escreveu a música para chamar atenção das autoridades e tentar pôr um fim ao que está acontecendo no Mali. Mas a música foi banida da mídia controlada pelo governo e ele vem recebendo ameaças de morte.

"Eu não falei nada de errado sobre o governo. Não entendo do que eles têm medo", disse o rapper à DW. "Mas vou continuar fazendo o que tenho que fazer, esse é meu papel como artista", completou.

Como Ansar e outros músicos que se apresentam no Pili Pili, Amkoullel não acredita que a música no Mali vai parar de tocar. Ele concorda que ela foi silenciada no norte do país, mas diz que a música está tão enraizada na vida dos malineses que ela nunca vai desaparecer.

Autor: Tamasin Ford (mas)
Revisão: Alexandre Schossler

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