Mídia alemã analisa mostra sobre os ″Trópicos″ | Cultura europeia, dos clássicos da arte a novas tendências | DW | 22.09.2008
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Cultura

Mídia alemã analisa mostra sobre os "Trópicos"

Exposição sobre os trópicos em Berlim atrai atenções da mídia, que especula sobre os caminhos a serem seguidos para a formação na capital alemã do planejado Fórum Humboldt, aberto a culturas não européias.

default

Artista alemão Marcel Odenbach observa 'Candomblé', obra de Maurício Dias e Walter Riedweg, na mostra de Berlim

Trópicos alegres ou tristes

"A exposição mostra quão complicado um projeto como esse é e quanto tempo e espaço seriam necessários para tratar de megaassuntos como esse. Um pequeno salão reservado para o barroco tropical, com portraits incas e fotos de uma igreja brasileira feitas por Candida Höfer, deixa o visitante insatisfeito e aguça a curiosidade em relação à migração das formas barrocas. Também o conceito teórico da mostra parece às vezes disparatado: quer-se, por um lado, reestetizar o olhar sobre os trópicos, encontrando na região aspectos formais comuns, e, por outro lado, procura-se desconstruir essencialismos e estereótipos. Algumas das obras feitas especialmente para a exposição suscitam a sensação de que os artistas contemporêneos sim, mais uma vez, sucumbem aos clichês dos trópicos alegres ou tristes." ( Die Zeit)

Curadoria: experimento e apuro

"É claro que a mostra em Berlim corre, devido a esse método associativo tão radical, o risco de podar contextos de forma brutal e, acima de tudo, o de reduzir a arte pré-moderna à decoração. No entanto, mesmo diante de todo o prazer do experimento, o apuro da curadoria da equipe interdisciplinar consegue, no fim, sustentar a mostra. E assim essa exposição dos trópicos se torna, talvez, um primeiro reconhecimento de terreno em direção a novas formas de exposição, que serão imprenscidíveis para o grande projeto do Fórum Humboldt como local de encontro entre as culturas do mundo." ( Frankfurter Rundschau)

Liberta do gesto colonial

"Esta exposição, que confronta 200 peças de primeira linha das coleções do Museu Etnológico de Berlim com obras de 40 artistas contemporâneos, é ao mesmo tempo tentativa e protótipo: mais ou menos parecidas deverão ser as exposições crossover no planejado Fórum Humboldt, que deverá ocupar o reconstruído Castelo de Berlim (Berliner Stadtschloss) com coleções de além-mar. Mais ou menos desta forma é que a Fundação Patrimônio Cultural da Prússia deverá marcar presença internacional. Distante da antiga tradição etnológica, liberta do gesto colonial. Esse futuro começou ontem." ( Hamburger Abendblatt)

Novas associações

"A exposição excluiu aspectos políticos. 'Queríamos mostrar que os trópicos, além de cenários em crise e debates sobre a pobreza, também podem oferecer outra coisa. A região é sempre associada a catástrofes, miséria e danos ao meio ambiente. A arte pode mostrar o que é sempre relegado a segundo plano', diz Alfons Hug. Uma reestetização dos trópicos é o objetivo declarado dos curadores." (Berliner Morgenpost)

Formação universal

"O exuberante programa paralelo da exposição sobre os trópicos não deixa dúvidas sobre suas metas. O grande mérito desta mostra é tornar literalmente evidente o conceito da formação universal, tornando-o esteticamente muito atraente. É assim. A caminho do Fórum Humboldt, é mesmo bom se preservar de debates teóricos inflamados." ( Die Welt)

Seguindo a documenta

"Na seção com curadoria de Viola König, estão dependurados vestidos da Guatemala e da Tailândia lado a lado, só porque possuem desenhos semelhantes. Uma perpetuação evidente do conceito da última documenta, que, apesar de todo o discurso emancipatório, se esgotou numa comparação formal infundada. Na documenta foram dependurados os difíceis desenhos da artista inuit Annie Pootoogook ao lado do coelho da páscoa, que [o artista alemão] Peter Friedl rabiscou na infância. Para o novo castelo [futura sede do Fórum Humboldt], seria fatal uma ignorância como esta. Ali, a coleção terá que se afirmar frente à fachada barroca reconstruída, ou seja, frente a um estilo que, em sua forma espanhola é tido, na América do Sul, como a síntese da ambição dominante ocidental." ( Süddeutsche Zeitung)

Leia mais