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Cultura

Música de contrastes

O compositor Marcos Valle está em turnê pela Europa apresentando o disco "Contrasts". O músico, que faz seu último show na Alemanha em Berlim, falou à DW-WORLD sobre sua carreira e o público europeu.

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Marcos Valle: "Gosto muito do público alemão"

Um dos poucos artistas brasileiros com uma carreira internacional consolidada, Marcos Valle é mais conhecido na sua terra natal pela composição Samba de Verão, que faz parte do seu segundo álbum, lançado em 1965. Rebatizada como So Nice ( Summer Samba), a música foi também um grande hit nos Estados Unidos, onde foi regravada mais de 80 vezes.

Contrasts, o novo CD, traz influências de samba, bossa nova, frevo, jazz e funk, sem deixar de lado os elementos de música eletrônica que, desde o início dos anos 90, caracterizam a música de Marcos Valle. Na Alemanha, a turnê do novo disco já passou por Dortmund, Hanôver, Kiel, Aalen e Munique. O último show no país acontece nesta quarta-feira em Berlim.

Você gostou do público alemão?

Muito. Eu já tinha tocado outras vezes aqui na Alemanha. Em Hamburgo, por exemplo. E sempre o público é muito receptivo, muito bom. Em todos os lugares que nós tocamos a reação do público alemão é a melhor possível.

Você percebe uma diferença entre o público inglês e alemão?

Não, porque tanto o público alemão quanto o inglês normalmente fica em pé, dançando. Ao mesmo tempo eles estão muito atentos às improvisações que eu faço e a cada solo do instrumento, como se tivessem muito conhecimento da minha música. Eu senti uma energia e, sinceramente, isso foi muito bom. Eu senti isso tanto na Inglaterra como na Alemanha.

A moda Brasil

A música e a cultura brasileira estão muito em moda na Alemanha – beber caipirinha, usar camisetas com a palavra “Brasil” ou da Seleção, ouvir música brasileira e fazer capoeira. Você têm uma explicação para isso?

Eu não sei dizer exatamente. Talvez os grandes veículos responsáveis por isso tenham sido o futebol e a música. O povo alemão, que eu até conheço um pouco porque o meu avô era alemão, aparentemente não é assim tão aberto como o brasileiro. Mas eu acho o povo alemão muito alegre, sempre brincando, sempre rindo. Talvez ele tenha uma certa identidade com a alegria do povo brasileiro e, por meio da música e do futebol, eles tenham se aproximado.

Influências diversas

Como você descreveria o disco "Contrasts" em poucas palavras?

Eu diria que é um disco de um artista brasileiro que tem um estilo próprio porque ele tem influências diversas. As influências não são só do samba, mas também da bossa nova, do baião, do frevo, do jazz e do funk da música negra americana. Nesse disco o artista apresenta essa mistura. Ao mesmo tempo o disco é bem brasileiro porque quase todas as músicas foram gravadas com violão exatamente para manter o toque brasileiro. O disco também tem um toque da música eletrônica porque existem batidas eletrônicas sutilmente colocadas. É um disco bem moderno, mas que apresenta características também da música dos anos 60 e 70.

Por que o título é em inglês?

Por vários motivos. Em primeiro lugar eu queria usar um nome que fosse reconhecido internacionalmente. O brasileiro fala contrastes, o americano fala contrasts, que na Europa todo mundo entende e vai falar. É um nome fácil de ser falado, como eram Escape e Nova Bossa Nova. Em segundo lugar porque a minha música é feita de contrastes. Em terceiro lugar, em algumas letras eu falo dos problemas sociais do Brasil, por exemplo em Que que tem. O Brasil é um país de contrastes sociais grandes, de um lado a riqueza e do outro a pobreza, de um lado uma alegria muito grande, mas ao mesmo tempo muitos problemas sociais. Então eu pensei que esse nome seria ideal para o disco.

Amor difícil

O disco tem também canções de amor. Você fala de um amor não realizado e de uma mulher difícil (Disfarça e Vem, Nêga do Balaio, My Nightingale, Passatempo). Por que você escolheu esses temas?

Em Disfarça E Vem eu vou pedir ajuda para os santos. A letra do Ronaldo Bastos fala de um amor não realizado para poder usar a coisa da Mãe Menininha da Bahia. Tanto nessa letra como em Nêga do balaio ele escolheu esse tema para poder mencionar os santos protetores e as coisas características da Bahia, a quem você vai pedir alguma coisa em seu favor, como por exemplo ajuda com o amor. Já o Que Que Tem não é uma música de amor. Eu falo “o que adianta eu ser feliz e você não ser”, mas cantando do povo como se fosse o rico falando para o pobre. O disco também tem outras músicas, mais alegres. Valeu, com a Joyce, é uma forma de olhar a vida positivamente, de pensar que a vida valeu mesmo e que tem só um trem que vai e que não volta. Água de Coco fala bem das coisas do Brasil. Passatempo, que foi feita pelo meu irmão, Paulo Sergio, também fala de um amor não realizado. Mas é uma coincidência esse disco ter três letras falando de um amor dificil.

Mercado europeu

Você faz mais sucesso no Brasil ou na Europa?

No momento, a Europa é o mercado mais interessante para mim. A partir do momento em que descobriram as minhas músicas na Europa, no final dos anos 80, elas passaram a ter mais público lá. A música no Brasil estava caminhando para um outro lado, as rádios estavam tocando músicas mais comerciais. Enquanto isso, as minhas músicas estavam tocando na Europa, o que de uma certa maneira acabou ajudando a minha carreira no Brasil. Os meus discos foram lançados também no Brasil, as críticas foram muito boas e as novas gerações, que começaram a ver que a minha música estava atraindo as gerações novas da Europa, começaram a se interessar também. Eu tenho feito parcerias com vários compositores brasileiros de novas gerações, como o Ed Motta, o Lulu Santos, o Max de Castro, o pessoal do Cidade Negra.

A bossa eletrônica

Você começou tocando bossa nova. Quando você começou a misturar a bossa nova com a música eletrônica (drum’ bass + drum’n bossa)?

A minha música sempre foi uma mistura. A ligação com a música eletrônica surgiu quando a minha música começou a ser apreciada pelo público europeu jovem. Eles, além de tocar as gravações originais, começaram a fazer remixagens eletrônicas. Eu achei muito interessante o que eles fizeram, principalmente em Londres. Quando eu fui gravar meu primeiro disco para a Far Out Recordings, chamado Nova Bossa Nova, o co-produtor do disco me perguntou se eu gostaria de compor alguma coisa com uma batida eletrônica. Como eu gosto muito de ritmo, aceitei. O resultado foi muito positivo.

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