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Ciência e Saúde

Médicos empregam teias de aranha na cirurgia reconstrutiva

Os índios sul-americanos já conheciam as propriedades curativas das teias de aranha. Ultrarresistente, flexível e biodegradável, a seda da "Nephila clavipes" permite restabelecer fibras nervosas ou tendões rompidos.

Teias de aranha são verdadeiras obras de arte. Num antigo escritório da Faculdade de Medicina de Hannover, 30 dessas estruturas, com até um metro de diâmetro, pendem de galhos altos, encostados nas paredes. No centro de cada uma está pousada uma aranha do gênero Nephila, comum na América do Sul, com as pernas rajadas de negro e medindo um palmo.

Spinne Nephila inaurata Madagaskar

Fêmeas do gênero "Nephila" alcançam um palmo de tamanho

Com habilidade, Christina Allmeling retira da teia uma das aranhas e a leva para a sala ao lado. Debatendo-se, o animal é fixado com uma compressa de gaze presa por pequenos alfinetes, de modo que apenas seu abdômen fique exposto.

Logo Allmeling encontra a ponta do fio de seda e a puxa para fora, explicando que o procedimento não causa qualquer dor à aranha. Então, cola o fio ultradelgado numa espécie de roda de fiar movida a eletricidade, com 30 centímetros de diâmetro.

A pesquisadora liga o aparelho. "A aranha produz seda em uma de suas sete glândulas fiandeiras. Ela própria não tem como interromper essa produção", explica. A quantidade de seda extraída, que pode chegar a até 200 metros, depende, em primeira linha, do tamanho do animal, mas também de sua alimentação.

Dos índios à cirurgia plástica

Diferentes ramos da ciência têm se interessado pelas propriedades dos fios tecidos pela aranha. A cirurgia reconstrutiva, por exemplo, estuda sua aplicação na cura de tendões rompidos e no tratamento de fibras nervosas.

O professor universitário Peter Vogt, diretor da Clínica de Cirurgia Plástica da Faculdade de Medicina de Hannover, aposta nos fios como material de sutura, por possuírem "resistência e flexibilidade muito elevadas e uma superfície extremamente lisa".

Uma das principais vantagens da seda é o fato de ser um material natural, ao contrário do plástico. "Os plásticos não se decompõem. E o quando o fazem, possivelmente desencadeiam reações inflamatórias", completa o professor.

As populações indígenas da América do Sul já se beneficiavam das propriedades da seda das aranhas, ao depositar teias inteiras sobre feridas com sangramento forte. Em geral, no dia seguinte as lesões já estavam curadas.

Eine Spinne Nephila inaurata hängt auf der Insel Rodriguez im Indischen Ozean in einem riesigen Netz Madagaskar Flash-Galerie

Cada aranha produz até 200 metros de seda

Dos carneiros aos seres humanos

Vogt pretende empregar os fios de seda como material high-tech, por exemplo, no caso de lesões nervosas. É comum motociclistas sofrerem de rupturas dos nervos na região do ombro, em consequência de acidentes. A insensibilidade de braços e mãos resultante é geralmente duradoura, pois as novas fibras nervosas não encontram mais o caminho até os membros. A ideia é que fios de aranha implantados nos ombros mostrem aos nervos o trajeto certo.

Uma veia de porco, da qual foram retiradas as células, serve como invólucro biológico, explica Vogt. "Centenas de fios de aranha são colocados nesse invólucro. As fibras nervosas que se formam encontram então o caminho ao longo dos fios." Até mesmo feixes de fibras inteiros se orientam pelos fios de aranha, e assim se unem e se reconstituem.

Em testes com carneiros e primatas, o novo procedimento tem tido resultados positivos. Num próximo passo, os humanos passarão também a se beneficiar da seda da teia das aranhas.

Autoria: Michael Engel/Gudrun Heise (av)
Revisão: Soraia Vilela

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