1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Brasil

Mídia europeia reage com desconfiança a ajuste fiscal

Publicações dizem que cortes em programas sociais e volta da CPMF podem incitar a indignação por parte da população brasileira. E lembram que propostas são difíceis de serem implementadas, já que dependem do Congresso.

default

Levy e Barbosa anunciaram o novo pacote fiscal

As medidas de austeridade anunciadas na segunda-feira (14/09) pelo governo brasileiro foram tema da mídia internacional. Para publicações europeias, os cortes, que totalizam 26 bilhões de reais, inclusive em programas sociais, e o possível retorno da CPMF podem aumentar a indignação por parte da população.

A versão online da revista alemã Der Spiegel destaca que a "economia no Brasil está fortemente arranhada". O site diz que, após o rebaixamento da nota do país pela agência de classificação de risco Standard & Poor´s (S&P), o governo reagiu e lançou um gigante pacote de medidas de austeridade com cortes também em áreas sociais.

"Principalmente os programas sociais foram até agora o símbolo do Partido dos Trabalhadores, que governa há 12 anos", afirma. Os cortes, diz a revista, teriam o objetivo também de evitar outras agências reduzam a nota do Brasil.

O jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung (FAZ) escreve que a economia brasileira patina. O diário lembra que, há poucos anos, com seu alto crescimento econômico, o Brasil era considerado uma das estrelas entre as economias emergentes. "Mas a sétima maior economia do mundo escorregou em uma recessão", escreve.

O britânico The Guardian destaca que a maior medida anunciada foi o "renascimento" da impopular CPMF, que poderá arrecadar 32 bilhões de reais no próximo ano caso seja aprovada pelo Congresso. "A economia brasileira está em recessão, e as dificuldades econômicas têm contribuído com a queda da popularidade da presidente Dilma Rousseff para um dígito."

A publicação afirma que, após o corte da S&P, há a expectativa de que outras agências de classificação de risco sigam o exemplo. O rebaixamento da nota para o grau especulativo por uma segunda agência deverá fazer, segundo o jornal, com que muitos fundos de pensão estrangeiros e outros grandes investidores se desfaçam de títulos da dívida brasileira.

O jornal britânico The Financial Times (FT) escreve que as propostas, que analistas consideram difíceis de serem colocadas em prática, representam a terceira vez que o governo Dilma muda seus objetivos referentes ao superávit fiscal de 2016, considerado um indicador fundamental para a saúde das finanças públicas brasileiras. Para a publicação, Dilma precisa restaurar a confiança na economia em meio a uma profunda recessão e o crescente pedido de impeachment "apenas oito meses após o início de seu segundo mandato".

O jornal econômico alemão Handelsblatt afirma que existe a ameaça de saída de investidores caso os títulos da dívida brasileira não sejam mais considerados investimentos seguros e, assim, o financiamento do setor público deverá ficar mais difícil. A publicação lembra que, atualmente, o Brasil tem que pagar 5,6% de juros para empréstimos com o prazo de dez anos. Na Alemanha, eles são de 0,67%. "Assim, Rousseff é forçada a realizar reformas."

O periódico escreve ainda que o país sofre por causa da inflação de quase 10% e uma recessão – aos quais se juntam um escândalo de corrupção e a oposição do Congresso, que tem que aprovar as medidas de austeridade. A publicação lembra que, enquanto os brasileiros têm menos dinheiro e a taxa de desemprego aumenta, para turistas europeus e americanos está mais barato viajar ao Brasil, já que o euro e o dólar se valorizam há semanas frente ao real.

O jornal francês Le Monde intitulou sua matéria como "O Brasil mergulha na austeridade". "Atolado em uma crise política e econômica e num vasto escândalo de corrupção na Petrobras que respinga na coalizão de centro-esquerda no poder, a presidente Dilma Rousseff também vai cortar programas sociais, vitrine do Partido dos Trabalhadores, no poder há 12 anos", afirma o periódico.

Leia mais