Mídia comenta proibição de organização de extrema direita na Alemanha | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 01.04.2009
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Alemanha

Mídia comenta proibição de organização de extrema direita na Alemanha

Decisão do ministro alemão do Interior de proibir associação de extrema direita que aliciava crianças para suas fileiras desencadeia reações da mídia. Proibição já deveria ter sido imposta antes, apontam jornais.

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Acampamento da organização de extrema direita: fachada de lazer

O Ministério alemão do Interior proibiu nesta terça-feira (31/03) a associação de extrema direita Heimattreue Deutsche Jugend (HDJ), cuja sigla significa Juventude Alemã Fiel à Pátria.

O primeiro passo para a proibição foi dado já no segundo semestre do ano passado, quando o Ministério fez uma busca em todas as ramificações da associação pelo país e encontrou, entre outros, objetos com suásticas em suas sedes.

Os estados alemães de Brandemburgo e Berlim são considerados os principais focos de ação da associação, fundada em 1990, embora ela esteja presente também em outras regiões da Alemanha.

Para o jornal berlinense Der Tagesspiegel, o acampamento da associação na região montanhosa do Harz, por exemplo, no interior do país, é prova de uma ação "extremamente conspirativa" da organização. Segundo o jornal, nos tais campos onde crianças eram aliciadas havia "vigilantes, ou seja, jovens que carregavam cacetetes debaixo de seus casacos e garantiam a 'segurança' do local noite e dia".

Disciplina militar e doutrinação

"Com barracas, noites de cantoria e festas populares, a Juventude Alemã Fiel à Pátria atraiu crianças a partir dos sete anos de idade. Para fora, os eventos deveriam dar a impressão de um romantismo à beira da fogueria, mas, no fundo, havia disciplina militar e doutrinação", explica o diário Die Welt ao comentar a atuação da associação, cujo nome remete à organização jovem hitlerista Hitlerjugend (HJ).

"Na intenção de impedir uma educação infantil organizada pelos neonazistas", observa o jornal, "a proibição da associação é apenas um meio simbólico. Mais do que isso, são necessários conceitos pedagógicos. Quem diminui as verbas para isso, acaba economizando no lugar errado. Assustador em organizações como a HDJ é, acima de tudo, o fracasso dos pais. Contra tal falta de responsabilidade, qualquer proibição é vã".

Mais prevenção

O diário berlinense taz, die tageszeitung, acentua que o papel das mulheres é essencial dentro da organização neonazista. "Elas não abandonam suas formas de comportamento nem fora dos encontros, só usam saias e têm tranças no cabelo, dão nomes germânicos e que soam nórdicos a seus muitos filhos, evitando anglicismos a qualquer custo."

O jornal cita ainda Reinhard Koch, diretor de uma organização de combate ao extremismo de direita e à violência da cidade de Brauschweig, para quem a organização já deveria ter sido há muito proibida, "nem que fosse apenas pelo bem-estar das crianças". Mesmo que autoridades e partidos políticos temam que agora surja "uma oferta paralela de educação de direita". Para evitar isso, lideranças de várias facções exigem do governo "mais prevenção".

Segundo o Süddeutsche Zeitung, políticos do Partido Liberal (FDP) e dos Verdes salientaram que a decisão do ministro Schäuble é um passo que já teria que ter sido dado há muito tempo. Ambas as facções exigem, segundo o jornal, "uma educação política mais sólida, bem como maior diversidade de atividades de lazer para adolescentes", a fim de coibir a atuação de associações como a HDJ.

Ideias nazistas e racistas

De acordo com o Ministério do Interior, assinala o diário Frankfurter Allgemeine Zeitung, "as crianças e adolescentes nas colônias de férias da HDJ eram doutrinadas com ideias nazistas e racistas".

Além disso, o jornal lembra que a associação mantém ligações com o NPD, partido de extrema direita, cujas tentativas de proibição no país já provocaram diversas polêmicas. Num dos eventos organizados pela associação em Blankenfelde, no estado de Brandemburgo, três jornalistas foram feridos, lembra o jornal de Frankfurt.

Revisão: Rodrigo Rimon Abdelmalack

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