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Cultura

Mídia árabe ignora Feira de Frankfurt

A maior feira de literatura do mundo abriu suas portas. Mas, no Egito, como em muitos países árabes, o interesse pela participação no evento é praticamente inexistente. Nos jornais, a repercussão é quase nula.

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Cartaz num ônibus em Frankfurt chama a atenção para o tema da feira

Quem tentar conversar com um egípcio, por exemplo, sobre a Feira do Livro de Frankfurt, especialmente sobre a representação dos países árabes no evento, muitas vezes tentará em vão. Isso deve-se a muitos problemas. O principal deles é que, à exceção do Alcorão e de colunas sociais, os egípcios raramente lêem.

Literatura é um luxo pelo qual poucos podem pagar e um entusiasmo que justifique os gastos em literatura acaba sendo afetado por outros males: o fraco sistema de distribuição de livros, o baixo número de livrarias com um sortimento razoável, o ensino mecânico da literatura nas escolas e a ubiqüidade da televisão por satélite. Isso sem falar no alto índice de analfabetismo – cerca de 30 a 40% dos egípcios não sabem ler.

Mesmo assim, muitos deles possuem uma opinião formada sobre a feira – antes pelo seu significado político que pelo literário. Pois o que está em jogo é a imagem do mundo árabe e do Islã. Na maioria das vezes, eles guardam um certo ceticismo e desconfiança quanto a instituições oficiais, inclusive às que organizaram a Feira do Livro em Frankfurt.

No geral, trata-se de uma combinação de teorias conspirativas com o desejo de ter, pelo menos uma vez, uma apresentação perante a opinião pública da qual se possa orgulhar, que mostre os árabes de maneira positiva e reconheça sua cultura.

Ceticismo e desconfiança

O contador Karim al-Azzab teme que os países árabes sejam outra vez representados como atrasados em relação ao Ocidente. "Eles mostrarão todos nossos defeitos, censura, ausência de democracia, fanatismo, falarão que somos retrógrados e criticarão a situação da mulher nos países árabes." Para ele, o Ocidente irá, mais uma vez, distribuir notas como um professor.

Schriftsteller und Nobelpreisträger Naguib Mahfouz

Escritor egípcio Nagib Mahfuz, Nobel de Literatura em 1988

Como muitos egípcios, o engenheiro de telecomunicações Muhammad Samir nem escutou muito a respeito da feira. "A cobertura na nossa mídia foi miserável e não contribuiu muito para despertar o interesse da nossa gente", disse. Nos jornais que ele lê e nos sites que ele visita, não houve até agora praticamente nada sobre o evento. Mesmo assim, ele considera a feira uma boa oportunidade para corrigir a má impressão que o Ocidente tem dos árabes. "Mas minha experiência diz que provavelmente não conseguiremos."

A advogada feminista Hala Abdel Qader espera que seja possível mostrar a identidade especial que os árabes possuem. "As mulheres árabes são normalmente mal representadas no Ocidente", explica. "Esta imagem já está muito difundida na literatura ocidental e espero que possamos corrigi-la, sem omitir verdades desagradáveis."

Seu ceticismo, explica, seria devido aos parceiros árabes envolvidos na organização do evento. "A partir do momento em que uma instituição árabe participa, o sucesso está impossibilitado." Para ela, seria necessária a participação de organizações e intelectuais independentes, pois a Feira de Frankfurt é um parceiro de confiança e o mundo árabe deveria aproveitar sua neutralidade.

Menos estatais, mais independentes

Magdi Hussein, secretário geral do Hizb al-Amal, o Partido Islâmico do Trabalho, também critica a forte presença de organizações estatais. "A Liga dos Países Árabes é o pior embaixador possível para os povos árabes. Nem um único projeto que eles organizaram deu certo", criticou. "Eu esperava que houvesse um diálogo entre povos. Deveria haver contato entre pessoas e não entre governantes."

Frankfurter Buchmesse 2004

Problemas de comunicação não se resolvem sempre com o dicionário

Hussein aproveitou também para criticar a proibição pela Alemanha da conferência islâmica, que deveria acontecer em Berlim no começo de outubro. "O que podemos esperar da Alemanha, quando uma conferência que buscava apoiar a resistência no Iraque e nos territórios palestinos ocupados é proibida? Será que eu tenho que mudar minha ideologia para ser ouvido?"

Durante um encontro com a imprensa no Instituto Goethe do Cairo, um participante solicitou à ministra conselheira da embaixada alemã, Brita Wagener, que a Alemanha representasse os árabes de modo "correto". Wagener respondeu: "A feira lhes dá a chance de se representar como vocês se vêem. Nós não podemos falar por vocês."

Entre os dias 5 e 10 de outubro, cerca de 200 escritores do mundo árabe marcam presença na feira, que concentra as atenções do meio literário internacional e da qual participarão 110 países. Estão sendo esperados cerca de 290 mil visitantes de todo o mundo.

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