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Mundo

Médico congolês recebe Prêmio Sakharov

Denis Mukwege, que opera mulheres vítimas de violência sexual, uma estratégia de guerra adotada pelas milícias do país, é honrado por sua luta pelos direitos humanos. Em 2012, ele sofreu tentativa de assassinato.

O ginecologista congolês Denis Mukwege será o agraciado de 2014 com o Prêmio Sakharov de direitos humanos e liberdade de pensamento. O anúncio foi feito pelo presidente do Parlamento Europeu, o alemão Martin Schulz, nesta terça-feira (21/10), em Estrasburgo.

O médico de 59 anos fundou o Hospital Panzi, em Bukavu, no leste da República Democrática do Congo, e lá ele tratou milhares de mulheres e meninas vítimas de violência sexual. A clínica tenta, a partir dos tecidos humanos queimados e dilacerados, reconstruir o órgão sexual feminino.

"Normalmente, leva anos até que se consiga chegar a algum resultado. Muitas mulheres precisam fazer longas pausas entre as cirurgias, caso contrário, poderiam não sobreviver a outra operação", explicou o ginecologista.

Persguido por rivais

A iniciativa surgiu após Mukwege notar que o número crescente de estupros violentos durante a guerra civil não era por acaso. "As várias milícias no Congo utilizam a sistemática destruição da mulher como estratégia de guerra", explica.

Alternativer Nobelpreis 2013 Denis Mukwege

O ginecologista Denis Mukwege trata mulheres e garotas que foram vítimas de estupros - uma estratégia de milícias na guerra civil do Congo

Segundo ele, a destruição dos órgãos genitais – muitas vezes com uso de ácido e fogo – torna as mulheres inférteis e, consequentemente, enfraquecem o inimigo. O grupo rival não tem como se propagar e, além disso, os homens são humilhados por não terem conseguido proteger as mulheres.

Com a ajuda do Unicef, o ginecologista fundou em 1996 a primeira maternidade de Bukavu, que foi aos poucos ampliada até ser o hospital de hoje. Mukwege busca divulgar as crueldades no Congo também à comunidade internacional. O seu ativismo – e a ajuda às mulheres violentadas – lhe rendeu inimigos.

Em 2012, homens armados invadiram sua casa e tentaram matá-lo. Mukwege sobreviveu apenas porque um colega de trabalho distraiu os assassinos e foi executado. Após alguns meses com a família na Bélgica, o médico voltou a Bukavu no início de 2013 e foi recebido por uma multidão de mulheres no aeroporto.

Desde então, 20 dessas mulheres se revezam como "guardas" do ginecologista. Em setembro de 2013, Mukwege foi honrado com o Prêmio Nobel Alternativo por seu compromisso com os diretos humanos.

Mandela foi primeiro premiado

Südafrika Bildergalerie Nelson Mandela mit Bill Clinton auf Robben Island

Nelson Mandela (esq.), aqui mostrando ao então presidente americano Bill Clinton a prisão de Robben Island, foi o primeiro vencedor do Prêmio Sakharov.

Mukwege receberá o Prêmio Sakharov em 26 de novembro, em Estrasburgo. A honraria leva o nome do cientista soviético Andrei Sakharov, que recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1975.

O prêmio é dado anualmente pelo Parlamento Europeu a pessoas que lutam pela defesa dos direitos humanos e pela liberdade de expressão. Criado em 1988, ele teve Nelson Mandela como primeiro contemplado.

Entre outros premiados estão as Mães da Praça de Maio (1992), da Argentina; o ganês e ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan (2003); e a atual

vencedora do Prêmio Nobel da Paz

, a paquistanesa

Malala Yousafzai, no ano passado

.

O premiado recebe também uma quantia de 50 mil euros. Os outros dois indicados para a edição deste ano haviam sido o movimento de liberdade pró-europeu Euromaidan, da Ucrânia, e a ativista de direitos humanos Leyla Yunus, do Azerbaijão.

PV/dpa/epd/kna

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