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Economia

Métodos conflitantes confundem estatísticas de desemprego juvenil na UE

Números produzidos em alguns países-membros, como Grécia e Espanha, apontam para cerca de 50% de desemprego entre jovens. Agência europeia, no entanto, indica indíces bem mais baixos, porém ainda alarmantes.

"Não confie em nenhuma estatística que você mesmo não tenha falsificado." A frase, atribuída – embora, ao que consta, falsamente – a Winston Churchill, pode aplicar-se ao dilema dos números sobre o desemprego juvenil na União Europeia. Os dados em circulação, pelo menos em parte, se contradizem.

A origem da confusão é o fato de que cada um dos Estados-membros do bloco produz estatísticas nacionais sobre o mercado de trabalho. Ao mesmo tempo, há os números da agência europeia de estatísticas Eurostat. E, devido às estruturas diversas dos países e a suas diferentes definições de desemprego, os dois resultados não são comparáveis.

Assim, quando a imprensa noticia repetidamente que, segundo a Eurostat, em países como a Grécia ou a Espanha mais da metade dos jovens está desempregada, trata-se de uma interpretação equivocada dos dados. No entanto, ela se mantém com tanta tenacidade na opinião pública e na mídia que a agência europeia se viu obrigada a fornecer uma interpretação correta – a própria Eurostat emprega duas formas diferentes de medir o desemprego.

A Grécia, por exemplo, possui cerca de 1 milhão de habitantes entre 15 e 24 anos de idade. Destes, no entanto, apenas menos de um terço (310 mil) pertencem ao grupo das pessoas profissionalmente ativas. Dentre elas, cerca de 170 mil – ou seja, mais da metade – se encontram, de fato, sem ocupação. Isso resulta, portanto, numa quota de desemprego de 55% para essa faixa etária.

Porém os outros dois terços – que frequentam a universidade ou cursos de formação profissional e não têm ainda atividade profissional – são considerados separadamente nas estatísticas. Deste modo, do total dos jovens gregos entre 15 e 24 anos, apenas 16% – portanto um em cada seis – está efetivamente sem trabalho.

Ainda assim, um problema social

Os valores da Espanha – outro país europeu em crise frequentemente citado – também se modificam correspondentemente aplicando-se esse método. Lá, a quota dos que não encontram emprego entre os jovens profissionalmente aptos é de 53,2%. No entanto, esse subgrupo representa apenas 20,6% do total dos espanhóis entre 15 e 24 anos.

A discrepância entre a porcentagem geral e específica é muito maior nessa faixa etária do que em grupos de referência mais velhos, pois muitos jovens se encontram em formação, não contando, portanto, entre as pessoas aptas para o mercado de trabalho.

"Os números continuam sendo dramaticamente elevados, e quando um entre cada cinco jovens é levado a sentir que não se precisa dele, trata-se de um considerável problema social", alerta Karl Brenke, especialista em mercado de trabalho do Instituto Alemão para Pesquisa Econômica.

Uma diferença importante entre as estatísticas de mercado de trabalho dos órgãos nacionais – como a Agência Federal do Trabalho alemã – e as realizadas pela Eurostat é que esta baseia seus resultados em questionários.

Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), a Eurostat solicita enquetes representativas nos países-membros da UE sempre contendo as mesmas perguntas. Na Alemanha, por exemplo, a tarefa é desempenhada pelos departamentos estaduais de estatísticas.

Symbolbild Spanien Arbeitslosigkeit

Fila de desempregados na Espanha, um dos países mais afetados pela crise

Ou seja, os dados sobre o desemprego juvenil são coletados para a agência europeia através de um microcenso. O Departamento Federal de Estatísticas (Destati) reúne os resultados e os então submete à Eurostat como sendo os números da Alemanha.

Para Karl Brenke, o procedimento provou ser confiável. "Ele é válido, porque [as entrevistas] são realizadas em todos os países segundo os mesmos métodos de apuração; porque as mesmas definições são utilizadas. Desse modo, pode-se comparar o desemprego entre os Estados", afirma.

Duplicação necessária

No contexto europeu do desemprego entre jovens, a Alemanha ocupa uma posição bastante boa: apenas quatro de cada 100 pessoas entre os 15 e os 24 anos de idade estão sem trabalho – o que equivale a uma taxa de 8,1%, coincidindo aproximadamente com os valores apresentados pela Agência Federal alemã do Trabalho.

A porta-voz da instituição, Ilona Mirtschin, não considera redundância o fato de existirem vários órgãos nacionais de estatísticas subordinados ao Eurostat. Pelo contrário, afirma: seria impensável dispensar os dados coletados pelas respectivas agências nacionais, pois estes influenciam diretamente o valor das verbas que cada governo disponibiliza para desempregados.

"A grande diferença entre o cálculo nacional e o internacional é que, segundo a legislação social alemã, só conta como desempregado quem se cadastre como tal junto à Agência de Trabalho." Para a Eurostat, que se baseia em enquetes, basta que alguém afirme estar procurando emprego. Por outro lado, argumenta Mirtschin, não seria viável montar um sistema social estatal com base apenas em tais declarações pessoais.

Os dois diferentes métodos para avaliar o desemprego juvenil deverão continuar existindo, enquanto as legislações sociais dos Estados da UE não estiverem harmonizadas.

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