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Alemanha

Médicos alemães migram para o Reino Unido

Sistema de saúde na Alemanha gera reclamações e insatisfação por parte de jovens recém-formados. Médicos do país tendem a seguir carreira longe de casa.

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Hospitais alemães: falta sensibilidade

Enquanto no Brasil um médico se acostuma com estudos que podem durar quase dez anos e, depois disso, passa a se preocupar em "colecionar" empregos para sobreviver dentro do sistema de saúde nacional, a Alemanha, país conhecido por sua Medicina, vê hordas de médicos migrando para a Inglaterra.

Jovens alemães recém-formados têm deixado de lado a possibilidade de encontrar o "emprego para toda a vida" - uma realidade comum em solo germânico. Ao invés disso, preferem optar pela vida no Reino Unido, onde possuem maior autonomia e podem trocar de trabalho com freqüência ou, pelo menos, quando querem.

Mesmo que para isso tenham que ter passado por uma formação altamente especializada e ainda enfrentar uma competição acirrada. "Embora o Reino Unido receba bem profissionais estrangeiros, os níveis de competição são altos e os interessados podem até passar um longo período desempregados", adverte a Associação das Escolas de Medicina do país.

A mensagem é clara: tente se realmente deseja a mudança, mas não seja tão otimista. Mesmo assim, muitos médicos alemães insatisfeitos têm se arriscado a tentar se estabelecer no sistema nacional de saúde britânico (NHS).

Tudo de bom

Há mais médicos alemães no Conselho Federal de Medicina do Reino Unido do que membros originários de qualquer outro país europeu. Embora não se saiba exatamente quantos destes têm um emprego fixo, 3401 estão registrados para "estagiar" no país. Um número bem alto, se comparado aos 2281 irlandeses, 2053 gregos e 565 franceses na mesma situação.

A migração é evidente, e ela já chegou à mesa de discussões de Ulla Schmidt, ministra alemã da Saúde. "Quando eu converso com jovens médicos, eles dizem e repetem que pretendem trabalhar em equipe. Eles não estão indo embora apenas por razões financeiras, mas também em função de um sistema hierárquico mais flexível e por causa das melhroes condições de trabalho no exterior", afirmou.

É o que comprova Vincent Everard Jerome Braganza, que é inglês e trabalha na Alemanha há 25 anos – o caminho inverso à atual maré. "Médicos na Alemanha precisam fazer uma série de coisas que não precisariam fazer se estivessem na Inglaterra", conta Braganza.

"Aqui, se um paciente chega a um pequeno hospital à noite, é o médico quem abre a porta e carrega a pessoa, quem cuida de assuntos relacionados ao plano de saúde e preenche fichas. É ele quem preenche os formulários de raios X, cuida das feridas e ainda fecha a ambulância. Somos o carregador, a secretária e a enfermeira, além de médicos. Tamanho abuso jamais ocorreria na Inglaterra", emendou.

"Abuso", aliás, é uma palavra que vem sendo repetida insistentemente pelos médicos alemães, quando falam sobre suas condições de trabalho na terra natal. E não é apenas pela remuneração que a migração cresce cada vez mais – a média salarial no país é 25% abaixo do que paga o NHS –, mas também pela estrutura nos hospitais.

Depois de vários anos trabalhando dentro do sistema de saúde britânico, Julia Bartley voltou à Alemanha para trabalhar como consultora em um hospital de Berlim. Com experiência dos dois lados do Canal, a médica não tem dúvidas a respeito das vantagens do sistema britânico.

Arzt in den Slums von Caracas

Alemanha: médicos de mãos atadas

"Primeiro você recebe um grande treinamento lá, mas há outros motivos, como a redução da hierarquia, que permite ao médico ser ouvido e dar opiniões. Quem tem uma grande idéia ou uma sugestão pode falar. Não importa o seu cargo, as pessoas te escutam e te levam a sério", comenta.O ambiente de trabalho dentro de um hospital alemão é o que obrigou Bartley a deixar o país. "Jovens médicos são deixados de lado, rebaixados e geralmente mal tratados".

Expandindo opressão

O relato da médica pode parecer reclamação de principiante, mas Braganza mostra que a situação é realmente grave. O médico experiente insiste que a estrutura dos hospitais alemães são mais despóticas do que democráticas.Enquanto no Reino Unido há uma média de um consultor para cada 20 leitos hospitalares, na Alemanha a administração de um hospital pode ser responsável por até 100 pacientes.

"Na Grã-Bretanha, o nível alto é mais corriqueiro. Os consultores são muito independentes e o sistema é mais racional. Enquanto na Alemanha até um médico muito experiente, especialista em sua área, precisa se submeter às ordens do chefe. E este pode tornar a vida de qualquer um de quem ele não goste simplesmente insuportável", diz Braganza.

Outro fator que incomoda muito os médicos na Alemanha é que no país há o dobro de profissionais para cada 100 mil habitantes do que há no Reino Unido. Lá a carreira pode deslanchar mais rapidamente – não apenas em função da competição menos acentuada, mas também por causa da liberdade que cada um tem em mostrar seu potencial.

"Na Inglaterra, jovens médicos podem fazer várias coisas porque lá não há tantos profissionais da área. Enquanto na Alemanha só os altamente reconhecidos tomam decisões", argumenta Braganza.

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