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Alemanha

"Mídia deixa-se instrumentalizar por seqüestradores"

Seqüestradores no Iraque fazem exigências e ameaças ao governo alemão pela internet. DW-WORLD decidiu não mostrar imagens e entrevistou especialista para saber sobre a instrumentalização da mídia em casos de seqüestro.

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Força-tarefa do Ministério do Exterior trabalha no caso do seqüestro

Através de vídeo divulgado pela internet e pelos canais de televisão Al Jazira e Al Arabiya, no último final de semana, seqüestradores de dois cidadãos alemães no Iraque, membros do pouco conhecido grupo extremista Brigada das Flechas da Probidade, ameaçam executá-los, caso o governo de Berlim não inicie a retirada de seus soldados do Afeganistão nos próximos dez dias.

Em uma segunda mensagem de vídeo, divulgada no sábado (10/03), um grupo intitulado Voz do Califado, suposto braço da organização terrorista Al Qaeda, advertiu que "a Alemanha estaria passível de outras ameaças e perigos, se não retirar suas tropas do Afeganistão". Segundo o vídeo, os austríacos, que têm atualmente quatro oficiais estacionados em Cabul, também estariam na mira dos terroristas.

Especialistas não descartam a teoria de que os seqüestradores querem agora somente fazer pressão para, mais tarde, possivelmente exigir um resgate. No Iraque, desenvolveu-se uma verdadeira "indústria de reféns". DW-WORLD decidiu não mostrar imagens dos vídeos de seqüestro dos dois alemães. Em entrevista, o cientista político Herfried Münkler explica por que acha acertada esta decisão.

DW-WORLD: No vídeo divulgado no último sábado em página de internet islamita, a refém alemã apela por ajuda, chorando, à chanceler federal alemã, Angela Merkel. Para a mídia, continua a pergunta: até que ponto se deve relatar sobre vídeos de reféns? A maioria dos meios de comunicação mostra partes dos vídeos. DW-WORLD se recusou a tal. Qual a decisão certa?

Herfried Münkler: A informação sobre o seqüestro e o destino dos reféns é uma coisa. O meio da imagem é outrO. Ele é utilizado para exercer pressão sobre a sociedade de onde provêm os seqüestrados. É decisão inteligente quando a mídia se recusa a jogar este jogo, quando ela entende que, neste contexto, imagens publicadas são como armas que servem aos interesses dos seqüestradores.

No caso, não teria sido melhor não mostrar a suplicante senhora e seu filho chorando e ter escolhido uma imagem neutra?

Quando se quer, definitivamente, mostrar imagens, isto faria sentido. Muitos daqueles que planejaram tais ações, no início da indústria de seqüestros, utilizaram manuais norte-americanos de tecnologia da comunicação para pressionar governos que, por razões de segurança nacional, não querem negociar com seqüestradores ou que queiram negociar por um longo período de tempo para testarem as condições impostas.

Para tal, imagens são mostradas ao público e o governo aparece como inumano e sem coração. Resumindo, os meios de comunicação e aqueles que acreditam que têm que, impreterivelmente, publicar tais imagens, acabam por aumentar a pressão sobre seu próprio governo, agindo assim de forma contraproducente.

Quase todos os meios de comunicação publicaram tais fotos. Sem querer, eles beneficiam os seqüestradores e são instrumentalizados?

Sim, isto deve ser visto com esta clareza. Os meios de comunicação são instrumentalizados para que se aumente a pressão relativamente pequena que os seqüestradores podem exercer. Existem tantos canais de TV e ainda a internet, de forma que um governo não tem mais controle sobre a questão da tecnologia de informação e imagem. Neste caso, trata-se da decisão individual de cada meio de comunicação abdicar dos efeitos das imagens e não jogar o jogo dos seqüestradores.

Neste contexto, até que ponto a internet é problemática?

A internet é, pelo menos em parte, a forma pela qual terroristas e seqüestradores lançam seus vídeos. A clássica forma de fazer chegar um vídeo a um canal de TV não é mais necessária. Mesmo que os meios de comunicação rejeitem, é claro que as imagens serão mostradas – elas estão à disposição na internet, que não se pode controlar.

Muitos argumentam que há um interesse público de ver de quem se trata no vídeo...

O interesse público, se ele realmente existe, pode ser satisfeito através da menção de um nome. Para tal, não se precisa ver o rosto.

Quais as razões que o senhor vê para este seqüestro?

Classicamente, é sempre diferenciado entre motivos políticos e criminosos. Já há algum tempo, a situação no Iraque é de forma tal que esta diferenciação não mais funciona e estes motivos se entrelaçam. Pelo lado dos negociadores alemães, há sempre a esperança de que os seqüestradores estejam, acima de tudo, interessados em dinheiro. De que, quando lhes for dado dinheiro, eles libertarão os reféns. De que, através das imagens de terror nas nossas cabeças, se trata somente de conseguir dinheiro. Neste sentido, pode-se ter certa esperança, mas a certeza só virá com a resolução da situação.

Herfried Münkler, cientista político na Universidade Livre de Berlim, publicou uma série de livros de grande reconhecimento, entre eles, As Novas Guerras e, recentemente, Impérios. A Lógica do Domínio Mundial.

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